Jornalistas, programadores e advogados colaboram para liberar dados do governo

porJessica Weiss
Dec 18, 2013 em Jornalismo colaborativo

Não é todo dia que advogados trabalham juntos com jornalistas, programadores e designers para resolver um problema.

Mas, em agosto, advogados da Asociación Civil por la Igualdad y la Justicia (ACIJ), uma ONG argentina dedicada a apoiar grupos desfavorecidos e fortalecer a democracia no país, veio à Media Party do Hacks/Hackers em Buenos Aires procurando ajuda. Eles queriam dar uma olhada mais de perto em dados que estavam presos em PDFs. Mas os dados --milhares de depoimentos de funcionários do poder executivo do governo da cidade de Buenos Aires-- foram salvos como imagens, tornando difícil classificar ou procurar padrões nas informações.

A Media Party, um evento de três dias para "reinventar a mídia", foi o lugar perfeito para advogados encontrarem e aprenderem com jornalistas de dados e outros especialistas. O evento reuniu gente de uma série de áreas de todo o mundo para fazer uso de software livre, cultura colaborativa, dados abertos, inovação nos meios de comunicação, transparência e a criação de padrões abertos. Este ano, os tema centrais foram governo aberto e o uso e abuso de dados públicos. O jornalista de dados Mariano Blejman organizou o evento como parte de sua bolsa do ICFJ Knight International Journalism Fellowship.

Na hackatonna do evento, Juan Ortiz, gerente de nova tecnologia e coordenador do Projeto Justiça, rapidamente ligou-se a cinco voluntários, incluindo jornalistas, funcionários de ONGs e programadores. Entre eles estavam o tecnólogo de governo aberto Waldo Jaquith e o programador e bolsista do Knight- Mozilla OpenNews Fellowship Manuel Aristarán, ambos especialistas em abrir PDFs. Aristarán é o criador da Tabula, uma ferramenta de código aberto para a extração de tabelas de arquivos PDF. Mais tarde, eles trouxeram o jornalista Gustavo Ajzenman para a equipe. O grupo explorou uma série de ideias, finalmente escolhendo uma sugestão de Ajzenman: fazer crowdsource para a abertura dos depoimentos. Através de uma plataforma personalizada, cidadãos poderão ajudar a ACIJ a extrair dados significativos de cada PDF e preencher uma planilha aberta estruturada.

Hoje, Ajzenman está trabalhando com a equipe da ACIJ para desenvolver um protótipo para a análise de crowdsourcing das declarações com base em crowdata, outra ferramenta criada por Aristarán. A criação de um modelo especificamente destinado a envolver os cidadãos é uma nova abordagem para a ONG. Quando a plataforma estiver instalado e funcionando, será a primeira vez que a organização vai compartilhar tarefas essenciais com o público.

"Foi muita sorte poder ter encontrado essas pessoas na hackatona", disse Ortiz. "Não teríamos nos conhecido de outra forma, porque somos uma organização composta principalmente de advogados."

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Jessica Weiss, ex-editora-chefe da IJNet, é uma jornalista americana com base m Buenos Aires.

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Imagem por Ramiro Chanes, cortesia do HHBA.