Reportagem investiga território desconhecido entre Moçambique e África do Sul

porFiona Macleod
Apr 24, 2018 em Jornalismo investigativo

Massingir, uma área rural na fronteira entre o famoso Parque Nacional Kruger da África do Sul e Moçambique, é um desafio jornalístico. É remota, cada vez mais militarizada e pode ser perigosa, como descobriram jornalistas em reportagem para o Der Spiegel quando foram sequestrados por caçadores em 2015.

As fronteiras contestadas de Kruger são uma nova e importante investigação transnacional multimídia, que expõe uma iniciativa anti-caça bem-intencionada que se degenerou em uma implacável apropriação de terras por parte de políticos e da elite empresarial.

Nossa investigação multimídia sobre a apropriação de terras nas fronteiras começou com uma equipe de jornalismo tradicional composta de um repórter investigativo local (com anos de experiência e bons contatos na área), um fotógrafo e um cinegrafista.

A matéria visual incluiu imagens de drone das terras fronteiriças, a fim de fornecer uma visão panorâmica de áreas onde não há estradas, onde o acesso é limitado, animais selvagens podem vagar e o mato é muitas vezes impenetrável.

As fotos aéreas e os videoclipes proporcionaram novas perspectivas e insights sobre vastos trechos de terras inexploradas que podem ser difíceis de visualizar do solo e descrever em palavras.

Insights foram fornecidos por imagens de satélite, que nos ajudaram a localizar geograficamente as novas reservas de caça privadas ao longo da fronteira em um gráfico interativo.

Usando imagens de satélite do Google Earth analisadas pela Radiant.Earth e projetadas com o JuxtaposeJS, também pudemos criar um slide interativo de antes e depois mostrando locais onde os assentamentos da comunidade ocorreram ao longo dos anos para abrir caminho para as reservas de caça.

A pesquisa e análise de dados realizadas pelo Landmatrix ajudou a aperfeiçoar nossa reportagem e a construir uma ferramenta chamada Dominion que começamos a desenvolver no Laboratório da Rede Global de Editores na Cidade do Cabo em novembro de 2017.

Todos esses elementos foram reunidos em uma matéria de Shorthand intitulada “Kruger’s contested borderlands”. É uma ótima reportagem que traz uma nova luz sobre uma zona pouco reportada.

Aqui estão algumas lições que aprendemos durante o processo:

  • Há diferença entre um jornalista de drone e um operador de drone. Este último requer instrução e edição substancialmente maiores do que o primeiro.
  • Investigações transnacionais podem exigir traduções. Não assuma que o jornalista possa fornecer isso, talvez seja necessário contratar um tradutor profissional.
  • Decidir sobre o produto final de visualizações de dados desejado antes de coletar os dados acelerará o processo.
  • Shorthand é ótimo para produzir matérias multimídia, mas editores tradicionais podem relutar em apoiar o produto.

A colaboração foi produzida pelo Oxpeckers Investigative Environmental Journalism em parceria com Code for AfricaAfricanDrone e a African Network of Centres for Investigative Reporting. Financiada pelo Pulitzer Center on Crisis Reporting e a Fundação Bill e Melinda Gates, com o apoio do Centro Internacional para Jornalistas. Veja as investigações aqui.

Imagem principal cortesia do Oxpeckers Investigative Environmental Journalism

Este artigo foi publicado originalmente na página do Oxpeckers no Medium e é reproduzido na IJNet com permissão.