Jornalistas e empreendedores de mídia demonstram novas ferramentas no Hacks/Hackers Connect

por Jenny Manrique
Feb 2, 2016 em Jornalismo digital

Mais de 100 participantes viveram uma experiência de startup intensiva no último fim de semana em San Francisco. Hack/Hackers Connect, o primeiro evento de seu tipo nos EUA, reuniu empreendedores de mídia com repórteres, editores, designers e desenvolvedores para desenhar o futuro do jornalismo e conteúdo.

Na sede da Runway Incubator, os participantes se juntaram para repensar os modelos de experiência do usuário e negócio da mídia.

"O jornalismo precisa pensar mais sobre o produto como uma experiência com a qual os usuários interagem do que apenas o simples ato de escrever matéria", disse Burt Herman, ex-chefe de redação da AP que cofundou Storify e Hacks/Hackers. "Precisamos avançar além de ter um sistema de gerenciamento de conteúdo para distribuir conteúdo para plataformas de construção (como Facebook e Snapchat) onde as pessoas podem realmente fazer coisas em torno das histórias que se importam."

Herman recomendou jornalistas a experimentarem com diferentes maneiras de "monetizar seus produtos", porque a inovação não é "fazer as pessoas que costumavam pagar por um jornal pagar pelo conteúdo em uma página da web", mas em vez disso "pagar por conteúdo muito original, exclusivo, que seja mais envolvente."

De acordo com Phillip Smith, produtor do Conecte, repórteres e editores devem aprender com startups e usar o modelo enxuto "para construir produtos digitais como startups fazem: rápido e barato."

"Startups não têm medo de falhar", disse Smith. "As organizações de notícias devem tentar resolver os problemas que conhecem bem, pois têm uma perspectiva única sobre as informações que as pessoas usam para tomar decisões sobre suas vidas."

Durante o evento, equipes trabalharam em ideias de colaboração, enquanto as empresas grandes e pequenas mostraram demos de seus produtos. Aqui está um panorama de algumas das ferramentas:

Metta

As maneiras pelas quais a tecnologia de realidade virtual está mudando o jeito como entendemos o mundo inspirou  Ceci Mourkogiannis a fundar Metta, uma plataforma para descobrir e compartilhar eventos em realidade virtual. Para promover a criação de conteúdo, a empresa empresta um número limitado de câmeras Ricoh Theta para iniciantes em vídeo em 360 graus. Quem já está produzindo conteúdo em realidade virtual pode enviar suas histórias na plataforma, onde os espectadores podem procurá-las em um mapa global virtual.

Sqoop

Projetado para os repórteres de negócios, Sqoop é um banco de dados pesquisável para encontrar informações sobre empresas contidas nos registros públicos da Securities and Exchange Commission (SEC) e os tribunais federais americanos.

"Os jornalistas podem encontrar informações como compensações dos CEOs ou vendas de ações que, na linguagem SEC, são apenas números e códigos", explicou Bill Hankes, fundador e CEO do projeto. A plataforma fornece um serviço de alerta de e-mail que informa o repórter quando novos registros correspondem a seus temas de interesse. "Nós extraímos metadados de exposições que são impossíveis de se obter a partir dos registros da SEC", acrescentou Hankes.

Discors News

Discors News é um app que traz múltiplas perspectivas sobre notícias nacionais e internacionais, de acordo com os interesses dos usuários. A equipe editorial trabalha com as melhores publicações e agências de notícias para incluir vídeo, textos e gráficos sobre temas específicos, bem como percepções e comentários de especialistas e principais publicações.

"Nosso conteúdo é premium e todo interativo", disse Basil Enan, fundador e CEO. "As pessoas que estão seguindo ativamente uma história recebem atualizações e podem seguir os seus redatores favoritos também". O aplicativo tem uma versão freemium e cobra US$50 por ano pelo conteúdo exclusivo.

Lighthaus

Originalmente concebido como um projeto para o Hospital Infantil de Stanford, Lighthaus é uma plataforma que cria storytelling interativo 3-D em torno de questões de saúde. A empresa utiliza gráficos interativos e animações para explicar conceitos complicados, por exemplo, "como o coração, o cérebro ou as células humanas funcionam", explicou David Sarno, um dos seus fundadores. O porttólio do Lighthaus inclui uma imersão em uma cirurgia cardíaca.

"Embora este seja um produto caro para fazer, pois precisamos contratar artistas e desenvolvedores, isso vai fazer parte do cenário da mídia, tão logo que algumas matérias possam se beneficiar de uma experiência visual e sensorial melhor do que de textos explicativos", disse Sarno.

Verified Pixel

Já em fase de testes beta em algumas redações, o Verified Pixel Project visa ajudar os jornalistas a verificarem fotos antes de publicá-las, "reconstruindo a confiança em organizações de notícias", disse Samaruddin Stewart, líder do projeto. O serviço verifica as imagens através de metadados e compressão JPEG, fornecendo informações importantes, como quando e onde a foto foi tirada, qual câmera foi utilizada e em que configurações.

"Nós unificamos outros testes de verificação de imagem existente em um fluxo de trabalho automatizado", acrescentou Stewart.

Quietly

Como muitas marcas se tornam empresas de mídia, produtos para a criação de conteúdo editorial também estão em demanda. Sean Tyson disse que cofundou Quietly para ajudar as empresas a "compreender que tipo de conteúdo devem criar, onde devem colocá-lo e por quê". A equipe editorial fornece ideias e dados para storytelling. Apesar de Tyson ter observado que esse não é um produto concebido para jornalistas, sua plataforma conecta escritores com publishers de acordo com áreas de especialização e ajuda na proposta de pautas e processo de pagamento.

Imagem principal de Phillip Smith e secundária de Ceci Mourkogiannis por Jenny Manrique