Veterano da mídia diz que futuro de paywall é complicado

porDana Liebelson
Mar 22, 2011 em Empreendedorismo de mídia

Os leitores do New York Times podem estar reclamando por causa da decisão do jornal de implementar assinaturas digitais, mas mesmo os profissionais de mídia têm suas próprias preocupações.

A IJNet falou com Joel Hollander, diretor e CEO da Rádio CBS de 2005 a 2007, sobre o novo sistema de paywall.

Leitores do NYTimes.com podem agora ler 20 artigos por mês gratuitamente antes de terem que pagar pela assinatura digital, que custa US$8,75 por semana. Esta é a segunda vez que o Times, cuja circulação digital supera sua circulação de papel, tenta cobrar pelo conteúdo digital. Enquanto isso, leitores já acharam maneiras diferentes de furar o que tem sido chamada de "paywall porosa", desde acessando o site de aparelhos diferentes a deletando os cookies.

IJNet: Como o senhor se interessou por esse problema?

Joel Hollander: Trabalho na mídia há 30 anos. Vi a mídia passar por todo o tipo de paywalls diferente e, naturalmente, eu acompanhei o problema

IJNet: Quais são os desafios específicos que o senhor vê para o paywall do NYTimes?

JH: Eu acho que vai ser extremamente difícil colocar o gênio de volta na garrafa. O conteúdo foi livre por um longo período de tempo e há muito conteúdo lá. O conteúdo vai ter que ser realmente especial para as pessoas pagarem por ele -- as pessoas podem pagar por seus colunistas preferidos, por exemplo.

IJNet: Que benefícios do sistema o senhor vê? Será que eles superam os desafios?

JH: Eu acho que é muito cedo para dizer. Temos de esperar até que algum tipo de padrão apareça.

IJNet: O senhor acha que ter um paywall em um site de notícias muda como os jornalistas fazem seu trabalho?

JH: Na verdade, acho que não. A Internet tem sido excelente para alguns jornalistas, tem sido capaz de recriar suas carreiras. Para outros, não tem sido tão boa, mas independentemente, isso é para onde estaremos migrandos nos próximos 10 anos.

O que acontece é a Internet beneficia os escritores que têm o melhor conteúdo. Isso sempre vai vencer.

IJNet: Como essa questão se aplica ao rádio? Como as estações de rádio de assinatura afetam o conteúdo livre?

JH: Isso é um negócio muito diferente, e a Satellite Radio tem feito um trabalho muito bom entendendo isso. É um negócio impulsionado pela assinatura, e não uma empresa impulsionada pelos anúncios, como a imprensa.

Há 10.000 estações de rádio nos Estados Unidos com uma renda anual de US$16 bilhões. A Satellite Radio é o que realmente está mudando agora; e você tem todas essas opções de áudio: Pandora, opções de conectar e tocar. O painel também está evoluindo.

Por qual mídia o senhor pagar? Por quê?

JH: Eu pago por algumas coisas, mas leio um monte de assinaturas gratuitas, como o Daily Beast e Media Bistro. Eu pago pelo Barron's, mas não há muito mais que eu acho que deveria pagar.

Foto por B.K. Dewey, Creative Commons Attribution License