Líderes da mídia paquistanesa fazem lista de recomendações de segurança para jornalistas

porSherry Ricchiardi
Dec 16, 2015 em Segurança do jornalista

No início de novembro, 20 líderes da mídia paquistanesa se reuniram para discutir questões de segurança em um dos países mais perigosos do mundo para jornalistas. No final do workshop de três dias em Lahore, eles criaram uma lista de diretrizes que pode ajudar a salvar vidas.

Quando eles se encontraram para a primeira sessão, receberam uma constatação desagradável de sua importância.

Três dias antes, um homem armado em uma moto atirou e matou Zaman Mehsud, um repórter do jornal urdu Daily Umet e da agência de notícias SANA. Mehsud também foi presidente do Sindicato dos Jornalistas Tribais do Waziristão do Sul e coordenador do distrito para a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão.

"Nós o matamos porque ele estava escrevendo contra nós", disse à Reuters o comandante do Taliban Qari Saif Ullah Saif. "Nós temos alguns outros jornalistas na nossa lista de alvos na região, em breve vai ser eles."

Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras, 67 jornalistas e profissionais de mídia foram mortos no Paquistão entre janeiro de 2002 e 2014. Mais cinco foram mortos este ano.

Antes da oficina em Lahore, os participantes responderam uma pesquisa sobre hábitos de segurança em suas redações. Embora há uma preocupação constante por parte dos chefes de mídia sobre questões de segurança, a maioria das operações de notícias não tem diretrizes em vigor. Os participantes da oficina foram incentivados a fazer a segurança uma parte da política de redação apoiada pela alta gestão.

O workshop foi realizado "off the record" para incentivar a colaboração entre os jornalistas participantes.

Muitos dos líderes de notícias falaram de ameaças e ataques contra as suas organizações de notícias e sua equipe pelo Taleban e outros extremistas.

"Às vezes nos sentimos impotentes", um editor de jornal explicou. "Nossos jornalistas são vulneráveis ​​em muitas frentes, mas eles continuam a fazer o seu trabalho. Temos que prestar mais atenção à sua segurança física e saúde mental. Isso não é fácil para eles."

Inspirando-se em recursos de grupos de apoio ao jornalismo, como o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), o International News Safety Institute e o Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, em inglês), os líderes da mídia elaboraram diretrizes de segurança que podem servir como um modelo para os jornalistas em todo o Paquistão. Estratégias mais importantes para aqueles que cobrem conflitos internos e violência incluem:

  • A equipe no campo deve ter contatos designados dentro da redação e reportar aos contatos periodicamente. O grupo conversou sobre o uso de aplicativos de telefonia móvel, como o Reporta, criado pela  International Women’s Media Foundation, para conectar repórteres e editores.
  • Os editores devem fornecer briefings de segurança para a equipe antes de enviar os jornalistas para reportagens de risco. Um gerente de redação sugeriu utilizar a experiência de outros jornalistas paquistaneses para ajudar a mapear os procedimentos de segurança. Balochistan e certas áreas tribais são particularmente hostis a jornalistas, por exemplo.
  • Todos os jornalistas devem se submeter a um treinamento obrigatório em primeiros socorros e levar kits de primeiros socorros no campo. Um representante da Cruz Vermelha do Paquistão se reuniu com o grupo e se ofereceu para providenciar instruções de primeiros socorros em suas redações.
  • Operações de notícias devem oferecer treinamento em habilidades de negociação e orientações de comportamento para quando agentes estatais, como as agências de inteligência ou agentes de segurança, confrontam os jornalistas.
  • Os jornalistas devem carregar rotineiramente informações de contato da polícia, hospitais, funcionários do governo e pessoal da redação quando em zonas de conflito.
  • Os jornalistas são aconselhados a usar sempre um crachá de imprensa, vestir-se apropriadamente e abster-se de provocar grupos ou indivíduos. Em resumo: não seja agressivo.
  • Jornalistas são encorajados a planejar com antecedência as estratégias de saída e rotas de segurança quando cobrem explosões de bombas, protestos ou outras situações potencialmente violentas.
  • Repórteres devem ser encorajados a ter os seus assuntos, como seguro médico e de vida, em ordem. Durante o workshop, os participantes receberam cópias de documentos de avaliação de risco do Rory Peck Trust para ajudá-los a elaborar planos de comunicação e outras estratégias para salvar vidas.

O grupo concordou por unanimidade que as equipes de reportagem devem ser orientadas por seus chefes para manter uma distância segura do perigo e não deixar que a concorrência as coloque em perigo. Eles concordaram com a máxima: "Cubra a história. Não se torne ela. Não vale a pena morrer por nenhuma história."

A reunião de novembro, um esforço colaborativo entre o ICFJ e Universidade Punjab, foi patrocinada pelo Departamento de Estado dos EUA. Sherry Ricchiardi foi treinadora de liderança para a "Oficina de Líderes da Mídia de Notícias: Cobrindo Conflitos e Segurança dos Jornalistas", em Lahore, no Paquistão.​

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Nandakumar Subramaniam