Signal do Facebook e a ascensão de ‘radares' sociais e pesquisa de notícias

por Nasr ul Hadi
Oct 7, 2015 em Jornalismo digital

Antigamente, os jornalistas mais experientes usavam scanners de rádio da polícia para rastrear notícias das editorias de cidade e crime. Em 2015, nós fizemos um "upgrade" para "radares" pagos, gratuitos e mesmo imbutidos que usam pesquisa e dados sociais ou abertos para gerar insights sobre a) o interesse do público e a resposta em torno de eventos de notícias por categoria, localização, dispositivo, etc, b) tração social em torno de temas abordados pelos concorrentes e c) fontes relevantes ou conteúdo gerado pelo usuário em torno de um evento ou tema.

A maioria dos radares está começando a informar o planejamento editorial ao longo do dia, ao lado das agências de notícias e próprias análises dos editores. É por isso que no dia em que o Facebook lançou Signal nos EUA, cerca de uma dúzia de jornalistas do outro lado do mundo -- em uma pequena sala de conferências no Hindustan Times House, em Nova Delhi, para ser exato - estava participando de uma oficina sobre dashboards que podem ajudar na coleta de notícias.

Não tínhamos olhado muitos recursos quando uma das pessoas do grupo percebeu que a maioria dessas ferramentas é suportada apenas por Twitter ou APIs do Google. Todo mundo queria saber por que não temos uma ferramenta que nos ajude a pesquisar no Facebook.

Entra o Signal. Já estava mais do que na hora, Zuckerberg.

Então, começando com a nova sensação do momento, aqui estão algumas das ferramentas que devem estar nos computadores da sua redação  todo dia.

1. Signal do Facebook

Até agora, você já deve ter lido sobre como esta é uma "ferramenta para os jornalistas que querem conseguir fontes, reunir e incorporar conteúdo interessante do Facebook e Instagram". O negócio é que -- como as APIs do Storyful e CrowdTangle e a nova busca do Instagram que o alimenta -- a versão de lançamento do Signal funciona melhor para as redações baseadas nos Estados Unidos e vai demorar um tempo antes de Signal torna-se útil para editores ao redor do mundo.

Signal também pode ajudá-lo a fazer curadoria e incorporar todo o conteúdo que encontra em torno de um tema, à la Storify, mas o painel de coleta de notícias e função de busca é o que o coloca nesta lista. Se você quer testá-lo, assine aqui.

2. Curator do Twitter

Em março, o Twitter lançou Curator, que "permite ao editor descobrir, fazer curadoria e apresentar o melhor conteúdo do Twitter em qualquer tela". Parece exatamente como Signal? Pois é. Twitter foi na frente do Facebook. Solicite acesso aqui.

3. Trends do Google

Se o Facebook e Twitter têm um painel de artigos de tendências, por que não o Google? Na verdade, o Google Trends já existe há alguns anos e profissionais de publicidade o consideram muito útil para comparar o interesse de pesquisa entre marcas, campanhas, etc.

Mas o Google repaginou a ferramenta para jornalistas este ano e agora dá também uma lista bacana de notícias de seu país classificada de acordo com o número de pessoas procurando por essas notícias. Ainda é basedo no interesse do usuário, mas derivada de ações de busca, em vez de ferramentas sociais que nós normalmente associamos com "trending": curtidas, comentários, compartilhamentos, etc. Note como o gráfico de crescimento mostra como esforços de distribuição devem agora focar na história 1 que acaba de começar uma tendência ascendente, em vez da história 2, que já está em queda -- mesmo que sua posição em volume de busca tenha sido revertida.

Aqui está um outro caso de seu uso. Dois editores de uma redação estavam discutindo por email sobre se uma matéria deveria ou não ser o artigo principal na página inicial. Em uma reunião típica de jornalismo, teria sido uma discussão interminável e muito subjetiva sobre quem teria o senso jornalístico mais preciso. Mas nesta época de dados, o editor A fez uma captura de tela do painel de instrumentos do Google Trends mostrando o segundo tema como o mais procurado na Índia em tempo real e mandou para a lista de discussão. O editor B não disse mais nada.

Dito isso, os dados de audiência só devem informar e não ditar as decisões editoriais.

4. Spike do NewsWhip

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De certa forma, Spike é uma combinação dos aspectos de descoberta de ambos Signal e Curator. Ele agrupa artigos relacionados das principais editoras em cada país, em seguida, classifica-os pela velocidade social, ou seja, a taxa na qual estão sendo compartilhados entre feeds sociais. Muitas vezes, alerta você para uma história que está funcionando para um concorrente, mas ainda não está em seu plano de notícias. No workshop de dashboards que mencionei anteriormente, Spike alertou um correspondente de esportes sobre a morte de um jogador de kabaddi internacional devido à dengue. Tanto o esporte e a doença são temas importantes na Índia.

A melhor ilustração da sua utilidade é a campanha de primeira página alimentada por pessoas do NewsWhip que se tornou viral no ano passado. Note que esta é uma ferramenta freemium.

5. Newsle do LinkedIn

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LinkedIn faz o jogo de "trending" com Pulse, seu produto agregador de notícias que compete com Flipboard, Prismatic, etc. Isso é descoberta voltada para consumidores, não inteligência voltada para editores.

Para este último, experimente Newsle, que alerta para as notícias sobre ou por fontes, especialistas ou jornalistas com os quais você está conectado ou que segue nas mídias sociais-chave. Muito frequentemente, serve como um grande funil para ideias de pauta.

6. Followerwonk do Moz

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Até agora, essas ferramentas tratam de alertar os jornalistas sobre novas histórias de tendências ou em ascensão. Mas quando você sabe a história que quer produzir, ferramentas sociais podem ajudá-lo a encontrar especialistas e fontes relevantes? A resposta é FollowerWonk e ferramentas semelhantes que ajudam a localizar contas sociais que contêm as palavras-chave de interesse em sua bios, posts recentes, etc. Confira a minha página de resultados de fontes no problema da poluição da Índia (acima).

7. Tweetdeck do Twitter

O bom e velho TweetDeck é uma ótima maneira de acompanhar toda a ação em seu Twitter. Mas se você está investindo na construção ou assinatura de listas direitas em torno de um determinado tema, isso pode realmente ajudá-lo a fazer menos ligações para as três citações que precisa na matéria de hoje.

Por exemplo, eu criei uma lista de empresários, investidores-chave, aceleradores, mídia, etc., sobre o hiperativo ecossistema de startups na Índia. Com frequência, fico sabendo de um grande anúncio, aquisição, mudança de pessoal ou política a partir deste fluxo. E enquanto jornalistas concorrentes fazem várias ligações a fontes de seus Rolodexes antes de encontrarem alguém disposto a falar publicamente e com diversos pontos de vista sobre o tema, eu posso escolher a dedo aqueles que já tuitaram suas reações à notícia e entrar em contato com eles diretamente.

8. E sim, Dataminr

Sempre defendi que listas sociais em torno de editorias, temas recorrentes ou mesmo temas atuais são a chave para qualquer operação de notícias. No início deste mês, liderei uma sessão no primeiro #TwitterNewsSummit na Índia sobre o uso de dados sociais para o jornalismo. As mídias sociais e gestores de engajamento de todas as redações tops do país aprenderam sobre o Dataminr, que é basicamente uma lista super vitaminada. Pessoalmente, considero essa ferramenta a mais bela de todas e já a cobri em detalhe em um post anterior.

Em resumo é um painel de descoberta que funciona como um sofisticado sistema de alertas e um motor de busca em tempo real para tuites, imagens, vídeos, testemunhas ou qualquer outro conteúdo social/dados que você precisa em torno de uma história. Por enquanto, eles são alimentados apenas pelo Twitter.

O que mais?

A sua redação usa um painel que não está listado aqui? Gostaríamos muito de aprender com sua experiência. Envie um tuite para @IJNet or @nasrhadi e fale para a gente o que perdemos.

Imagem principal sob licença CC no Flickr via vamapaull