Por que a mídia não faz parte da conversa sobre dados abertos?

por Stephen Abbott Pugh
Sep 18, 2015 em Jornalismo de dados

No início de setembro, centenas de praticantes de dados abertos, funcionários públicos, pesquisadores, tecnólogos e especialistas em saúde, agricultura, governança e educação se reuniram na Tanzânia para a primeira Conferência da Dados Abertos na África.

Mas a mídia em grande parte estava ausente do evento, com exceção da plenária de abertura com o presidente da Tanzânia,  Dr. Jakaya Kikwete.

Por que a agenda de dados abertos internacional ainda não capturou a imaginação de muitos jornalistas? Na sua essência, o impulso para abraçar dados abertos significa o crescimento de novos negócios, agilizar o fluxo de informações, melhorar a governança e a responsabilização dos atos, salvar vidas e tecnologias inovadoras. Todos os tópicos que a mídia normalmente gosta de cobrir.

Há também um ângulo de política internacional para a agenda. No final de setembro, líderes mundiais se reunirão em Nova York para a Assembléia Geral da ONU. Você pode ter ouvido que eles vão concordar formalmente sobre as 17 metas de desenvolvimento sustentável (DPSs) que ajudarão a orientar os esforços internacionais de desenvolvimento para 2030. Mas sabia que uma Carta Internacional de Dados Abertos também será anunciada em Nova York, bem como a Parceria Global de Dados de Desenvolvimento Sustentável?

A conferência na Tanzânia mostrou a amplitude das áreas se preparando para uma onda de mudança alimentada por dados abertos. Os agricultores discutiram abordagens orientadas a dados para alterar as cadeias de valor dos seus bens; médicos imaginado maneiras mais rápidas de combater epidemias; e profissionais de desenvolvimento falaram sobre como dados abertos poderiam revolucionar a forma como planejam e entregar projetos.

Questões enormes ficam no caminho dos dados abertos para muitos países agora e onde devem estar dentro de alguns anos. Mas você pode ter uma ideia do futuro com as dezenas de experimentos mostrados -- do mapeamento da comunidade de Ramani Huria de Dar es Salaam que visa melhorar a resiliência em inundações, ao trabalho do Code for South Africa mostrando como dados abertos sobre os preços de medicamentos pode ajudar os governos a economizarem milhões ao lidarem com empresas farmacêuticas.

Tudo isso irá gerar grandes histórias para a mídia africana no futuro e a conferência teria sido uma maneira de fazer contatos e começar a contar essas histórias antes de outros.

Eu participei da conferência com minha equipe do Code for Africa, junto com três bolsistas Open Government, cujo trabalho no Gana, Ruanda e Uganda estamos apoiando nos próximos seis meses, em parceria com a Open Knowledge.

No Código para a África, nós estamos animados com as possibilidades que surgirão a partir da maior disponibilidade de dados abertos de países em toda a África. Do nosso projeto Dodgy Doctors com o jornal Star no Quênia a nossas ferramentas de SMS para as eleições GotToVote, nós mostramos como todos os tipos de informações podem ser transformados em dados acionáveis ​​que ajudam a capacitar os cidadãos, depois que os dados são liberados de PDFs, bases de dados empoeiradas ou formatos fechados. E nós estamos trabalhando com parceiros de mídia em países como o Quênia, África do Sul, Nigéria e Uganda, para ajudá-los a tirar proveito dos dados abertos em suas reportagens.

Assim, no próximo ano, espero ver mais jornalistas não só presentes na segunda Conferência de Dados Abertos da África, mas apresentando sobre as formas que eles integraram dados em suas reportagens também.. 

Imagem sob licença CC no Flickr via Valery Kenski