Sites jornalísticos na América Latina são insuficientes em engajamento e multimídia, diz estudo

por James Breiner
Nov 13, 2014 em Diversos

Foi um pouco deprimente ouvir os resultados de um estudo de 34 nativos digitais durante o Terceiro Fórum Latino-Americano de Mídia Digital e Jornalismo.

No geral, estes sites mostraram pouca interação com seu público nas redes sociais; pouco uso de mapas, gráficos e visualizações; e pouca atenção do lado do negócio do jornalismo antes do lançamento.

O Centro de Pesquisa e Ensino Econômico hospedou o evento no dia 9 de outubro na Cidade do México. (Vídeos de todas as sessões aqui, em espanhol.)

Os resultados preliminares do estudo foram apresentadas por Margarita Torres, professora da Universidade Iberoamericana, e Jordy Melendez da Factual, uma das organizadoras do fórum. Os apresentadores advertiram que o estudo ainda está em andamento e que ainda não existem conclusões ou recomendações.

Comunicação unidirecional

Dos 34 sites de notícias de 11 países, muitos considerados líderes em mídia digital, 62 por cento nunca interage com seu público nas mídias sociais, outros 32 por cento interagem "de vez em quando" e apenas 6 por cento dos sites trocam comentários com o público todos os dias.

"Parece ser um grande erro" não interagir com o público, Juanita Leon, fundadora e editora do site La Silla Vacia, disse mais tarde numa entrevista. Seu site é um dos 6 por cento que interage com os usuários diariamente. A ideia é criar uma comunidade fiel de seguidores, em vez de meros espectadores. Ela se orgulha de dizer que a equipe La Silla responde a todos os comentários.

Outro dado do estudo: apenas 15 por cento dos editores pensaram duas vezes sobre o seu modelo de negócio antes do lançamento. Leon admitiu ter feito esse mesmo erro, há cinco anos, quando começou seu site de notícias investigativo na Colômbia.

Em termos de modelos de financiamento, 19 dos sites são empresas e 15 são organizações sem fins lucrativos.

  • 38% geram receita apenas com publicidade 
  • 19% recebem doações de organismos internacionais, como a Fundação Open Society
  • 15% combinam publicidade com outras fontes
  • 17% fazem parte de uma organização maior de mídia que subsidia suas operações
  • 11% são apoiados por uma universidade

Outros sinais de falta de inovação entre estes 34 sites, de acordo com Melendez, são:

  • Pouco uso de mapas, gráficos ou outras visualizações: 47 por cento os publicam apenas uma vez por mês e 32 por cento nunca os fazem.
  • Apenas 9 por cento tem um design responsivo em que o conteúdo é otimizado para smartphones, tablets, laptops e desktops. Isto ocorre apesar do fato de que a audiência de notícias em dispositivos móveis está crescendo rapidamente. Melendez mencionou que 70 por cento dos mexicanos com smartphones usam seus aparelhos para consumir notícias.
  • Três quartos dos sites agregam conteúdo de outras publicações. Mas os que fazem parte de um quarto que se concentram em produzir seu próprio conteúdo são os que ganharam prêmios de jornalismo e foram reconhecidos pela qualidade do seu trabalho, disse ele.

Os temas de jornalismo empresarial e novas modalidades de financiamento apareceram em muitas sessões durante o Fórum.

Este post foi publicado originalmente no blog News  Entreprenuers e é reproduzido na IJNet com permissão.

Imagem principal sob licença CC no Flickr via JD Lasica