Quer comunicar ideas complexas para o público? Dicas para conseguir simplicidade

por Catherine Gicheru
Nov 2, 2015 em Diversos

Recentemente, participei de uma conversa com assessores de comunicação de instituições de pesquisa e um deles expressou medo de que a informação que estavam fornecendo continuamente ao público dava "dor de cabeça".

Não uma dor de cabeça, porque isso é curável, mas "sofrimento mental". O que ela estava falando e o que eu tenho tentado passar ao longo dos anos a assessores de comunicação de universidades, instituições de pesquisa, organizações das Nações Unidas e do setor privado é que eles devem ser capazes de simplificar (e isso não significa tratar com condescendência) a sua mensagem.

Os comunicadores lamentaram o fato de que o público não tinha conhecimento das descobertas muito importantes que suas organizações estavam fazendo e se perguntavam como engajar a mídia.

O que muitos "especialistas de comunicação" não conseguem perceber é que eles estão falando acima de seu público -- sejam eles jornalistas ou cidadãos -- e eles cometem o erro de igualar a simplicidade da mensagem ao emburrecimento. É realmente muito difícil conseguir simplicidade. Na verdade, este é o desafio que muitos jornalistas enfrentam todos os dias -- a tradução ou interpretação de ideias complexas a mensagens simples que as audiências não especializadas podem compreender.

Aqui estão algumas dicas para conseguir simplicidade:

Entenda o que o cidadão quer — informação ou dados

Se é informação, então os dados devem ser apresentados em um formato utilizável. É acessível aos cidadãos e intermediários de informação, como jornalistas, técnicos e outros que deve empacotá-a para o consumo público (através de texto, visualização, aplicativos, etc.)?

Humanize os dados

O que os números significam para mim e por que eu deveria me importar? Muito frequentemente as técnicas utilizadas para explicar dados -- visualizações, tabelas e mapas, etc -- não conseguem capturar a imaginação ou interesse do cidadão. É muito deprimente ler um relatório muito bem trabalhado detalhando como um estudo de intervenção ou de pesquisa teve um impacto sobre uma doença, mas não encontrar nenhuma menção de um beneficiário, vítima ou sobrevivente da doença. Um exemplo: a série de artigos Cancer Crisis publicada no Daily Nation.

Faça interativo

Os mesmos dados apresentados de forma interativa têm mais chance de provocar uma melhor reação dos cidadãos. Em vez de ser consumidores passivos de dados, os cidadãos podem fazer a sua vontade conhecida e até mesmo influenciar as políticas. Um exemplo disso é a Living Wage Calculator (Calculadora de Salário) implantada na África do Sul, onde os usuários podem calcular se estão ou não pagando seus trabalhadores domésticos um salário satisfatório.

Depois de uma breve pesquisa para determinar o que estão pagando a seus funcionários, os usuários são convidados a usar uma calculadora para determinar se o valor é justo, tendo em conta a família do trabalhador doméstico, o custo dos alimentos, moradia, transporte, educação e outros indicadores. Uma série premiada de histórias foi produzida usando os dados coletados a partir da calculadora, focando na luta dos trabalhadores domésticos para viver com salários baixos.

Faça os dados acionáveis 

Aqui é onde ocorre a colaboração entre tecnólogos e comunicadores (sejam eles do governo, setor privado ou da sociedade civil). Tornar mais fácil para o cidadão manifestar o seu apoio ou descontentamento, dar feedback e fazer pedidos incentivarão a utilização dos dados gerados pelos governos, sociedade civil e setor privado.

Alguns exemplos de ferramentas onde o nexo entre tecnólogos e comunicadores aconteceu com sucesso são: a plataforma Dodgy Doctors que permite ao usuário evitar charlatães, confirmando ou não se seus médicos estão devidamente registrados; plataformas de denúncia como AfriLeaks, que permite apresentar dicas e informações sobre questões de interesse público, e WildLeaks, que permite dicas sobre crimes florestais e faunísticos; e Change.org que permite que indivíduos ou organizações configurem petições sobre questões de interesse.

Estas não são todas as soluções para aliviar a "dor de cabeça" causada por dados mal apresentados, mas podem formar a base para uma mudança no pensamento sobre os dados e ajudar os especialistas a entender como NÃO se comunicar.

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Bill Gracey