Por que o 'Twittercycle' supera o ciclo tradicional de notícias

por Lindsay Kalter
Jul 2, 2012 em Redes sociais

As notícias se espalham rapidamente via TV, rádio ou online, mas não de maneira tão veloz como nas mídias sociais. O "Twittercycle" é mais rápido, hipervigilante e muitas vezes mais sutil do que o ciclo tradicional de notícias.

Um exemplo foi a aguardada decisão da Suprema Corte dos EUA sobre a atual reforma de saúde do país, chamada de Obamacare. Enquanto os veículos tradicionais mal davam a notícia, o mundo da mídia social já estava fervendo com relatos de que a CNN e a Fox News tinham se equivocado.

Ambos os canais de notícias erroneamente informaram que a lei havia sido revogada, gerando tuites depreciativos, como "Isso é histórico! A CNN acabou de dar o "Dewey Derrota Truman" (uma famosa manchete errada sobre a eleição presidencial americana de 1948) da geração Twitter". As agências Bloomberg e Associated Press postaram a notícia primeiro, com diferença de 24 segundos entre uma e a outra.

A gafe ilustra o novo ciclo de notícias na era do Twitter, caracterizado pela velocidade, complexidade e riscos inerentes. O papel crescente dos sites de redes sociais na disseminação de notícias é inquestionável, como demonstrou a Primavera Árabe.

Ainda assim, a permanência da mídia social ainda é tema de debate entre profissionais da mídia -- inclusive na IJNet -- apesar da crescente população de consumidores de notícias que contam com a capacidade de agregação do Twitter para obter informações.

Mas quando que uma nova forma de comunicação deixa de ser considerada moda para tornar-se um dispositivo indelével?

Rem Rieder, editor e vice-presidente sênior da American Journalism Review, acredita que essa mudança já aconteceu.

"Se é um modismo, é muito bem sucedido," disse à IJNet. "O Twitter se tornou uma força importante na forma como a notícia é reportada. É um ótimo sistema de alerta rápido."

Precisa ser usado com cautela, Rieder disse, uma vez que vem com novos desafios quanto à precisão e verificação. Mas quando é usado corretamente, é "verdadeiramente potente". E o mesmo pode ser dito para o Facebook, que é menos utilizado para dar notícia, mas ainda é uma ferramenta valiosa para os jornalistas. "As taxas de crescimento podem até abrandar, mas ambos parecem estar se incorporando profundamente na cultura."

Greg Linch, produtor de projetos especiais e aplicativos de notícias do Washington Post, disse que sites de redes sociais continuarão a servir como fontes dominantes de notícias, enquanto continuam a fazer parte da rotina diária do público. "Enquanto se tornam mais enraizados na forma como conduzimos nossas vidas, a distinção entre mídias sociais e outras irão desaparecer cada dia mais", Linch disse.

É isso -- nossa adaptação à mídia social como um modo de comunicação diária -- que me convence de seu poder de permanência. Nós não apenas absorvemos a notícia, mas a compartilhamos como uma maneira de construir e projetar nossas identidades no mundo cibernético. Cada notícia que distribuímos é um reflexo de nossos interesses e valores. Se a onda do Twitter e Facebook realmente passar, esse tipo de divulgação autocentrada com certeza irá encontrar um novo lar.

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Imagem: Morguefile