O que eu aprendi como um empreendedor da Media Factory

porRodolfo A Rico
Oct 15, 2014 em Diversos

Cento e quinze times apresentaram propostas à primeira aceleradora de mídia na América Latina, a Media Factory. Depois de cinco meses de entrevista, 18 finalistas continuaram.

Somente três foram escolhidos para receber orientação de mentores e apoio financeiro do North Base Media, Nxtp.Labs, o Media Development Investment Fund e a Media Factory, com o apoio do Centro Internacional para Jornalistas. Os três times selecionados foram o Gkillcity do Equador,  Elmeme.me da Argentina e El Cambur da Venezuela, conhecido como "a mídia do centro". 

O modelo é a chave. Como jornalistas, sabemos conteúdo. Mas quando se está iniciando um empreendimento, temos que pensar na sustentabilidade do negócio também. Não é mais suficiente confiar em anúncios para sustentar um meio de comunicação. Você tem que pensar em outras opções. E tem que considerar essas opções desde o início, pois vão afetar tudo --desde a maneira de trabalhar à quantidade de conteúdo que você vai ter que produzir e como. 

Produto mínimo viável. Perfeição pode ser o inimigo. Antes de desenvolver um produto perfeito, teste o interessa pela ideia. No mundo digital, tentar é mais barato. Crie uma página de destino para sua ideia, convide as pessoas a se registrarem e saberem mais. Existe interesse pela idea? As pessoas gostam? Comentam? Então, sim, lance o projeto. 

Conversão. Não é apenas uma questão de marketing ou conhecer uma audiência. O bom jornalismo deve prestar atenção ao que os usuários fazem na Web: registrar com um e-mail, clicar em "Curtir", comentar ou compartilhar. Tudo isso é mensurável e mostra conexão com os leitores. Devem estar no DNA de um projeto de jornalismo digital. O conteúdo deve ser concebido de modo que esta conversão ocorra. 

Fracasse rapidamente. Esteja aberto a mudanças constantes. Acima de tudo, esta é uma atitude. Quando você é um profissional experiente, com ideias estabelecidas sobre as coisas, a capacidade de falhar tem que ser aprendida.

Ouça a sua audiência. Olhe o que o tráfego de sua rede diz: número de visitas, de onde os visitantes vêm, páginas de saída, artigos mais populares, etc. Olhe atentamente e responda adequadamente. 

O jornalismo funciona melhor como um trio. Não qualquer trio, mas um designer, desenvolvedor e jornalista. Isso é como fazer o melhor jornalismo digital: com um designer que sabe contar histórias visualmente, um desenvolvedor que sabe como utilizar os dados disponíveis e um jornalista que pode interpretar e ligar os fatos. 

Aprenda com os outros. Muitas vezes, os jornalistas são lobos solitários; temos as nossas fontes, nossos contatos e nossas verdades. Assim, uma das principais lições da Media Factory é aprender com os outros, com a competição, com aqueles que você deseja emular. 

Peça ajuda. Hoje, os leitores podem ser mais do que apenas leitores. Eles podem ser parceiros e participantes do projeto. Nem todas serão, mas quando você encontrar aqueles que estão dispostos a colaborar, peça por sua opinião, para corrigi-lo e buscar a verdade dos seus dados. Dois grandes exemplos:

  • La Nación na Argentina pediu ao seu público para identificar informação relevante em PDFs.

  • ProPublica nos Estados Unidos convidou seus leitores para ajudar a identificar quanto dinheiro companhias farmacêuticas gastam com médicos. E não termina aqui. Você quer continuar a crescer e ser mais relevante para o seu público e como um negócio, ao fazer o bom jornalismo ao longo do caminho. 

Quando você pedir um conselho, pode receber dinheiro. E quando você pedir dinheiro, você pode obter conselhos. (Então, nos próximos meses, vou pedir um monte de conselhos.) Ao pedir conselhos, você aprende; força você a ser um pouco mais humilde e permite que outras pessoas compreendam melhor o tamanho e o escopo do negócio que estão se mobilizando. 

Não termina aqui. Você deve continuar a crescer e se tornar mais relevante para o seu público e como um negócio, fazendo o bom jornalismo ao longo do caminho. 

Estamos trabalhando por um sonho: dar voz aos sem voz e aqueles que sonham com um país unificado, construído por todos. Essa é a missão de El Cambur, feito por quem e para quem que está cansado ​​de polarização na Venezuela.

Este artigo foi publicado originalmente no Medium e traduzido pela IJNet com permissão. Mariano Blejman, bolsista do Knight International Journalism Fellowship do ICFJ,  fundou o Media Factory com parte de seu projeto. 

Imagem cortesia de Sebastiaan ter Burg no Flickr sob licença CC