Jornalista do mês: Najia Ashar

porSam Berkhead
Jan 4, 2016 em Jornalista do mês

A cada mês, a IJNet apresenta um jornalista internacional que exemplifica a profissão e usa o site para promover sua carreira. Se você gostaria de ser apresentado, envie um e-mail com uma curta biografia e um parágrafo sobre como usa os recursos da IJNet, aqui.

A jornalista do mês Najia Ashar, editora de estratégia de notícias e planejamento da AAJ News TV, teve uma carreira repleta de experiências formativas.

A jornalista paquistanesa cobriu alguns dos mais importantes eventos históricos do Paquistão, incluindo as eleições do país, o assassinato de Osama bin Laden em 2011 e o ataque a Malala Yousafzai em 2012.

Mas em 2014, uma nova oportunidade surgiu sob a forma de uma bolsa John S. Knight na Universidade de Stanford, que ela ficou sabendo através da seção de oportunidades da IJNet. Durante o seu longo ano de estudo, Ashar trabalhou para desenvolver um guia de segurança  prático para jornalistas paquistaneses usando visualizações e animações.

"Fazer reportagem no Paquistão tornou-se muito mais perigoso nos últimos anos; entretanto, não existem maneiras gratuitas e fáceis de usar para os jornalistas obterem conselhos e dicas para minimizar o risco e se protegerem", disse ela no início de sua bolsa. "O meu objetivo é criar um ambiente livre e seguro para jovens jornalistas e trabalhadores da mídia em zonas de conflito e não-conflito e descobrir maneiras em que a tecnologia pode ajudar a tornar a prática do jornalismo mais segura."

Ashar falou com a IJNet sobre as lições que aprendeu durante a bolsa Knight:

IJNet: Conte sobre a bolsa Knight. Que desafios você enfrentou ao realizar o seu projeto? 

Najia Ashar: Como jornalista de TV no Paquistão, já trabalhei em muitas histórias e projetos delicados, mas o projeto mais importante e emocionante começou quando eu decidi me candidatar para a bolsa JSK em 2014. Para obter a bolsa, eu tive que apresentar uma proposta de um projeto de jornalismo - um desafio de jornalismo. O conceito mais amplo se relacionava com a segurança dos jornalistas, mas era uma questão complexa para enfrentar com muitos detalhes. No início, eu não tinha ideia de como a minha abordagem iria responder ao desafio de jornalismo que eu estava tentando resolver. A bolsa me ajudou a atravessar as fases do processo, isto é, a exploração, refinamento e o resultado final. Então eu acabei criando materiais de treinamento de segurança para jornalistas que são muito rápidos e fáceis de entender. Após o meu regresso ao Paquistão, realizei muitos workshops de segurança usando o material original e métodos que criei durante a bolsa.

Você cobriu muitos eventos importantes, incluindo as eleições no Paquistão e o ataque a Malala Yousafzai em 2012. Você mesma que foi atrás dessas histórias? Como é cobrir grandes histórias como essas?

Sim, eu reportei e cobri vários eventos ao vivo e históricos. Sempre é emocionante contar ao mundo as histórias que eles precisam saber. Cobrir as eleições no Paquistão foi uma grande experiência. Eu acho que sou afortunada de fazer parte disso, pois me beneficiou muito ver tudo isso em ação e elaborar reportagens. Me ajudou a desenvolver habilidades de pensamento crítico sobre questões políticas e dinâmicas para encontrar boas matérias políticas.

Por outro lado, eu recebi as más notícias sobre o ataque a Malala enquanto estava sentada no estúdio e fui eu quem teve que dar essa notícia ao vivo. Foi um momento doloroso para mim, pois eu já a tinha entrevistado alguns meses atrás, quando ela visitou nossos estúdios em Carachi.

Como a IJNet ajudou na sua carreira?

Eu sou uma leitora regular da IJNet porque fornece orientação profissional para jornalistas. Seja sobre estratégia editorial e de mídia social ou treinamento de mídia e oportunidades para jornalistas, o site me ajuda a encontrar soluções de jornalismo.

Que lições aprendeu com a bolsa JSK?

A bolsa de jornalismo JSK mudou a minha vida em muitas maneiras. Me ajudou a aumentar a minha perseverança e determinação e maximizar a minha motivação. Durante meu tempo como bolsista JSK, eu aprendi muitas coisas, mas a coisa mais importante que aprendi foi como abraçar o fracasso como o caminho mais seguro para o sucesso.

Que conselho você daria a outros jornalistas?

Nesta era digital, a mídia não é a única coisa em mudança. A natureza do nosso trabalho em si está mudando. Cada vez mais, os jornalistas estão se tornando trabalhadores multiqualificados. O futuro do jornalismo, literalmente, depende da capacidade de seus praticantes em se adaptarem às novas tendências em mídias sociais e se conectarem com o público que estão consumindo conteúdo de maneiras diferentes. Então eu acredito que os jornalistas precisam mudar também.

Esta entrevista foi editada.

Imagem principal cortesia de Najia Ashar no Twitter