'Nossa vantagem vem de um bom conteúdo gerado por nossos usuários', diz editor

por Jessica Weiss
Jul 19, 2013 em Diversos

O Kompas, um dos maiores jornais da Indonésia, cultivou uma rede dedicada de cidadãos jornalistas que postam notícias, opinião e até mesmo obras de ficção online. Desde o seu lançamento em 2008, o site de jornalismo cidadão, chamado Kompasiana, tornou-se a maior iniciativa de mídia cidadã na Indonésia, com 200.000 colaboradores que publicam 800 artigos diariamente no Kompasiana.com.

Os membros do Kompasiana, conhecidos como "Kompasianers," incluem estudantes, médicos, ativistas, professores e muito mais. A rede ainda possui uma série de políticos e colaboradores famosos, que compartilham seus pensamentos e interagem com os leitores. Entre eles: o ex-vice-presidente da Indonésia Jusuf Kalla; a romancista Pipiet Senja e a compositora Melanie Subono.

O editor do Kompasiana, Iskandar Zulkarnaen, conversou com a IJNet sobre como o Kompasiana cultiva e gerencia a publicação de contribuições dos cidadãos.

IJNet: Qual é a ideia por trás do Kompasiana?

Iskandar Zulkarnaen: A primeira intenção na criação do Kompasiana em 2008 foi de proporcionar espaço para jornalistas do Kompas blogarem. Mas isso não funcionou muito bem. Um dia, cerca de dois meses após o seu lançamento, um dos nossos leitores deu uma ideia: e se o Kompasiana fosse um espaço para os cidadãos? Respondemos a essa ideia a sério, e em 2009 lançamos o Kompasiana como um blog social para todos.

IJNet: Quem coordena o Kompasiana para que funcione bem?

IZ: São dois postos de trabalho: moderador e editor. Os moderadores são responsáveis ​​pela triagem de artigos e propõem os artigos bons para os editores. Os editores selecionam o conteúdo e revisam e corrigem os erros tipográficos antes de promover os itens.

Temos 10 funcionários, alternando em quatro turnos todos os dias da semana. Nós trabalhamos 24 horas, sete dias por semana, verificando cada artigo publicado no Kompasiana.

IJNet: Que tipos de conteúdo os moderadores e editores buscam?

IZ: Cada dia apresentamos notícias, artigos em destaque e muito mais. E a cada semana, selecionamos cinco artigos para uma versão impressa do Kompasiana chamada Kompasiana Freez, publicada toda quarta-feira com o jornal Kompas Daily. Destacamos também artigos populares (com base em análise) como "Trending Articles" e colocamos os artigos de [maior audiência] em uma caixa especial.

Determinamos as manchetes com base na originalidade e profundidade da história. Nossa prioridade é a notícia em vez de opinião. Por exemplo, quando o terremoto atingiu o Japão há dois anos, recebemos um monte de histórias e notícias em desenvolvimento de trabalhadores e estudantes da Indonésia que estavam lá. Usuários escreveram suas histórias e as publicaram diretamente.

IJNet: Quais são alguns outros exemplos de histórias de usuários?

IZ: A romancista Pipiet Senja visitou Hong Kong e descobriu que muitos trabalhadores indonésios eram lésbicas. Mais tarde, o KOMPAS.com publicou uma matéria relacionada que se referiu à história de Senja.

O analista de inteligência Prayitno Ramelan escreveu suas opiniões sobre um acidente de avião e especulações de que um pára-quedas tinha sido usado por uma das vítimas. O KOMPAS.com, então, usou seu parecer em uma notícia.

O viajante Daniel Mashudi acidentalmente encontrou-se em uma casa pertencente a um ex-guarda presidencial, que estava vivendo na pobreza. Depois que ele escreveu sobre sua experiência no Kompasiana, o KOMPAS.com entrou em contato com ele por telefone para verificar a história e promovê-lo como matéria.

IJNet: Como as informações são verificadas?

IZ: Nós filtramos todo o conteúdo manualmente e sempre verificamos [a fonte das] informações apresentadas. O Kompasiana também tem mecanismos de verificação de relatos, por meio do qual cada usuário verifica seus relato.

O trabalho da secretária de administração é gerir um bom conteúdo e remover conteúdo que viola as regras - como pornografia, plágio, publicidade, trotes, linguagem imprópria, e assim por diante.

IJNet: Você acha que a filtragem coloca limites no conceito de "jornalismo cidadão"?

IZ: A prática de gerenciamento de conteúdo, na minha opinião, não ameaça o conceito do jornalismo cidadão. Usuários postam livremente o conteúdo no nosso blog social. Mas o Kompasiana também faz a sua parte para garantir que as pessoas que visitam possam [encontrar e] ler bons artigos.

Devido à grande diversidade de nossos colaboradores, temos que ter padrões de qualidade de conteúdo. Nossa vantagem vem do bom conteúdo gerado por nossos usuários e nossa gestão do conteúdo, o que gera leitores.

Jessica Weiss é uma jornalista com base em Buenos Aires.

Imagem sob licença CC no Flickr via Ikhlasul Amal