Tomando aquele longo primeiro passo

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27 juin 2008 dans Miscellaneous

por Jack Hart

Faz muito mais para uma matéria do que muitos leitores suspeitam. É muitas vezes o maior desafio do escritor, e é a mais importante passagem em quase qualquer artigo de redação.

É o lide, com certeza, o primeiro obstáculo brutal que impede o caminho para o nirvana que Dorothy Parker tinha em mente quando disse que odiava escrever, mas amava ter escrito.

A maioria dos escritores sabem que vivem ou morrem em seus lides, e agonizam sobre aquelas primeiras linhas porque um bom lide deve fazer tantas coisas ao mesmo tempo.

Um bom lide segura o leitor imediatamente, atraindo-o para a história com uma sucessão engenhosa de atrativos. Um lide que falha por um instante arrisca perder os leitores para sempre.

Mas um lide deve também fazer um trabalho real. Leitores reconhecem o “ar quente” literário como promessa vazia. Um caminho verbal sofisticado simplesmente não substitui a informação sólida que atiça o interesse do leitor.

Finalmente, um bom lide provê um princípio organizador para o artigo inteiro, que é a razão pela qual John McPhee disse que um lide eficaz é uma “lanterna iluminando uma matéria.”

A maneira mais direta de fisgar o interesse do leitor é com um simples resumo do conteúdo da matéria. Leitores escaneam o resumo e decidem se o material é relevante para suas vidas. Tal resumo é, certamente, um lide simples de notícia.

Lides de resumo são bem sucedidos até o ponto que claramente descrevem o impulso principal que se segue. Eles falham quando se concentram em algo além do ponto mais importante, o que é o que queremos dizer quando falamos sobre perder o lide. Ou quando expressam a idéia central de maneira que não fazem conexão com as vidas dos leitores. Ou quando são tão vagos que dão aos leitores nenhuma idéia clara sobre o que se segue. Ou quando são preenchidos com detalhe que obscura o panorama que leitores precisam antes que eles podem formar decisões sobre ler a matéria.

Maneiras menos diretas de atrair o interesse do leitor inclui um pacote cheio de mecanismos literários que nós leitores desenvolvemos desde começamos a pintar em pedras.

Podemos prefigurar, o que cria uma tensão dramática ao sugerir algo significante que está para acontecer: "As rodas saíram do chão, e o avião se ladeia ao norte. Gibson mal percebeu o zunido pouco audível no Motor N° 2."

Ou podemos fazer o que cineastas às vezes realizam com música que cria uma sensação ameaçadora de ação iminente: “A porta se abriu com um rangido. Na escuridão de fora, ela viu o fraco contorno de uma figura humana."

Ou podemos pegar um detalhe dramático interessante ("Ela viu a faca primeiro. . . "), ou esboçar uma cena envolvente ("O rio se curvou passando pela frente da choupana, corroendo o banco erodido.") ou lançar uma seqüência de eventos que leitores desejarão ver até algum tipo de conclusão ("Ele empurrou a porta e pulo do avião.") ou implicar com um pronome que falta um antecedente ("Esta é a passagem crítica em qualquer artigo de escrita."). Centenas de estratégias diferentes farão o trabalho.

Mas nada funciona pior a não ser que ofereça algo de substância. Os lides menos engajantes descrevem atividades mundanas, atoladas dentro de informação que não tem aparente aplicação às vidas dos leitores, não contém promessas de material excitante para seguir ou dizem essencialmente nada. Eles são o tipo de lides que causam leitores a perguntar, “E daí?”

Um lide bem sucedido é substancial e honesto. Não descreva uma desavença que na verdade se torna uma discussão calma. Não faça um grande rebuliço sobre um perigo remoto. O que você prometer, entregue.

E entrega para o escritor também. Um lide forte faz a mira no tema da matéria e assim estabelece o princípio organizador fundamental para tudo que se segue.

Isto cura muitos problemas. O fracasso de descobrir o que a história quer dizer produzir não só um lide ruim mas também um texto difícil. Como você pode julgar seu lide a não ser que entenda seu ponto central? E como você pode passear por um texto a não ser que saiba onde quer ir?

Escritores que constantemente sofrem com seus lides invariavelmente descuidaram de estágios básicos de processo de escrever. Eles pretendem escrever sobre tópicos vastos e ainda não formados em vez de idéias focalizadas. Não conseguem chegar a declaração concreta do tema que ajuda a dirigir sua reportagem. Têm pouco ou nenhum tempo para organizar suas anotações e construir um simples esboço para suas matérias.

O que explica como o lide pode sobrecarregar. É muito mais do que poucas batidas no teclado. Incorpora, de fato, todo pensamento difícil que envolve no planejamento e organização da matéria inteira. Por isso que McPhee também disse que uma vez que você escreve o lide, fez 90% do trabalho. É pouca surpresa que o prospecto de escrever uma simples linha ou duas pode intimidar os melhores de nós, ou que o primeiro passo é muitas vezes o mais longo da viagem.

Hart, um repórter, editor e professor de jornalismo, é diretor de desenvolvimento de equipe e instrutor de redação no Oregonian.

Editor & Publisher 9 de janeiro de 1993