Mídia social cria uma nova rede de notícias

porJessica Weiss
May 2, 2011 em Jornalismo básico

O estrategista de mídia social da NPR, Andy Carvin, tuita na noite de domingo enquanto as notícias sobre a morte de Osama Bin Laden se espalham.

Enquanto os Tweets sobre o assassinato de Osama Bin Laden começaram a diminuir na manhã de segunda feira, Carvin dizia a um grupo de jornalistas, tecnólogos e ativistas da imprensa nos eventos do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa em Washington, que jornalistas no Twitter são os novos âncoras dos noticiários.

“Âncoras dependem dos repórteres, editores e pesquisadores, disse Carvin, e todos esses trabalhos estão sendo realizados pelos meus seguidores [no Twiter].”

Através de através de um fluxo de tweets prolífero, Carvin @acarvin, que é baseado em Washington, D.C., se tornou uma voz de liderança na revolução do Oriente Médio. Ele também esta à frente do movimento que prega que a mídia social e a tecnologia irão de fato, redefinir a maneira como a notícia é apurada e distribuída.

Carvin falou em um painel intitulado, “Mídia Social: A Nova Rede de Notícias?” junto com Oscar Morales Guevara, o criador do grupo One Million Voices against FARC em Colômbia, no Facebook; Quan Nguyen, diretor da RallyingforDemocracy.org no Vietnam; e Lauren Indvik, Editora Associada do Marketing and Media at Mashable nos Estados Unidos.

“Segurem para o alto os seus telefones”, diretor do community engagement at TBD.com e moderador da sessão disse aos ouvintes. “A tela que vocês veem em seus telefones são as luzes da liberdade de imprensa nos dias de hoje.”

Carvin não fala árabe e nem tão pouco possui um conhecimento profundo do Oriente Médio. Então, ele depende da rede de notícias composta em sua maior parte por especialistas e ativistas em cena. Desde Dezembro que ele diz que tem estado online por 16 ou 17 horas por dia, sete dias na semana– fazendo a “curadoria” de um fluxo constante de mensagens no Twitter sobre o Oriente Médio e espalhando as notícias para os seus 45.000 seguidores. (De acordo com o Twitter, ontem a noite ele contabilizou cinco horas de sono.)

Para verificar as informações, Carvin “crowdsources,” ou, coloca perguntas no Twitter. Seus seguidores o ajudaram a identificar nomes, sotaques e pontos geográficos, verificando em primeira mão episódios de breaking news.

Ele é cuidadoso antes de declarar aquilo um fato. Na noite passada quando a notícia apareceu no Twitter por volta das 10h30min da noite, horário da costa leste americana (EST, em inglês), que o líder da Al-Qaida Osama Bin Laden estava morto, Carvin tuitou sobre outros meios de comunicação, mas se recusou ele mesmo anunciar a morte até que uma fonte oficial confirmasse.

“O meu trabalho se tornou uma ligação com o público, separando o que é fato da ficção,” disse Carvin.

Os panelistas da mídia social debateram os riscos eminentes aos jornalistas em sociedades repressoras, apesar do novo ambiente midiático.

“A tecnologia está avançando rapidamente nos dois lados – o bom e o ruim”, disse Guevara.

Guevara chamou para um conjunto mais amplo de regras básicas para ativistas virtuais que seriam retiradas da sabedoria popular de ativistas e blogueiros em todo o mundo.

“Por exemplo, deveria ser sabedoria popular como desabilitar a sua localização geográfica no Twitter”, disse ele.

Nguyen falou sobre a expansão do “descrédito do Twitter” no Vietnam, em parte por causa do ambiente repressivo. Mas, apesar dos perigos, disse ele, “nós temos que continuar assumindo os riscos e aceitando os sacrifícios.”

Quando perguntado sobre proteção às fontes, Carvin disse que não “segue” todos os seus informantes no Twitter, e que ao invés disso, mantém seus nomes em sua cabeça e os contacta quando necessário.

Além disso, Carvin não disse como protege suas fontes na mídia social.

“Direi-lhes em cinco anos,” disse ele.

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) organiza as comemorações pelo Dia Mundial da Liberdade de Imprensa para celebrar os princípios fundamentais da liberdade de imprensa; defender a imprensa dos ataques à sua independência e pagar tributo aos jornalistas que perderam suas vidas no cumprimento do dever. Para maiores informações sobre a conferência global de 2011 do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa em Washington, D.C., acesse www.wpfd2011.org (em inglês).