Uma corrente do bem para jornalistas no WhatsApp

porWilson de Sá
Feb 8, 2021 em Freelance
Wilson de Sá mostrando o celular

Em outubro de 2000 foi lançado nos Estados Unidos o filme “A Corrente do Bem” dirigido Mimi Leder, com roteiro de Leslie Dixon e com Haley Joel Osment  e Kevin Spacey no elenco. Foi um belo e impactante filme, pelo menos para mim. E não, não tinha nada relacionado com jornalismo.

O filme contava a história de um professor de estudos sociais que dá a tarefa para sua turma de pensar em uma ideia de mudar o mundo para melhor e em seguida colocá-la em prática. Uma ação rotineira do professor em início de ano letivo na escola. Mas, naquele ano, um aluno chamou a atenção de todos, inclusive do professor, por criar um plano, que viria a movimentar uma onda sem precedentes de bondade humana.

Criar um grupo no WhatsApp está longe de ser uma “Corrente do Bem” nos moldes e alcance do filme, mas foi a minha maneira de tentar ajudar as pessoas que me procuravam. Isto porque muitos amigos jornalistas que estavam desempregados me enviavam mensagens perguntando sobre vagas ou pedindo emprego. E eu, claro, lamentavelmente, não conseguia atender nem 10% desses amigos.

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Surgiu em fevereiro de 2017 ―muitos anos depois do lançamento do filme―, a ideia de montar um grupo denominado Vagas no Jornalismo no aplicativo WhatsApp, já que eu participava de um grupo similar no e-mail do Yahoo. 

O grupo foi criado e as vagas que recebia por e-mail eu repassava no grupo. Então, logo percebi um problema: o limite de pessoas que podem ser adicionadas no grupo é de apenas 256, mais o administrador. Na época, achei que seria mais do que suficiente. Me enganei.

A notícia se espalhou rapidamente e o grupo atingiu sua capacidade máxima porque o mais comum era uma pessoa pedir para incluir “um amigo/amiga que está em busca de uma oportunidade”. Criei então, o Vagas no Jornalismo II, e tão rápido quanto foi criado, também lotou. 

Parti para o Vagas no Jornalismo III, depois o IV e agora são cinco grupos todos com sua capacidade máxima. Bom, vamos fazer uma conta rápida: 256 x 5 = 1.280 pessoas. Multipliquei por 256 (apesar de ter 257) porque eu sou o administrador de todos os grupos e não conto.

São postadas vagas diariamente nestes grupos e tudo que é postado em um é, imediatamente, compartilhado nos outros e lá estão 1.280 pessoas, entre jornalistas e estudantes em busca de uma nova oportunidade e de muitos estados brasileiros.

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E não estão apenas em busca de trabalho, apesar de ser o objetivo principal. Isto porque há espaço também para discussão sobre jornalismo, sobre o mercado de trabalho na área, sobre as empresas do setor. São discutidos ainda, como é o tratamento aos profissionais em determinadas empresas, se há atraso de salários, se a remuneração é justa, ou seja, tudo o que se relaciona com o jornalismo. 

E o mais importante, todos respeitam isso. Lá, não se fala de política partidária, de novelas e nem de futebol, que é a paixão do brasileiro, por exemplo.

Uma outra ação comum entre os membros dos grupos é compartilhar as oportunidades com seus amigos enquanto estão fora do Vagas por falta de espaço. Prova de que esta corrente do bem é ainda mais ampla e está ajudando até outros colegas.

Eu realmente não tenho uma ideia de quantas pessoas conseguiram emprego desde a criação dos grupos e até gostaria muito de saber. Mas, o que importa realmente é que tem funcionado. De fato muitas pessoas entraram e depois saíram por terem conseguido um novo emprego graças às vagas postadas nos grupos. E quando isso acontece, me sinto com dever cumprido.

Há uma rotatividade muito grande. A prova disto é que recebo várias mensagens no privado de jornalistas agradecendo por ter participado do grupo, pela iniciativa  por ter conseguido uma nova colocação. 

Mas o lema do grupo é “Aproveite ou Compartilhe”, então é todo mundo se ajudando. É importante deixar claro também que tudo é feito de maneira voluntária da minha parte e de todos. Nunca se cobrou e jamais será cobrado nada de ninguém. Isso é muito importante ressaltar.

Espero realmente que os grupos “Vagas no Jornalismo” formem um elo cada vez mais forte nessa "Corrente do Bem" ― o que se torna mais ainda necessário em tempos de pandemia.

Para os interessados a entrar em no grupo, é necessário se inscrever numa lista de espera. Para isso, entre em contato comigo pelo Instagram.


Wilson de Sá mora em Diadema, São Paulo. É jornalista freelance, fotógrafo e pós-graduando em Política e Relações Internacionais. Siga-o no Twitter, Instagram ou LinkedIn. 

Imagem cortesia de Wilson de Sá