WaziMap libera dados públicos na África do Sul para uso fácil por jornalistas e cidadãos

porMandy de Waal
Sep 24, 2014 em Diversos

Fumaça preta sobe em direção ao céu em Nyanga, um dos bairros mais antigos da Cidade do Cabo, depois de manifestantes incendiarem ônibus no início de setembro. Em todo o país, em Soweto perto de Johanesburgo, um grupo de cidadãos - a maioria crianças - enfrenta a polícia sobre questões habitacionais.

Um relatório policial mostra que protestos violentos dobraram no país, enquanto um estudo acadêmico revela que o número de pessoas mortas em protestos aumentou dramaticamente. Os protestos são uma característica permanente na vida na África do Sul, mas as notícias sobre esta ocorrência frequente são em grande parte superficiais. Tratam de descrições das batalhas com a polícia, mortes e as estatísticas de feridos. Jornalistas raramente se aprofundam nas razões pelas quais as comunidades se dedicam a estes protestos violentos.

Isso porque as habilidades de jornalismo estão em falta, pois as posições dos jornalistas nas redações estão declinando acentuadamente no país, de acordo com William Bird, diretor do Media Monitoring Africa (MMA). "Dada a falta de recursos, a notícia é focada em grandes personalidades políticas, e as questões não estão sendo descobertas", ele disse em entrevista à IJNet. "Quando se trata de comunicação de protestos, o contexto é resumido, então tem havido muito pouca profundidade nas reportagens sobre esta questão."

 
Bird e sua equipe no MMA estavam se preparando para as eleições durante o primeiro trimestre de 2014, o que significou buscar maneiras que a organização sem fins lucrativos poderia apoiar jornalistas limitados por recursos escassos. "Estávamos procurando uma maneira como os jornalistas poderiam facilmente adicionar uma grande quantidade de dados e profundidade para suas matérias tornando essas informações acessíveis e fáceis de usar", disse ele.

"Queríamos misturar os resultados eleitorais com resultados do censo e outros dados para que os jornalistas pudessem ter acesso fácil a informações sobre serviços básicos, níveis de renda, níveis de serviço e outras informações importantes que oferecessem uma visão real sobre por que as pessoas protestam e sobre o que estão protestando", disse ele.

Isso era mais fácil dizer do que fazer, já que grande parte dos dados disponíveis publicamente na África do Sul ficam presos em longos relatórios, em formatos inacessíveis que fazem pouco para ajudar os jornalistas a manter o eleitorado informado sobre assuntos cívicos que afetam a eles diretamente.

É por isso que Bird recorreu ao Code for South Africa (CfSA), uma organização sem fins lucrativos que constrói uma cidadania mais ativa, promovendo a disponibilidade de dados.

O CfSA sabia que uma ferramenta como Bird estava imaginando já estava em desenvolvimento, mas para um país diferente. O projeto Census Reporter, financiado pelo Knight News Challenge, estava extraindo os dados do censo dos EUA e colocando em uma interface simples e fácil de usar, que inclui visualizações de dados. O objetivo: construir uma ferramenta fácil para jornalistas que oferecesse contexto rico e profundo à primeira vista.

O Census Reporter foi construído completamente com software de fonte aberta e isso significou que o Code for South podia usar o código subjacente da plataforma, sem nenhum custo, e construir em cima dele, a fim de adaptar a ferramenta para que pudesse ser usada para conjuntos de dados do país sul-africano.

O resultado: O tecnólogo Greg Kempe do Code for South Africa liderou a equipe que construiu a plataforma WaziMap.co.za, lançada em março de 2014. Wazi é a palavra em zulu local para "conhecimento" e significa "aberto"na língua suaíli da África Oriental.

A versão africana da plataforma incluiu um backend de dados simplificados, que coincide com a interface de dados (chamada de interface de programação de aplicativo, ou API) do backend API do Census Reporter, mas não tem todas as complexidades do censo americano. Assim, Wazi suporta um formato de dados muito mais simples que o torna fácil importar também informações que não são do censo, como estatísticas de criminalidade ou de educação, e ainda obter todos os benefícios da tecnologia original do CensusReporter. Os grandes benefícios incluem mais opções para visualização de mapa e download com código de geo. O Code for South Africa também simplificou a camada de mapeamento para que possa ser executado em Open Street Map em vez de um servidor de mapeamento personalizado.

Informações do censo são difíceis de acessar e interpretar, na melhor das hipóteses, mas Wazi Map tira a dor de cabeça de vasculhar fluxos de dados ou legiões de arquivos do Excel quando os repórteres estão em fechamento. "Ao ir para Wazi Map, os jornalistas podem contextualizar suas histórias para descobrir o que está por trás de um protesto violento, ou se uma comunidade tem água, ou quais são os níveis de educação de uma comunidade", disse Kempe. "Por outro lado, os jornalistas podem pegar a informação e incorporá-la nas matérias ou usar as visualizações de dados, para que os leitores possam ver os dados rapidamente."

"Estamos trabalhando com os jornalistas para mostrar como usar essa ferramenta e para obter feedback sobre as suas experiências quando usá-la. Nós também estamos buscando aproveitar muito mais informações no site para que a ferramenta seja cada vez mais útil", disse Kempe.

"O que fazemos é pegar os dados e exibi-los de uma forma que os cidadãos possam utilizar, para que possam tomar decisões melhores", disse Adi Eyal, diretor do Code for South Africa. "O objetivo do Wazi é contextualizar um lugar usando o máximo possível de dados --informações como o censo, estatísticas de criminalidade, a eficiência dos hospitais e muito mais."

O feedback das redações foi tão bom que o Code for South Africa foi contratado para construir programas semelhantes para o Quênia (onde um protótipo já está em testes públicos), Gana e Nigéria.

O resultado final, Eyal espera, é que as pessoas vão ter poderes para tomar decisões informadas sobre o que importa, de "decisões sobre quais medicamentos comprar, em quem devem votar, ou que subúrbio devem viver."

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Imagem sob licença CC no Flickr via United Nations Photo

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