Jornalista do mês: Shahram Haq

porSam Berkhead
Jan 31, 2016 em Jornalista do mês

A cada mês, a IJNet apresenta um jornalista internacional que exemplifica a profissão e usa o site para promover sua carreira. Se você gostaria de ser apresentado, envie um e-mail com uma curta biografia e um parágrafo sobre como usa os recursos da IJNet, aqui.

Como repórter com foco em comércio, Shahram Haq geralmente cobre negócios, finanças e economia para o jornal Express Tribune. Mas cobrir esses tópicos é muito menos chato -- e muito mais desafiador -- do que se poderia esperar, disse o jornalista com base em Lahore, no Paquistão.

"Tudo o que acontece na terra é na verdade um negócio", explicou. "É uma editoria enorme e os repórteres devem, pelo menos, conhecer a estrutura econômica de seu país, província ou qualquer corporação que estão cobrindo."

Haq descobriu isso durante uma de suas primeiras matérias de investigação, em que examinou problemas na Pakistan International Airlines (PIA). Ele adquiriu dados sobre os aviões, bem como informações sobre a má gestão da companhia aérea em geral. Mas ao entrevistar funcionários e empregados da PIA, ele percebeu que cada pessoa contradizia a outra.

"Cada pessoa estava me contando uma história diferente, e essa história normalmente indicava um outro canal de corrupção dentro da organização", disse ele. "Muitas vezes, eu achei que não conseguiria terminar essa matéria, mas eu tinha que fazer."

Após cerca de um mês de reportagem adicional e escavação de dados, Haq finalmente publicou a matéria, que "teve uma excelente resposta."

Mais recentemente, Haq reportou sobre a crescente crise de água no Paquistão, uma matéria que lança luz sobre uma das questões mais negligenciadas no país. Ele falou conosco sobre a investigação dessa história e ofereceu conselhos para aspirantes a repórteres de comércio:

Sua matéria sobre a falta de uma estratégia de água e energia hidrelétrica do Paquistão foi impressionante por seu grande alcance. O que o levou a esta história? Como a reportagem foi feita?

Esta é a questão mais crítica e sensível para o Paquistão, e a maioria dos cidadãos não sabe a sua importância. A escassez de água está deixando os rios do Paquistão sem água suficiente pela maior parte do ano, exceto na estação das monções, o que muitas vezes resulta em enchentes.

Este artigo foi criado para educar as pessoas comuns sobre como o Paquistão está perdendo terreno tanto na agricultura, como na obtenção de eletricidade mais barata para superar sua crise de energia, gestão de inundações, etc. Tudo isso é devido à falta de empenho de nossos ​​políticos, resultando na perda de bilhões de dólares da economia.

A pessoa que entrevistei passou a vida nos setores de água e energia, propondo estratégias para os governos políticos e militares para encontrar soluções para o problema da água. Minha sessão com essa pessoa foi intensa. Eu tive que ler um monte de coisas antes e depois de entrevistar essa pessoa para completar o artigo.

Essa história é apenas uma matéria, e eu estou ansioso para começar uma série de artigos sobre as questões da água até os nossos políticos proporem uma melhor solução para esta crise iminente.

Você também participou de um treinamento da agência Thomson Reuters sobre redação financeira e notícias de negócios em Londres, que ficou sabendo através da seção de oportunidades da IJNet. Que lições aprendeu com o curso que o ajudam hoje?

Essa foi uma experiência maravilhosa, viajar e aprender com experientes correspondentes econômicos da Reuters. A principal lição que aprendi foi que a editoria de comércio não é realmente tão chata; o que torna esta editoria interessante é a sua diversidade.

Estou agora em uma posição melhor para entender e escrever artigos em um contexto global. Temas como políticas fiscais e monetárias, como escrever sobre empresas e notícias do mercado financeiro são agora muito mais fáceis para mim. A visita de campo para o London Metal Exchange e uma conferência ao vivo com o porta-voz da Organização Mundial do Comércio foram oportunidades únicas na minha vida.

Em um curto espaço, o curso me ensinou sobre como as moedas flutuam, o que impulsiona os mercados de commodities -- especialmente petróleo e ouro -- e como são interligados, mídia social, fontes e como lidar com rumores. Esse treinamento foi uma espécie de um pacote completo; minha reportagem está melhor por utilizar esse conhecimento.

Que conselhos daria a colegas jornalistas?

Jornalismo não é um trabalho; é um estilo de vida. Se você precisa de um emprego estável de oito horas, este campo não é para você. É uma espécie de trabalho de 24 horas. Você tem que ser flexível e disponível durante todo o dia, especialmente se é um repórter de campo. Estamos em uma era digital; temos de adotar ferramentas modernas de jornalismo para fazer um nome para nós mesmos. Este campo é realmente difícil, mas ele tem seu charme próprio.

Você tem que ler diariamente; essa leitura não deve ser limitada aos jornais. Leia livros sobre a sua editoria; leia sobre história, atualidades, religião e outros temas de seu interesse, começando com a sua cidade, estado ou país. Depois de conseguir um bom conhecimento sobre as dimensões do seu país, nada pode impedi-lo de ganhar conhecimento global, e essa é a chave para o sucesso de um jornalista.

Esta entrevista foi resumida e editada.

Imagem principal cortesia de Shahram Haq