Mulheres jornalistas de minorias usam hashtag para compartilhar oportunidades e conselhos

porAngely Mercado
Feb 10, 2018 em Diversidade

Nas redações dos Estados Unidos, as mulheres de cor são comumente sub-representadas. Embora 40 por cento do país se identifique como parte de um grupo minoritário, as mulheres de minorias racias compõem apenas 5 por cento das publicações impressas e online tradicionais, de acordo com um informe da NPR em 2017.

Amy Gastelum, professora de jornalismo de rádio da Universidade de Indiana e produtora de "Mother: A Podcast", disse que se conscientizou sobre os problemas da diversidade na mídia quando começou a se reunir com grupos de rádio em Nova York. Ela viu quão predominantemente brancos eram e se sentia incomodada pela frequência de comentários insensíveis ao racismo dentro dessas salas de redação.

Amy também notou que muitas de suas alunas de minorias raciais não estavam interessadas em rádio pública. Ela queria que essas estudantes encontraram um ambiente de trabalho saudável. "Eu não quero enviar essas jovens mulheres para um mundo que não quer apreciá-las e pode até mesmo sufocar suas carreiras", disse Amy.

Amy teve a ideia de que uma hashtag traria essa falta de diversidade --e seu impacto sobre quais histórias são contadas-- para um público mais amplo. Ela começou a publicar a hashtag #PitchThisPerson ("Proponha esta pessoa", em tradução livre) no Twitter e enviou emails para vários listas de rádio, incentivando a fazer o mesmo.

Mulheres de cor estão usando a hashtag para chamar a atenção de editores com os quais trabalham e retuitar solicitações de pauta. Amy teve uma boa resposta até agora, dizendo que espera que mais freelancers continuem a usá-la para se conectar com editores solidários.

Você é uma mulher de cor na mídia pública? Diga com quem você gosta de trabalhar com #PitchThisPerson https://t.co/QEy2WRUVgM

"Precisamos de novas pessoas em nossas salas de redação que não tentarão recriar a mesma coisa de sempre", disse Amy, sugerindo que faltam perspectivas interessantes para as publicações quando não consideram as pautas de mulheres de cor.

Alicia Kennedy é ex-editora da Edible Manhattan e Edible Brooklyn. Ela percebeu que os sites melhoraram quando cobriram o tema comida de comunidades imigrantes e minoritárias.

"O tráfego cresceu quando publicamos artigos que foram escritos dentro das comunidades por uma mulher (ou homem) de cor que pode falar livremente sobre uma cultura que a maioria dos jornalistas brancos não conseguem", disse ela.

Ela acha que ter mais mulheres de cor como jornalistas vai ajudar as publicações que ainda são racialmente homogêneas a produzir conteúdo de qualidade superior. "Quando você sabe que pode falar com alguém que conhece profundamente uma comunidade específica, um bairro [ou] culinária, pode se sentir mais confiante sobre o que está publicando", disse ela.

Alicia também acha que ter uma hashtag como #PitchThisPerson é importante para mulheres de cor que estão construindo uma rede de contatos, como Sheila Raghavendran, ex-aluna de Amy no terceiro ano da Universidade de Indiana.

Sheila disse que a hashtag chama a atenção para outros na mídia que estão ciente do problema, o que a faz se sentir melhor sobre ser uma mulher de cor na indústria.

"Espero ver outras pessoas de cor na sala de redação, nas posições de editores e posições de destaque", disse ela, "quero fazer parte disso e continuar a criar um diálogo sobre como fazer mudanças."

Redes online como #PitchThisPerson têm sido uma fonte de apoio para freelancers de cor, como Natalie Pattillo, uma jornalista com sede em Nova York, que já contribuiu para o Vice, The Nation e Edible Manhattan. Natalie dependeu dessas redes para encontrar publicações que quisessem divulgar suas histórias centradas em mulheres.

Natalie incentivou jornalistas a usar as redes sociais com #PitchThisPerson e se juntar a grupos especificamente para mulheres de cor, como Study Hall, um coletivo independente. Fazer isso a ajudou a evitar editores que tentam mudar o significado de suas matérias ou deixam de responder depois de aceitarem publicar seu trabalho.

"Um monte de gente estendeu a mão, sugerindo editores que tratariam a matéria com cuidado, disse ela.

"Hashtags como #PitchThisPerson podem ajudar freelancers de minorias raciais a contornar editores ou publicações que são conhecidas por tratar freelancers com pouco ou nenhum respeito", disse ela. "Não somos descartáveis".

Aqui estão algumas dicas para usar #PitchThisPerson:

  • Sempre que você tem uma boa experiência com um editor (por exemplo, que está aberto a tópicos com foco em comunidades de cores) use #PitchThisPerson para que outros freelancers também possam encontrá-los.

  • Retuite chamadas para pautas ou solicitações de publicações e editores conhecidos por trabalhar com mulheres de cor.

  • Incentive jornalistas a propor tópicos relacionados com mulheres de cor e outras comunidades sub-representadas.

  • Use #PitchThisPerson para fazer conexões através da hashtag para construir uma comunidade de jornalistas e editores que apoiam as mulheres de cor na mídia.

Imagem sob licença CC no Flickr via ResoluteSupportMedia