PesaCheck oferece orientação para construir cultura de verificação de fatos

porElyssa Pachico
May 10, 2017 em Fact-checking e verificação

Com centenas de estações de rádio e seis jornais diários, o Quênia tem um vibrante cenário midiático. Mas até 2016, não havia iniciativas de mídia dedicadas exclusivamente à checagem de fatos. Nesse ano, com a ajuda do Code for Kenya e do escritório queniano da International Budget Partnership (IBP), a bolsista Knigh do ICFJ, Catherine Gicheru, ajudou a lançar o PesaCheck.

Brincando com a palavra swahili para "dinheiro" (pesa), a iniciativa é composta de uma equipe de colegas que verificam os fatos de declarações de oficiais públicos sobre orçamentos e finanças públicas. Como explicou Gicheru, o PesaCheck monitora essas questões porque os cidadãos têm o direito de entender como o dinheiro de seus impostos é usado em orçamentos públicos. No entanto, na maioria das vezes, a mídia simplesmente divulga os números citados por políticos sem analisar se estão corretos.

"Há algumas coisas que são questões nebulosas, onde você pode dizer que é parcialmente verdade, mas é parcialmente falso também", disse Gicheru. "A verificação de fatos pode colocar essas áreas em contexto. Pode dar às pessoas uma maneira de interpretar as informações de uma maneira muito mais matizada."

O PesaCheck compartilha seus artigos com cinco grandes jornais e rádio no Quênia, além de encorajar grupos da sociedade civil a republicar conteúdo relevante.

Os leitores estão começando a se interessar: Um artigo ajudou a pressionar o Secretário de Estado do Trabalho do Quênia a divulgar informações mais detalhadas sobre a ajuda orçamentada para órfãos e crianças com deficiência, enquanto outras matérias inspiraram jornalistas cidadãos a realizarem suas próprias checagens de fato.

Fazendo a verificação do fato

Um dos desafios enfrentados por pioneiros nas checagens de fatos é a construção de um público mais amplo para seu material. O PesaCheck tentou fazer isso estabelecendo parcerias com outras organizações de mídia para republicarem seu material. Durante os primeiros dias do PesaCheck, Gicheru costumava telefonar ou enviar e-mail a parceiros de mídia cada vez que publicava um novo artigo. "Você tem que ter essas conversas até que eles entendam por que é importante", disse ela.

Ela também recomendou compartilhar artigos de verificação de fato diretamente com outros influenciadores: como repórteres ou organizações afins, como o escritório queniano do Transparência Internacional. Ao publicar matérias de nicho, o PesaCheck compartilha artigos diretamente com aqueles que se especializam nessa área, como a organização fez quando publicou artigos sobre saúde materna.

Construir uma organização eficaz de verificação de fatos também significa reconhecer que você não pode verificar tudo. Assim, ao selecionar quais questões serão abordadas, o PesaCheck prioriza as questões que têm maior interesse público, bem como aquelas que podem ser totalmente corroboradas com documentos ou dados.

O PesaCheck também se concentra mais na verificação de fatos orçamentos nacionais em vez de locais, uma vez que os escritórios do condado do Quênia ainda não disponibilizam seus documentos orçamentários online. (Graças à nova lei de liberdade de informação do país, qualquer pessoa pode agora solicitar essa informação).

Acostumando-se a checar orçamentos

A checagem de orçamentos pode parecer especialmente assustadora para os jornalistas que têm aversão à matemática, mas a primeira bolsista queniana do PesaCheck, Leo Mutuku (uma matemática e pesquisadora, que trabalhou como bolsista até fevereiro de 2017) diz que eles não devem se sentir intimidados.

"Acho que os jornalistas não precisam entrar na análise estatística louca para fazer verificação de fatos [do orçamento]", disse ela à IJNet. "Basta familiarizar-se com o ciclo do orçamento. Só de saber que este é o processo que um orçamento passa por um ano fiscal torna você cem vezes melhor no seu trabalho, em vez de apenas reportar o que as outras pessoas dizem. Dessa forma, você é capaz de discernir imediatamente se algo está errado."

Outras organizações emergentes de verificação de fatos se beneficiariam em aliar-se com tecnólogos que pudessem ajudá-los a acessar ou limpar os dados necessários para verificar completamente certas alegações, disse Mutuku.

"Nós nos deparamos com barreiras onde os dados não estão disponíveis, então eu usaria o IDP e a rede do Code for Africa para tentar obter esses dados", disse ela.

Quando em dúvida, ela acrescentou, os jornalistas devem pedir ajuda a um especialista, como um economista local.

O PesaCheck abriu um escritório na Tanzânia e planeja expandir para outros países africanos, além de aumentar sua audiência queniana. Gicheru disse acreditar que iniciativas como o PesaCheck são mais importantes do que nunca, dada a quantidade de desinformação e notícias mal reportadas disponíveis aos leitores.

"A verificação de fatos deve ser o padrão para qualquer jornalista, mas isso não significa que qualquer pessoa interessada e capaz não possa fazer isso", disse ela. "Você só precisa estar pronto para ser extremamente cuidadoso."

Catherine Gicheru é uma jornalista queniana veterana que trabalha para o Code for Kenya. Saiba mais sobre seu trabalho como bolsista Knight do ICFJ aqui.

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Oliver Tacke