Marca registrada do jornalista do milênio: Ir além do artigo

porDena Levitz
Jun 18, 2015 em Jornalismo digital

Enquanto as organizações de notícias estão ficando mais jovens, a forma em que estão cobrindo e transmitindo a notícia está se adaptando para atender às preferências de seus repórteres da geração do milênio.

De maneira nenhuma a convenção jornalística conhecida como "artigo" está perdendo o seu propósito como um veículo para informar sobre os últimos acontecimentos, como terremotos e eleições. Mas há outras formas de conteúdo aparecendo -- enquetes, mapas, gráficos e vídeos que vão de seis segundos a reportagens longas - que não estão apenas completando um artigo de texto; são a maneira de contar uma história.

Tomemos por exemplo, os inúmeros cartões do Vox.com, que explicam temas complexos, juntamente com quase três dezenas de diferentes formatos e ferramentas de contar histórias. Ou FOLD -- produzido pelo Media Lab do MIT, outro bastião de energia e ideias de jovens -- uma plataforma de autopublicação que permite aos usuários criar histórias narrativas com "cartões de contexto" multimídia ao lado do texto. A startup Circa "atomiza" suas histórias, permitindo que a equipe atualize os desenvolvimentos de uma notícia de forma incremental ao longo do tempo.

Com estes novos formatos jornalísticos - e, presumivelmente, mais a caminho - jornalistas do milênio precisam carregar nas mangas uma série de outros dispositivos engenhosos, além de um lide cativante.

Aqui nós listamos várias habilidades e tarefas que estão se tornando marca registrada para um nativo digital da nova escola que vai além de um artigo comum:

Faça curadoria, mas com algo a mais

As newsletters por email estão na moda. E muitas não estão apenas regurgitando eventos e assuntos de uma forma neutra e direta. Há uma pitada de humor e um pouco de liberdade editorial no tom. Em seu boletim diário, Need 2 Know, por exemplo, às vezes acrescenta um parágrafo resumindo uma notícia com um comentário rápido convenientemente escrito em itálico como se falasse com atitude. Todo mundo de repente parece que tem o humorista-jornalista Jon Stewart no teclado.

Por exemplo: Uma história recente sobre a Southwest Airlines fazendo uma promoção de 72 horas de voos domésticos por apenas US$100 veio com este comentário "Mas se você quiser toda a lata do refrigerante, tem que pagar mais US$100."

Se é possível mostrar em emojis ou GIFs, mostre

Aqui está uma ode inteira para as maneiras pelas quais GIFs estão se tornando ferramentas do jornalismo visual. Para mais inspiração, veja a cobertura da tomada de posse do novo governador da Pensilvânia, Billy Penn, contada através de emojis.

Chegue ao ponto mais cedo

Opte pelo tamanho pequeno ou esqueça.

Se não pode ser resumido a 140 caracteres tuitáveis ou, pelo menos, um parágrafo (ou toda a história, ou pelo menos uma versão de estilo "promo") é um problema. Preciso dizer mais? Provavelmente não, se alguém vai ler.

Deixe claro o aspecto compartilhável

Mais e mais sites estão sugerindo um tuite, hashtag ou componente específico para mídia social que alguém pode simplesmente copiar e colar. (E não o tipo de tuite que apenas serve de link  para o artigo ou dá o título, e sim um tuite mais humano).

Por exemplo, o Los Angeles Times começou a incluir "Share Lines" que fornece uma frase divertda que pode ser facilmente transformada em um tuite que pega o coração da história.

Deixe as fotos darem a mensagem

Isso é o que ensaios Instagram fazem, juntamente com algumas legendas bem trabalhadas. Um conjunto de fotos cativantes pode contar uma história de uma forma totalmente nova, razão pela qual sites de jornalismo como Longreads estão apresentando este novo estilo de ensaio fotográfico.

Explique de forma clara por que a notícia é importante

OZY tem uma caixa do tipo "Por que você deve se importar" acompanhando cada post.

A startup de mídia representa um site tornando claramente óbvio por que um post é necessário. Costumava ser que o "nut graf" (parágrafo de resumo) da matéria fazia esta função, incorporando o "para quê" no arco narrativo do artigo depois de deixar o lide atrair o leitor.

Transforme o artigo em uma lista ou coleção bem organizada de fatos e pontos

Não muito diferente deste post.

O Buzzfeed inegavelmente colocou no mapa os artigos de listas e este formato só tem multiplicado em popularidade como um meio para mostrar exemplos graves, chocantes ou simplesmente malucos. O âncora David Letterman de talk-show americano, famoso por suas contagens regressivas de 10 pontos, pode ter se aposentado, mas listas com certeza vão continuar a ser uma forma de comunicar.

Imagem principal captura de tela do Reddit e secundárias do Billy PennOZY