Jornalista do mês: Sarah Peter

porSam Berkhead
Mar 24, 2016 em Jornalista do mês

A cada mês, a IJNet apresenta um jornalista internacional que exemplifica a profissão e usa o site para promover sua carreira. Se você gostaria de ser apresentado, envie um e-mail com uma curta biografia e um parágrafo sobre como usa os recursos da IJNet, aqui.

A jornalista do mês Sarah Peter recorda o desejo de seguir uma carreira no jornalismo desde criança.

"Eu inicialmente busquei o jornalismo por causa do meu amor por comunicação -- mas com o desenvolvimento dessa relação, o meu objetivo foi ficando mais significativo", disse ela. "Eu queria seguir uma carreira no jornalismo por causa da minha vocação de fazer uma diferença profunda. Eu queria fazer a minha parte em trazer mudanças positivas para o mundo, expondo a corrupção, exigindo a prestação de contas e capacitando [o público] com histórias de esperança, impacto e perseverança."

Com base na ilha caribenha de Santa Lucia, Sarah buscou treinamentos e bolsas de estudo em todo o mundo, incluindo uma bolsa de jornalismo das Nações Unidas em 2012. Em 2013, ela recebeu uma bolsa de estudos da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, em espanhol), o que lhe permitiu estudar relações internacionais na Universidade de Columbia. Mais recentemente, Sarah viajou para Paris como bolsista do Climate Change Parceria dos Media (CCMP) para reportar sobre as negociações climáticas do COP21 em dezembro.

Falamos com Sarah sobre as muitas lições que ela aprendeu ao longo de sua carreira e como ela trabalha para traduzir histórias globais para o seu público local:

IJNet: O que o seu trabalho como vice-editora de notícias na DBS TV em Santa Lucia lhe ensinou?

Sarah:  Trabalhar na DBS me ajudou a descobrir minhas habilidades de reportagem internacional -- ironicamente em um ambiente local --, fornecendo uma plataforma para mostrar como as notícias que acontecem a quilômetros de distância se conectam com um público local através de um segmento curto de notícias chamado "Global Forum". A iniciativa que criei é a primeira desse tipo no meu país; uma plataforma especificamente dedicada a mostrar a relação entre histórias globais e locais.

Conte-nos sobre uma história desafiadora ou projeto que realizou durante a sua carreira. Por que foi um desafio? Como você superou o desafio?

Um dos meus projetos mais desafiadores foi a produção da minha série de documentários de televisão, "Off Limits". Eu sempre quis fazer um programa de TV, mas faltava patrocínio, equipamentos ou recursos pessoais para fazê-lo. Nem conseguia encontrar o apoio de estações de televisão. Eu decidi tomar a iniciativa inteiramente por conta própria. Foi extremamente difícil conseguir patrocínio para o projeto -- na verdade parecia impossível. Depois de ter meu projeto rejeitado várias vezez, fiquei arrasada. No entanto, eu fiz um 'não' virar um 'sim' e usei como um trampolim e aprendizado. Eu reajustei a minha abordagem e finalmente fui capaz de superar. Eu também fui capaz de convencer um amigo meu a trabalhar comigo como cinegrafista e editor e finalmente convenci uma emissora de TV a transmitir o programa. Então, todo o meu trabalho duro valeu a pena.

Como a IJNet ajudou na sua carreira?

Algumas das oportunidades que mudaram minha vida eu consegui com informações da IJNet. Oportunidades como a bolsa da SIP, e também a oportunidade de oficina na Reuters, em Miami, começaram comigo visitando o site e clicando em um link que levou a grandes coisas. A bolsa da ONU também foi destaque neste site. O website realmente forneceu uma porta para incríveis experiências que ajudaram a moldar positivamente uma jornalista mais forte, mais impactante. Eu acredito que o site é um pré-requisito para o jornalista que é apaixonado em desenvolver seu ofício. Tem uma riqueza de informações para educar, edificar e melhorar o trabalho dos jornalistas.

Que lições você aprendeu como bolsista de jornalismo na ONU?

A bolsa da ONU foi uma epifania para mim. Alimentou um desejo ardente de reportagem internacional, criando uma compreensão profunda da ONU, questões internacionais e ampliando minha perspectiva do mundo. Também me ajudou a realmente descobrir meus pontos fortes, aptidões e habilidades não só como jornalista, mas como uma pessoa, ajudando-me a entender que tudo é possível. Além disso, forneceu uma plataforma para eu ser uma embaixadora do meu país e toda a região do Caribe.

Você também cobriu as negociações climáticas recentes em Paris como bolsista CCMP. Como foi essa experiência? Como você acha que essa bolsa vai ajudá-la a traduzir histórias globais para o público local de Santa Lucia? 

Essa foi uma experiência realmente maravilhosa! Isso me deu a oportunidade de conhecer jornalistas de todo o mundo com quem eu tenho muito o que aprender. Ampliou minha perspectiva e solidificou minha paixão por questões de mudança climática.

Em termos da bolsa me ajudar a traduzir questões globais para um público local, mostrou que essencialmente as questões são as mesmas. A bolsa CCMP ajudou a solidificar isso. Assim, com esse conhecimento, pude enfrentar com mais confiança as questões que eu tenho coberto há anos, basicamente. Enquanto eu sempre fui interessada em cobrir questões de mudança climática, a experiência criou uma paixão mais profunda por elas e ampliou minha perspectiva sobre o assunto.

Imagem cortesia de Sarah Peter