Use algoritmos, e não estagiários, para o trabalho pesado na redação

por Margaret Looney
Jun 21, 2013 em Jornalismo de dados

Uma cena comum nas redações que praticam o jornalismo baseado em dados: estagiários com olheiras escuras e um olhar vidrado por passar horas examinando cada item em um vasto banco de dados, na tentativa de padronizá-los para que seus padrões possam ser analisados.

Derek Willis, desenvolvedor de notícias interativas do New York Times, acredita que há uma maneira melhor. "Os estagiários são ótimos, mas esta é uma maneira de acabar com eles", Willis disse aos participantes do encontro de junho da News Association Online (ONA) em Washington, DC. Em vez disso, ele e outros participantes sugeriram economizar tempo, deixando um algoritmo de computador resolva este trabalho pesado.

Essencialmente, um algoritmo é apenas uma "lista de instruções glorificada", disse Justin Myers, produtor interativo da Chronicle of Higher Education. Semelhante a uma receita, é um conjunto de instruções que seu computador seguirá repetidamente a seu pedido.

Algoritmos oferecem um valor aos jornalistas que vai muito além dos benefícios de economia de tempo. Métodos de reportagem são essencialmente os mesmos em todas as editorias, seguindo um sistema típico de perguntas e respostas. A grande vantagem de ensinar um computador a fazer essas tarefas é que cria um sistema replicável que pode continuar por muito tempo até depois que um repórter decide mudar para outro trabalho, Willis disse.

O Times usa algoritmos para matérias como essa que rastreia os financiamentos de campanhas políticas, fazendo simples comparações de doadores de campanhas políticas com base no nome, destinatário, ocupação e outros dados demográficos. Há uma motivação por trás de qualquer doação de campanha política e normalmente seguem um padrão que o algoritmo pode identificar.

Depois de usar um algoritmo para eliminar tarefas manuais e começar a coletar dados de forma contínua, você vai ser capaz de fazer perguntas melhores com base nas tendências que o computador encontrou.

Algoritmos podem revelar histórias que podem passar batidas pelo olhar humano. Willis observou como os jornalistas podem usar algoritmos para monitorar as ações rotineiras de figuras políticas, através do rastreamento de seus feeds de mídia social, onde seus comunicados de imprensa são distribuídos ou quantas vezes eles usam uma frase-chave em um discurso. Isso pode levar a ideias de pauta, explicando o "porquê" por trás de ações estratégicas de um político.

Abraçar a eficiência dos algoritmos também é uma ótima maneira de "desistir histórias fracas", disse Willis. Ao ter uma máquina reunindo os fatos crus e frios para você, pode evitar matérias anedóticas que carecem de significado permanente.

Embora sempre haverá coisas que jornalistas (e seus estagiários atordoados) precisam verificar manualmente, se escolher uma boa margem de erro (para Willis, cerca de 90 por cento de certeza de que seus dados são limpos), os algoritmos podem reduzir a lista de itens para serem verificados e diminuir a chance de que seus estagiários fujam do trabalho.

Você pode conferir um resumo do Storify sobre o evento ONA, junto com mais dicas sobre o uso de algoritmos na redações aqui.

Margaret Looney, assistente editorial da IJNet, escreve sobre as últimas tendências na mídia, ferramentas de reportagem e recursos de jornalismo.

Imagem sob licença CC no Flickr via dullhunk