Jornalista mexicana sugere estratégias de sobrevivência para jornais impressos

porMonica Saba
Dec 21, 2008 em Jornalismo básico

Uma participante do IJE disse que os jornais vão sobreviver se praticam o jornalismo comunitário e produzem um jornalismo preciso, bem feito, atraente e nas duas plataformas.

Em outubro de 2007, a jornalista mexicana Evangelina Hernández Duarte pensava sobre o objetivo de se aproximar às comunidades com a idéia de que a força do jornalismo impresso estava em fazer parte da vida cotidiana do leitor. Um ano depois, não só estava convencida dessa visão, mas também de que o jornal impresso irá sobreviver se observar o impacto dos grandes acontecimentos nas pessoas. Se faz jornalismo comunitário.

Hernández, co-editora da seção cidade do jornal El Universal do México, participou do programa Intercâmbio Internacional de Jornalismo (IJE, em inglês) do Centro Internacional para Jornalistas, que lhe possibilitou um encontro com o jornal Rocky Mountain News em Denver, Colorado. Lá pôde observar de perto e na prática como se as notas foram desenvolvidas com toques comunitários na sala de redação do jornal.

"Meu encontro com o Rocky Mountain News gerou muitas idéias que venho desenvolvendo este ano no México", disse Hernández. "Como colaborei com os jornalistas que faziam as reportagens, aprendi muitíssimo, sobretudo aprendi a escutar as pessoas".

Na volta ao México e seu trabalho no El Universal, Hernández levava muitos projetos em sua mente. Um fato noticioso que acontecia na Cidade do México lhe deu a oportunidade de demonstrar suas idéias com claridade. Tratava-se do Trem Suburbano que fazia notícia na capital porque estava dividindo colônias na área, "como se estivesse construído uma fronteira e dificultando o trânsito das pessoas".

Hernández e sua equipe decidiram varrer as colônias no Estado do México e Distrito Federal para escutar os vizinhos, fazendo um trabalho muito amplo sobre os prós e contras de um transporte necessário para uma zona metropolitana.

Descobriram que não havia oposição da população ao desenvolvimento das vias, mas que o projeto estava mal planejado, e assim afetava diretamente os habitantes da área.

"Depois da reportagem vimos um desenvolvimento positivo inclusive da parte dos empresários que tinham a concessão", dise Hernández. "Fizemos o primeiro exercício de escutar as pessoas de por o rosto da gente no jornal".

Durante o programa IJE, Hernández se interessou também em observar como os editores lidavam com a pressão editorial do dia-a-dia e ao mesmo tempo produziam reportagens especiais para cada semana.

Observou que os fatos que geram notícia também podem se converter em histórias fascinantes. Por exemplo, agora a crise econômica é notícia e o Dow Jones Index ocupa as primeiras páginas dos jornais, mas isso não atende às necessidades dos leitores, segundo Hernández.

"Como no México as pessoas ainda vão aos mercados, que são uma espécie de estabelecimentos; nossa tarefa foi ver como a crise afetou a senhora que tem US$10, que só serve para comprar algumas verduras. E o preço do tomate aqui torna-se um indicador de que a economia não está bem ... Nós colocamos as faces da crise do cidadão comum, não o secretário de finanças, ou o empresário que perdeu na bolsa ", disse.

Sua estratégia para lidar com a agenda editorial é recorrer ao site do El Universal, que é um dos mais consultados nacionalmente, disse Hernández, que decidiu iniciar um fórum sobre um acidente que aconteceu no metrô do México há 33 anos. O fórum teve 30 mil visitas. "A única coisa a fazer foi torná-lo atraente. Desenvolvemos este projeto de acordo com o que as pessoas iam nos dizendo e o apresentamos de maneira ampla no impresso e mais amplo na Internet, com audiogalerias, áudios e testemunhos".

Hernández atualmente quer cobrir as duas plataformas, impressa e digital, como editora de trabalhos especiais, uma proposta que lançou ao seu diretor.

Há duas coisas que coincidem continuamente em suas entrevistas com o povo e que a levam a concluir que "o impresso não vai morrer se oferece notas especiais aos leitores e se mantém junto à audiência com um jornalismo preciso, bem feito, atraente e em duas plataformas".

Seus próximos projetos são a criação de um blog sobre a mulher mexicana da cidade e retomar o compromisso social que faz parte do El Universal.

No México atualmente há um grande problema de insegurança gerado pelo narcotráfico, que causou 4.000 mortes nesse ano, sendo sua maioria de menores de 40 anos. Para tratar desse problema, diferentes setores da sociedade firmaram um acordo de promover a cultura da legalidade e prevenção.

"Estou fazendo uma campanha de prevenção que se chama ‘Mais vale prevenir que...' Entrevistamos jovens que se recuperaram das drogas, pessoas que estão na prisão e mulheres que cometeram delitos como ajudar em seqüestros. Para promover a cultura da legalidade, estamos entrevistando jovenes bem-sucedidos, que sem ter recursos alcançaram uma profissão. E assim mostramos os rostos do exemplo".

Ela definiu jornalismo comunitário como a recuperação de um pedaço da história e "isso fascina a gente".

O Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, em inglês) cada ano administra a participação de editores no programa de Intercâmbio Internacional de Jornalismo. Editores de 10 a 12 países viajam aos Unidos para assistir a seminários, oficinas e visitar publicações importantes como Los Angeles Times, The Washington Post, The Houston Chronicle, Science Magazine, e The Detroit News,entre outros.

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