Jornalista do mês na IJNet: Pat Robert Larubi

por Jessica Weiss
Jul 3, 2014 em Jornalista do mês

A cada mês, a IJNet apresenta um jornalista internacional que exemplifica a profissão e usa o site para promover sua carreira. Se você gostaria de ser apresentado, envie um e-mail com uma curta biografia e um parágrafo sobre como usa os recursos da IJNet, aqui.

Este mês apresentamos o jornalista independente Pat Robert Larubi, que faz parte da tribo Acholi no distrito de Gulo no norte da Uganda. Larubi trabalhou em vários órgãos de comunicação social, rádio, televisão e mídia impressa local. No ano passado, ele se juntou à NTV como repórter correspondente da região de Acholi. Ele também começou a colaborar com matérias para o Daily Monitor como jornalista freelance.

Enquanto o norte de Uganda emerge de duas décadas de guerra, a maior parte do trabalho de Larubi concentra-se no processo de recuperação pós-guerra.

"Mesmo cinco anos desde que a paz voltou para o norte da Uganda... as pessoas continuam a sofrer batalhas silenciosas relacionados à grilagem, violência baseada no gênero, alcoolismo, falta de educação, repatriação, crianças-soldados desaparecidas e agricultura", ele disse à IJNet.

Larubi também é ativista da Human Rights Network for Journalists (HRNJ) de Uganda, onde ele luta contra os maus-tratos de jornalistas pela polícia.

IJNet: Como a IJNet lhe ajudou?

Eu uso a IJNet para melhorar minhas habilidades jornalísticas, incluindo redação básica de notícias e elaboração de reportagens. Tenho acessada oportunidades de bolsas de viagem e bolsas de estudo e [aprendi sobre] ferramentas de notícias, como a forma de usar um smartphone para reportar uma matéria de notícias de última hora.

Através da IJNet, eu fiquei sabendo sobre o clippings.me, onde desenvolvi meu portfólio pessoal visitado por centenas de pessoas à procura de notícias e informações atualizadas de Uganda. Vai além de um blog comum, e esta inovação é excelente para mim e outros jornalistas ativos.

Em abril de 2014, eu [recebi] uma bolsa da Fundação Thomson Reuters para uma formação de televisão (no Reino Unido). O prêmio foi uma inspiração. Eu também tive a oportunidade de fazer um treinamento sobre petróleo e gás para repórteres em Albertine do African Centre for Media Excellency (ACME), que foi anunciado na IJNet. Todos esses programas não teriam sido possíveis se não fosse pela IJNet.

IJNet: Você trabalha no jornal, TV e rádio. Como consegue gerir as três plataformas?

Aprendi essas habilidades na faculdade. [Me graduei em 2009] pela escola de jornalismo e comunicação em massa United Media Consultants and Trainers [MCAT], onde me envolvei no trabalho prático de câmera, rádio e redação de notícias e reportagens.

No ano passado, decidi seguir carreira solo como jornalista freelancer independente. Este é um campo virgem que a maioria dos ugandenses ainda não tem pensado em percorrer. Vejo o freelancer como a única maneira de vencer a probabilidade de desemprego. Muitas vezes, os jornalistas contratados devem trabalhar apenas para a sua mídia particular, desafiados por baixos salários juntamente com termos e condições de exploração.

Eu sugiro pautas para diferentes editores que aprovam e me dão um sinal verde para reunir mais detalhes, escrever ou criar um roteiro [para TV ou rádio]. Minha região geográfica de cobertura me dá uma vantagem comparativa mais história, pois as minhas matérias são exclusivas por natureza e não duplicadas, o que seria o caso de histórias cobertas por várias organizações de mídia dentro de uma determinada área ou por comunicados de imprensa ou seminários.

Meu envolvimento direto com o campo me permite obter ganchos únicos sobre temas que afetam o homem comum.

IJNet: Que conselho daria a quem quer ser jornalista?

Aspirantes a jornalistas devem explorar as inúmeras oportunidades disponíveis, de modo a praticar e desenvolver sua carreira por completo. Jornalismo trata da criatividade; se você não é criativo e inovador na maneira de pensar e escrever, então está fora do negócio.

Em Uganda, os editores, sub-editores ou chefes de departamento tendem a demorar para publicar as matérias (atrasando a publicação). Para mim, isso é um obstáculo, uma vez que bloqueia a capacidade do futuro jornalista de brilhar na profissão. Os editores devem olhar para onde eles vieram. Para os jornalistas cujas reportagens são continuamente ignoradas, recomendo utilizar sites de redes sociais e outras oportunidades online, como blogs para quebrar o gelo..

Uganda aprovou uma série de leis que criminalizam a liberdade de expressão, como o ato anti-homossexualidade, com a cláusula de publicidade obrigatória; o ato de gestão de ordem pública; e o ato anti-pornografia, vulgarmente conhecido como a lei mini-saia. [Essas leis] reprimem, restringem e limitem a liberdade de expressão garantida pela Constituição da República de Uganda em 1995. Como essas leis continuam a prevalecer, há uma necessidade de permanecer profissional e equipado para exigir a liberdade de imprensa e justiça.

Foto: Pat Robert Larubi em um programa de rádio, cortesia de Pat Robert Larubi