Jornalista do mês: Kamilia Lahrichi

porSam Berkhead
May 29 em Jornalismo investigativo

A cada mês, a IJNet apresenta um jornalista internacional que exemplifica a profissão e usa o site para promover sua carreira. Se você gostaria de ser apresentado, envie um e-mail com uma curta biografia e um parágrafo sobre como usa os recursos da IJNet, aqui.

Desde cedo, a jornalista do mês Kamilia Lahrichi tinha uma paixão por viajar pelo mundo.

"Comecei a viajar por conta própria desde jovem, quando meus pais me mandaram aprender inglês na Europa durante o ensino médio", disse ela. "Aprendi a me adaptar a diferentes culturas e respeitar as pessoas de diferentes esferas da vida."

Nascida e criada em Marrocos, Lahrichi trabalhou em uma variedade de lugares, de Hong Kong ao Oriente Médio à América do Sul. Agora com base em Buenos Aires, na Argentina, ela descobriu várias bolsas na seção de oportunidades da IJNet que lhe permitiram manter uma perspectiva global.

Em junho de 2015, Lahrichi cobriu o Fórum de Mídia Global da Deutsche Welle em Bonn, na Alemanha, para a Imprensa Juvenil Europeia. Mais tarde nesse ano, ela viajou para Brasília, como parte da Bolsa de Jornalistas e Workshop sobre Segurança Rodoviária do ICFJ. Além disso, Lahrichi conclui um programa de bolsas das Nações Unidas em Nova York e no Oriente Médio.

Quando ela não está correndo atrás de bolsas, Lahrichi é uma correspondente estrangeira freelance. Sua cobertura de assuntos políticos, sociais e econômicos argentinos já apareceu na CNN International, Wall Street Journal, Huffington Post, USA Today e muitos outros.

A IJNet conversou sobre Lahrichi sobre algumas lições que ela aprendeu com essas experiências.

IJNet: Que bolsas de estudo você descobriu na IJNet? O que tirou dessas experiências?

Lahrichi: Eu descobri a grande maioria das minhas bolsas na IJNet. Bolsas são experiências inestimáveis que contrastam significativamente com o ensino e experiências na redação tradicional. Você aprende sobre ferramentas práticas e enfrenta questões do mundo real. Fiquei animada em encontrar todas as oportunidades disponíveis para jornalistas freelance. Graças a estas bolsas internacionais, eu pude viajar por todo o mundo.

Aprendi sobre muitas ferramentas para reportar de forma mais eficaz sobre temas sensíveis. Por exemplo, eu sempre fui interessada em questões urgentes de saúde global, mas não tinha os meios necessários para cobrir eficazmente acidentes de trânsito ou doenças relacionadas com o tabaco. Graças a estes programas, ampliei minha rede de especialistas internacionais de saúde e de desenvolvimento. Eu pude melhorar minha reportagem e habilidades de investigação para melhor cobrir esses tópicos de volta na Argentina.

Qual é a matéria mais desafiante que você fez?

Uma das matérias mais difíceis que eu cobri foi a saúde prejudicada e impactos ambientais de agroquímicos nas comunidades rurais na Argentina, que cobri para o VICE News em 2015.

Enquanto eu obviamente queria obter os dois lados da história, é muitas vezes difícil conseguir feedback de corporações envolvidas em tais assuntos sensíveis. Eu também recebi uma resposta negativa do Ministério da Agricultura de Córdoba depois que publiquei a matéria, dizendo que eu não estava fazendo o meu trabalho corretamente e me pressionando a fazer mudanças - o que eu não fiz. Levei um bom tempo para investigar o tema; passei 10 dias na cidade de Córdoba para encontrar os médicos, as pessoas que sofrem de câncer e outras doenças, bem como funcionários do governo e agrônomos para produzir uma matéria o mais neutra possível.

Que dicas você tem para quem quer se tornar um jornalista freelance?

Eu recomendo começar com a publicação de artigos gratuitamente ou por uma taxa baixa, apenas para divulgar o seu nome lá fora. Então, aconselharia a obter um portfólio online para ter seu trabalho publicado em um só lugar.

Mais importante, sugeriria passar meses -- se não um ano como eu fiz -- construindo uma forte rede de contatos de mídia e editores de comissionamente para poder trabalhar com vários meios. Quando eu comecei a fazer freelance, escrevia duas vezes por semana para a mesma agência de notícias. Quando o website foi à falência, eu perdi minha fonte de renda do dia para a noite. A partir de então, eu trabalho para vários meios de notícias para evitar cair em uma situação semelhante.

Você trabalhou em países que têm culturas muito diferentes. Tem sido um desafio navegar por essas diferenças culturais? Os principais princípios do jornalismo, em grande parte, permanecem os mesmos?

Eu me sinto confortável navegando em lugares desconhecidos. Eu não gosto de rotina e de ficar em minha zona de conforto. Eu prospero onde a maioria das pessoas entraria em pânico: sozinha, em solo desconhecido com pessoas diferentes falando uma língua que eu não entendo. Eu acredito que o jornalismo não é sobre culturas, mas sobre as pessoas.

Acredito que os princípios do jornalismo devem permanecer os mesmos, independentemente do país. É por isso que eu decidi trabalhar como freelancer para agências de notícias internacionais de renome. Eu sei que seus padrões editoriais são os mais altos em todos os países em que trabalham.

Eu me encontrei em situações complicadas trabalhando com agências de notícias locais no Líbano ou na Argentina. No entanto, acredito que cabe a todos os jornalistas tomarem uma posição para evitar seguir uma linha editorial ruim ou publicação de informações tendenciosas.

Imagens cortesia de Kamilia Lahrichi