Jornalista do Mês: Pramila Krishnan

porJessica Weiss
Feb 17, 2015 em Jornalista do mês

A cada mês, a IJNet apresenta um jornalista internacional que exemplifica a profissão e usa o site para promover sua carreira. Se você gostaria de ser apresentado, envie um e-mail com uma curta biografia e um parágrafo sobre como usa os recursos da IJNet, aqui.

Este mês apresentamos Pramila Krishnan, 28 anos, correspondente do News7Tamil no estado de Tamil Nadu, na Índia. Antes ela trabalhou no Deccan Chronicle, um jornal diário em inglês. Sua especialidade é questões que envolvem o meio ambiente, mulheres e crianças, direitos dos deficientes, educação e capacitação de comunidades rurais. Em 2013, ela participou do workshop da DW Akademie sobre reportagem ambiental em Chennai, que ela ficou sabendo através da IJNet. Ela foi escolhida pela DW para participar da Conferêndia da ONU sobre o Clima em Varsóvia

IJNet: Conte-nos um pouco sobre suas reportagens e uma história favorita em que trabalhou.

Pramila Krishnan: Eu viajo em meu estado no sul da Índia, Tamil Nadu, para escrever sobre questões sociais. Esta é a minha especialidade: porque eu acredito que a mídia é uma ferramenta para trazer mudança na sociedade. Eu acredito fortemente que um repórter é um fazedor de mudanças.

Em 2010, fiz uma investigação sobre a prática de famílias matarem seus próprios idosos no distrito de Virudhunagar - uma espécie de assassinato de misericórdia. Esta é uma antiga tradição em que as crianças crescidas realizam um ritual que envolve dar a idosos doentes um banho de óleo e alimentá-los com água de coco para induzir febre alta e matá-los.

Eu aprendi sobre a morte de idosos através de organizações de voluntariado. Visitei aldeias e fiquei lá por algum tempo para saber sobre o assunto em detalhe. Apresentei-me como pesquisadora e interagi com várias famílias para conhecer as questões ligadas aos assassinatos. Você pode ver as matérias impressas no meu blog.

IJNet: Pode nos contar mais sobre sua experiência de "submersão" na reportagem?

PK: A fim de comprovar a prática tradicional de assassinar crianças pelos pais, fui a aldeias e ouvi idosos em vários casa de retenção. Eu tive a oportunidade de interagir com pessoas que mataram seus pais. Eu falei em pessoa com charlatães [usado no sentido de um impostor médico] e reuni todas as informações, sob o pretexto de uma neta que queria matar seu avô. Os encontros com os charlatães foram arriscados. O maior desafio foi registrar as declarações deles com a minha câmera e capturar a identidade deles.

Decidi que não deveria parar com a exposição, mas começar uma campanha. Escrevi artigos de vez em quando e com a ajuda de organizações voluntárias pude realizar reuniões entre os moradores e difundir o conhecimento. O governo acordou para o problema e introduziu uma linha de apoio para idosos carentes. Funcionários foram instruídos a verificar sobre as mortes de idosos em aldeias e examinar se a morte tinha ocorrido por causas naturais ou assassinato. Como resultado de campanhas contínuas, foram formados grupos de autoajuda de idosos e os idosos se juntaram para lutar pelos seus direitos.

IJNet: Como a IJNet tem ajudado você?

PK: A IJNet é bastante útil para saber sobre bolsas de estudo internacionais e webinários importantes. Eu concorri para a bolsa do World Press Institute e várias outras bolsas de estudo com a ajuda dos alertas da IJNet. Recentemente, eu fiz um curso online para rádio comunitária do Future Learn, o que me ajudou a saber como a rádio comunitária é percebida em diferentes países e como será bem sucedida nos países em desenvolvimento como a Índia.

IJNet: Que conselho você daria a aspirantes a jornalistas?

PK: A mídia lhe dará uma plataforma para aprender ao longo da sua vida. Trabalhe com paixão e preocupação com as pessoas. Seus leitores/ouvintes são o seu chefe.