Quatro maneiras de incluir jornalismo de dados em redações com poucos recursos

porKuang Keng Kuek Ser
Jun 8, 2015 em Jornalismo de dados

Em um post no meu blog, sugeri cinco dicas para pequenas redações começarem no jornalismo de dados. Depois, alguns jornalistas que leram meu boletim perguntaram: Pequenas publicações que ainda estão lutando para pagar suas despesas -- especialmente redações independentes em países em desenvolvimento -- podem produzir jornalismo de dados?

Creio que a resposta é sim. Esta é também a principal razão por trás dos esforços para iniciar DataN -- ajudar as pequenas redações com orçamentos limitados a criar jornalismo de dados de alta qualidade.

Aqui estão quatro dicas para que isso aconteça:

1. Treine jornalistas existentes

Contratar um experiente jornalista de dados, cientista de dados ou desenvolvedor de dados pode ser caro. Em muitos países onde o jornalismo de dados ainda é novo pode ser difícil encontrar talentos que se enquadram nos requisitos de trabalho e estão dispostos a aceitar um corte salarial para trabalhar em uma pequena sala de redação.

Com o treinamento e as ferramentas adequadas, é possível treinar seus jornalistas, programadores ou designers para se tornarem desbravadores de dados. Observe de perto cada membro da redação, você pode encontrar alguém que tem uma disposição escondida por dados e histórias criativas. Durante o treinamento sobre jornalismo de dados que dei para o Malaysiakini, o site de notícias mais visitado na Malásia, eu encontrei dois repórteres promissores dos 11 que vieram para o treinamento. Um deles tem uma licenciatura em ciência da computação e o outro é um geek de dados. Seus talentos escondidos nunca foram revelados para a redação antes.

Muitos jornalistas jovens que encontrei estavam ansiosos para experimentar novas formas de apresentar histórias, mas não receberam oportunidades suficientes, recursos e treinamento para provarem a si mesmos. Isso nos leva ao próximo ponto.

2. Use cursos online

Uma maneira muito acessível para os jornalistas ganharem novas habilidades é fazer cursos online ou Moocs (cursos online, massivos e abertos). Alguns cursos são realizados por escolas de jornalismo proeminentes ou organizações jornalísticas com sede nos EUA ou na Europa e são geralmente gratuitos ou oferecido a uma taxa mínima. Pesquise "jornalismo Mooc" no Google e você vai encontrar muitos deles. Um destes curso de jornalismo, que começou no dia 1° de junho, é "Math for Journalists Made Easy: Numbers and Statistics" (Matemática para Jornalistas) do Centro Knight para o Jornalismo da Universidade do Texas em Austin.

Cursos online permitem que jornalistas aprendam no seu próprio ritmo. Esta flexibilidade, porém, é uma faca de dois gumes. Às vezes, eu me registro para um curso online, mas não consigo alocar tempo para segui-lo. Por outro lado, eu nunca perdi uma aula presencial em meu programa de pós-graduação da NYU devido a limitações de tempo. Autodisciplina e compromisso são a chave.

Nos últimos anos, a popularidade dos cursos de jornalismo online tem crescido significativamente e os organizadores têm feito grandes esforços para melhorar a experiência do usuário e interface do usuário. As plataformas de discussão nos cursos permitem aos participantes interagirem com colegas jornalistas de todo o mundo e, mais importante, saberem mais sobre como o jornalismo é feito de forma diferente em outros lugares.

No entanto, este curso no estilo "tamanho único" não pode tratar das circunstâncias e dos problemas específicos das redações, especialmente aquelas em regiões em desenvolvimento onde os dados públicos são limitados quando não são totalmente ausentes ou são pouco fiáveis.

3. Use ferramentas de dados de código aberto

Hoje estamos experimentando uma explosão de ferramentas de jornalismo de dados gratuitas ou que adotam um modelo freemium (livre para usar funções básicas e pago por recursos premium). Algumas ferramentas gratuitas como TabulaTimelineJS e StoryMapJS são desenvolvidas por jornalistas para servir outros jornalistas e não exigem habilidades de codificação. O Google também desenvolveu um conjunto de ferramentas para os jornalistas. Google Spreadsheets são um bom ponto de partida para redações armazenarem e compartilharem conjuntos de dados.

A maioria das ferramentas de dados ou projetos de dados desenvolvidos por redações e jornalistas de dados é feitas de código aberto e compartilhada no Github, uma plataforma de partilhar códigos e serviço de publicação (tipo o Facebook para programadores). Há até uma página especial de agregação no Github para eles, embora nem todos estejam agregados lá. No entanto, um nível razoável de habilidades de codificação é necessário para instalar, personalizar e usar os códigos.

O problema enfrentado por redações que querem começar a produzir jornalismo de dados não é encontrar ferramentas de dados acessíveis, mas sim identificar ferramentas que se encaixam em suas demandas e capacidades técnicas. Aprender e experimentar com diferentes ferramentas para encontrar o melhor ajuste, mesmo que sejam gratuitos, pode ser uma tarefa frustrante e demorada. É por isso que você pode querer considerar a próxima dica.

4- Obtenha um treinador externo

la-nacion-screenshot-large

Quando bem feito, receber um consultor externo ou treinador para fornecer treinamento em jornalismo de dados para jornalistas pode salvar a redação de uma quantidade significativa de tempo e recursos. Um programa de treinamento bem projetado ou personalizado pode ajudar redações a identificar não só as habilidades de dados e ferramentas que precisam, mas os projetos de dados que podem fazer como principiantes.

O Jornal diário argentino La Nación, que é conhecido por produzir excelente jornalismo de dados em um ambiente onde dados abertos e direto de informações são altamente limitados, iniciou a sua iniciativa de jornalismo de dados com um curso introdutório de jornalismo de dados.

Você pode pensar que obter ajuda de um consultor ou treinador pode lhe custar um braço e uma perna. No entanto, várias organizações internacionais de jornalismo especializado em jornalismo investigativo e jornalismo de dados como o Global Investigative Journalism Network (GIJN)Centro Internacional para Jornalistas e a Escola de Dados organizam programas ou fornecem subsídios para estimular a inovação nas redações em diferentes partes do mundo. A Escola de Dados tem uma bolsa de estudo anual que recruta e treina especialistas de dados antes de implantá-los para prestar apoio de longo prazo em jornalismo de dados para os jornalistas em suas respectivas regiões.

Com a ajuda do Centro de Tow-Knight para o Jornalismo Empreendedor, eu também desenvolvi um pacote de formação acessível e personalizado para redações produzirem jornalismo de dados. O pacote chamado DataN é feito sob medida para redações com recursos limitados para integrarem componentes de dados em sua narrativa.

Esperamos que com essas dicas você vai achar que a barreira para produzir jornalismo de dados não é realmente alta. Então vamos começar agora!

Se você quiser compartilhar suas dicas e ideias sobre como fazer jornalismo de dados com pouco dinheiro ou discutir uma possível colaboração em treinamento em jornalismo de dados, escreva para kuangkeng@data-n.com.

Este post apareceu originalmente no DataN e é traduzido pela IJNet com permissão. 

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Nic McPhee