Por que a seção de comentários do seu site não é tão terrível quanto parece

porKyle Stokes
Jun 13, 2014 em Jornalismo digital

A reputação da seção de comentários como "um infame Velho Oeste cheio de trolls, abuso, ignorância e spam” continua firme e forte. A revista Popular Science encerrou suas seções de comentários. O Chicago Sun-Times fez o mesmo enquanto renova a seção. A Vox foi lançada sem um recurso de comentários. O Quartz e The Dish não se preocuparam com eles, também. Mesmo o YouTube está reprimindo seus comentadores, alguns dos quais ganharam a reputação de maiores agressores da Internet.

Sim, os piores comentários são cruéis e indefensáveis; sim, os piores infratores pouco acrescentam ao discurso público. "A coisa mais fácil do mundo para fazer seria extirpar a seção de comentários... por completo", Matt Thompson escreveu no blog Code Switch na NPR esta semana. "Mas no seu melhor, a nossa seção de comentários torna o nosso trabalho melhor, nosso jornalismo forte e o Code Switch mais valioso para seus usuários."

Talvez num futuro próximo nossos sites vão acabar parecendo mais com o Quartz ou Vox ou PopSci. Devemos descartar as poucas maçãs podres, é claro, mas devemos tomar cuidado para não jogar fora os bons junto com elas --porque os bons têm algo a nos ensinar. Afinal de contas, através de sua seção de comentários, você pode aprender algumas coisas:

Seu público vai comunicar suas expectativas

"Sr. Stokes?" O comentarista Mouse Rat me perguntou no blog de educação que eu escrevo, o StateImpact Indiana. "Você pode entrar em contato com qualquer um no [Ministério da Educação] para falar com você sobre o processo de tomada de decisão deles, para explicar suas ações durante essa bagunça?" Por "esta bagunça", o comentarista está se referindo a uma falha em todo o estado em testes padronizados em Indiana --uma história que impactou quase todos em nosso público-alvo. Todos eles tinham perguntas, assim como o meu parceiro de reportagem e eu. Os comentários nos ajudaram a determinar quais perguntas deveriam ser feitas em primeiro lugar.

Seu público vai escrever posts para você

"Comentários são conteúdo”, também. Fazemos curadoria dos melhores comentários em um artigo semi-regular chamado Mailbag. Às vezes a gente faz isso para agitar o ambiente. Outras vezes, fazemos para realçar o melhor de uma conversa acontecendo bem debaixo do nossos narizes.

Seu público vai ajudar você a manter um ouvido no chão

Em 2012, quem era quem na política Indiana preveu que o bem financiado candidato titular para a posição mais alta de educação do estado, superintendente da instrução pública, ia ser reeleito de lavada. Era difícil acreditar que a desafiante, Glenda Ritz, representasse qualquer ameaça eleitoral. Os nossos comentadores deixaram predominantemente mensagens pró-Ritz. Eles não eram uma amostra representativa do eleitorado. Mas os comentários preveram o que viria a ser o terremoto eleitoral de Indiana de 2012: Ritz ganhou, impulsionada pelo ativismo de algumas das mesmas pessoas que estavam ativas em nossa seção de comentários. A maior parte da rede estava acontecendo no Facebook e em pessoa, mas os nossos comentários mostraram uma janela para o seu mundo.

Seu público vai mesmo ocasionalmente prever o futuro

Com a vitória, os adversários políticos da candidata procuraram maneiras de marginalizar ou até mesmo tirar Ritz do poder. Os nossos comentadores viram isso acontecer. Na noite da eleição de Ritz, um comentarista levantou essa possibilidade em uma de nossas mensagens. O "poder legislativo poderia abolir o cargo como uma posição eleita no fim de seu primeiro mandato", essa pessoa escreveu. Nós não estamos no negócio de advinhas com bolas de cristal, mas examinar as previsões de nossos comentadores pode informar muito a nossa reportagem, porque de vez em quando, eles estão certos.

Seu público vai esclarecer a história

Depois da vitória de Ritz, analisamos como seus partidários tinham convencidos outros a votar em uma desconhecida da política. Mas uma comentadora não concordou com a nossa caracterização de como os partidários de Ritz tinham realizado a campanha - e fez pontos válidos. Não podemos ter uma discussão sobre redação, fraseado e nuance por e-mail ou redes sociais com o nosso público como podemos na seção de comentários.

Seu público vai surpreendê-lo

Por uma margem de três para um, tivemos mais comentários de pais e professores céticos quanto à direção que os legisladores estavam tomando na política de educação de Indiana; eles tendiam a apoiar Ritz. Mas os comentadores não eram absolutos em seu apoio, expressando ceticismo sobre as decisões de Ritz em processar um conselho de formuladores de políticas educacionais. "Ela é a única pessoa que vai parecer o vilão aqui", escreveu o comentarista karynb9, um forte partidário de Ritz. Seus comentários nos lembraram que nosso público, apesar de suas tendências e predileções, não é monolítico ou cegamente leal.

Este é um post de blog da terceira classe da ONA de bolsistas do MJ Bear Fellowship, três jornalistas com menos de 30 anos que estão expandindo os limites do jornalismo digital.

O bolsista Kyle Stokes é réporter de temas jovens e educação na estação associada à NPR a KPLU em Seattle. Ele passou dois anos e meio cobrindo educação para o StateImpact Indiana, uma colaboração da WFIU e a Indiana Public Broadcasting.

Imagem sob licença CC no Flickr via Ronny-André Bendiksen