Um guia para cobrir estatísticas de criminalidade

por Jessica Weiss
Oct 7, 2013 em Diversos
Carro policial

A reportagem policial é um dos pilares mais importantes da cobertura de notícias, mas os jornalistas nessa editoria enfrentam uma tarefa assustadora.

Muitas vezes é difícil encontrar a verdade sobre os crimes e as estatísticas de criminalidade. Repórteres devem aprender a desvendar os longos relatos de crimes carregados ​​com jargão e números. Além disso, informar sobre crime pode ser complicado por governos locais ou nacionais que têm alguma vantagem em minimizar o crime, observou o site de verificação Africa Check. Enquanto isso, outros setores, como a indústria de segurança, beneficiam-se da promoção do medo do crime e criminosos.

O Africa Check, uma organização apartidária que promove a precisão no debate público, e o Institute for Security Studies lançaram um guia para as estatísticas de criminalidade "para ajudar os jornalistas a evitarem a disseminação de mitos e desinformação sobre crime, e serem capazes de fornecer informações precisas e contextualizadas". Aqui estão algumas dicas úteis do guia:

Números, índices e taxas

  • Índices fornecem o contexto. As estatísticas criminais são geralmente apresentadas em termos de números brutos e índices de criminalidade. Ao informar sobre crime, usar índices (geralmente um número por 100.000) fornece o contexto e corresponde a mudanças populacionais. Embora a criminalidade não necessariamente cresça com a população de um país, pode-se esperar que o número total de crimes aumente junto com a população.

  • Para criar uma indicação da frequência, divida o número total de casos ao longo de um período de tempo para representar a taxa à qual os crimes específicos têm lugar definido. Esses índices devem ser usados ​​junto com o tamanho da população.

  • Pessoas vs. propriedade. Usar índices para estabelecer níveis de crime contra propriedade ou objetos (roubos de veículos e assaltos de negócios) em vez do número de pessoas pode fornecer um indicador impreciso do risco. Por exemplo, pode haver 10 mil pessoas que vivem em uma determinada área, mas apenas 75 empresas. Inclua essa informação para colocar sua reportagem em contexto.

Categorias de crime

  • Compreenda definições de crime. Crimes geralmente podem ser divididos em três grupos: 1.) crimes contra a pessoa - geralmente referidos como "crime de contato", quando uma pessoa ou pessoas são feridas, prejudicadas ou ameaçadas fisicamente ou não; 2.) crimes contra a propriedade - em que a vítima está ausente ou ignorante sobre o crime no momento; 3.) crimes identificados pela ação policial - crimes que não são relatados pelo público, mas detectados pela polícia.

  • Crimes violentos têm o maior impacto sobre o medo da população. Categorias gerais de crime ajudam a explicar a "motivação e modus operandi do crime", ajudam o público a avaliar o risco e lançar luz sobre a eficácia das estratégias de prevenção ao crime. Quando diminuem os crimes violentos, as comunidades começam a se sentir seguras e ficam mais capazes de lidar com o crime de propriedade.

  • Conheça a nuance entre os crimes. O fator decisivo que separa "roubo" de "assalto" em muitos países é o uso da força ou violência contra a outra pessoa durante o crime. Em outras palavras, um assalto envolve ameaça direta ou emprego de violência, enquanto um roubo significa que não houve contato entre a vítima e o agressor.

Como usar os dados

  • Forneça contexto relativo. Quando visto sem o contexto e a interpretação correta, as estatísticas de criminalidade podem obscurecer mais do que revelam. A média nacional simples não fornece uma boa base para a compreensão do risco de crime em um local específico. Um recente relatório da ONU sobre o homicídio citou a taxa de homicídios na Cidade do Cabo em 41 por 100 mil, o que é significativamente maior do que a média nacional de 34,1 em 2009. No entanto, os assassinatos estavam concentrados nas regiões mais pobres da cidade, fazendo com que o risco nessas áreas fosse muito maiores.

  • Tenha cuidado ao fazer comparações internacionais. As tentativas em comparar o crime em diferentes países muitas vezes não conseguem dar conta de diferenças entre diferentes definições legais de crime, índices de criminalidade documentados, e a precisão dos dados de criminalidade. Por exemplo, em 2009 houve 15.241 assassinatos registrados nos Estados Unidos e 16.834 na África do Sul. Em termos de números puros, as duas taxas de homicídio países são semelhantes. No entanto, a população dos EUA na época era de 307 milhões, enquanto na África do Sul era de um pouco mais de 49 milhões, dando a África do Sul, uma taxa de homicídios 6,9 vezes maior do que nos EUA.

  • Anedotas são importantes, mas não as utilize sozinhas. As matérias do tipo perfil de um crime mudam o foco para vítimas específicas, o que pode ser útil para a narrativa. Mas a informação anedótica não deve ser utilizada isoladamente. As anedotas muitas vezes se concentram em casos de violência extrema ou quando figuras proeminentes estão envolvidas, e as histórias por si só podem perder o cenário abrangente da situação.

Acesse o guia completo (em inglês), clique aqui.


O Africa Check venceu o African News Innovation Challenge, um projeto do ICFJ Knight International Journalism Fellowship. O conteúdo de inovação de mídia global relacionado com os projetos e parceiros dos bolsistas ICFJ Knight na IJNet é apoiado pela John S. e James L. Knight Foundation.

Imagem cortesia do Africa Check