4 tendências de jornalismo que estão voltando a bombar

por Henrik Stahl
Jan 23, 2017 em Jornalismo digital

Tendências. Vêm e vão, certo? Bem, na maioria das vezes vêm, vão e voltam. Acontece com filmes de terror, acontece na moda e acontece também para celulares. E é a mesma coisa no jornalismo.

Um dos exemplos mais óbvios é o tamanho do artigo. Durante muito tempo, desde os primeiros dias até os anos 80 ou 90, os jornais consistiam de enormes quantidades de texto e poucas imagens.

Em seguida vieram os tablóides e as revistas populares, que se concentravam mais na apresentação visual, encurtando textos a favor de imagens e design. Essa tendência continuou na era digital do jornalismo e foi acentuada na substituição súbita do desktop pelo celular. Em telas pequenas, achamos que as pessoas querem menos texto.

E então, do nada, o formato longo teve um retorno súbito, rapidamente se tornando o formato mais lido em muitas plataformas (por exemplo, no Medium o tamanho de leitura ideal de um post é de 7 minutos; esses posts capturam mais atenção).

Além desse exemplo óbvio, existem outras tendências contemporâneas que são realmente antigas tendências passando por um renascimento.

1) Sistemas de gerenciamento de conteúdo personalizados

Nos primeiros dias da era digital, os sistemas externos de gerenciamento de conteúdo, que hoje em dia são componentes cruciais de toda redação digital, eram difíceis de obter. Na verdade, eles eram praticamente inexistentes. O Newsprint CMS raramente tinha integração na web e a edição manual das páginas HTML era ineficiente. Assim, muitos jornais que adotaram a www rapidamente criaram algum tipo de software de publicação por conta própria.

Logo, esses sistemas personalizados e não tão fáceis de manter foram superados por novas soluções oferecidas por empresas de software dedicadas.

Agora que as empresas de notícias finalmente chegaram à transformação digital, estamos de volta à estaca zero, com sistemas de gerenciamento de conteúdo como ArcScoopChorusMedia OS e SMP  como resultado.

2) Boletins de email

Emails experimentaram um declínio dramático durante o século 21. E muitos editores que até os anos de 2010 ainda operavam boletins de e-mail os consideravam mais um mal necessário do que um serviço enriquecedor ao cliente e potencialmente lucrativo. Eventualmente, o Slack e outros vieram, impulsionando a importância das ferramentas de comunicação de bate-papo.

Mas ninguém foi realmente capaz de tornar o bom e velho e-mail obsoleto. E assim, os boletins de notícias por email são agora mais populares do que foram há tempo.

Como isso aconteceu? O que impulsionou o boletim de e-mail de uma ferramenta considerada meio morta para um suposto salvador do desenvolvimento de público online?

É bastante simples: as pessoas leem mais em celulares (tanto em sites específicos quanto em e-mails) do que há 10 anos atrás. Os sites estão ficando muito mais rápidos do que eram há 10 anos. E as visualizações de aplicativos são significativamente mais rápidas do que eram há 10 anos. Todos estes fatores trabalham em favor do boletim de notícias via email. Ler artigos em dispositivos móveis no mesmo aplicativo onde você lê seu e-mail é muito mais comfortável do que costumava ser. E é por isso que gostamos do boletim de e-mail muito mais do que antes.

3) Recursos de engajamento de usuário 

Durante a década de 2000, muitos editores mantiveram fóruns para discussões de usuários e, na segunda metade da década, muitos recursos de comentários customizados foram desenvolvidos -- até a implementação da seção de comentários em artigos, onde tudo caiu por terra.

As seções e fóruns de comentários logo fecharam novamente, e as empresas de mídia se distanciaram mais uma vez dos usuários - deixando um vácuo que em seguida seria preenchido por plataformas de mídia social insaciáveis como o Facebook (alguns editores agora usam o plugin da caixa de comentários do Facebook ou outras soluções externas). Até mesmo as pesquisas lentamente desapareceram.

Agora que o Facebook e o Google estão à beira de assumir o controle de todo o setor de mídia (sim, estou exagerando -- mas apenas um pouco), os recursos de engajamento de usuário estão fazendo um retorno rápido e poderoso entre os editores. Até certo ponto, temos o Slack para agradecer por isso.

4) Bots

Você pode nunca ter notado -- mas tarefas automatizadas (o precursor do bot) sempre fizeram parte do jornalismo digital. Esses "robôs" têm sistemas de gerenciamento de conteúdo há muito tempo, realizando silenciosamente tarefas simples, mas cruciais, como limpeza de páginas, sincronização de outros tipos de mídia (como vídeo) de fontes externas, atualização de gráficos e tabelas etc. E assim por diante.

Os bots de mensagens (e os bots do Twitter!) também estão em uso há muito tempo. Em seus primeiros dias, porém, o mensageiro bot foi principalmente conhecido por fornecer respostas genéricas e nem sempre úteis em sites de empresas. Já tentou fazer uma pergunta boba para um bot de bate-papo de e-commerce? Então você sabe o que eu quero dizer.

Este artigo resumido apareceu originalmente em Thoughts On Journalism. Henrik Ståhl é um jornalista com mais de 15 anos de experiência, recentemente proprietário de produto do Bonnier News.

Imagem sob licença CC no Flickr via WCN 24/7