Jornalista do mês: Evandro Almeida Jr.

porKatya Podkovyroff Lewis
May 4, 2020 em Jornalista do mês
Evandro Almeida Jr.

O jornalista brasileiro Evandro Almeida Jr. sabia que fazia algo especial quando começou a enviar seus trabalhos feitos com seu celular.

"Isso me deu uma vantagem maior", disse Almeida Jr. "Comecei a cobrir esportes para blogs e pequenos sites e fiz todas as filmagens, redação e outros conteúdos como jornalista móvel."

Almeida Jr. está interessado em uma variedade de tópicos, de política a questões ambientais, e adora cobrir esportes, tendo feito reportagens sobre os jogos paralímpicos, jogadores aposentados e mais. Ele trabalha como freelancer para jornalismo impresso, relações públicas e rádio/TV.

Durante a faculdade, Almeida Jr. dedicou-se à pesquisa em jornalismo, com foco em segurança e conflitos armados e seus efeitos sobre os jornalistas. No ano passado, ele apresentou seus resultados na congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Depois de passar dois meses no Egito após a formatura, ele voltou ao Brasil e começou a trabalhar em um projeto de seis meses patrocinado pela Google News Initiative para a Rede Bandeirantes para expandir o conteúdo no YouTube. Desde então, ele trabalha como freelancer.

Em fevereiro, Almeida Jr. viajou ao México, mas não conseguiu retornar ao Brasil devido à pandemia. Para se manter ocupado, ele iniciou um projeto com um amigo sobre práticas de jornalismo móvel para estudantes universitários da América Latina.

Conversamos com Almeida Jr. sobre suas aspirações para o jornalismo móvel, experiência como freelancer e conselhos sobre como expandir sua rede.


O que te inspirou a ser jornalista?

O que me inspirou foi a prática de contar histórias, viver na linha da frente da história, ver as coisas com meus próprios olhos e contar às pessoas o que realmente aconteceu. Decidi sobre jornalismo no meu último ano do ensino médio depois de viajar para o México -- minha primeira viagem fora do Brasil. Quando voltei para cursar a universidade no Brasil, decidi que o jornalismo era o que eu queria fazer pelo resto da minha vida. Não apenas para contar histórias, mas para causar um impacto positivo com o meu trabalho.

Qual foi o maior desafio da sua carreira?

Acredito em duas coisas: o jornalismo móvel e minha fé.

Muitas pessoas aqui no Brasil não acreditavam no jornalismo móvel -- mojo -- até cerca de três anos atrás, talvez até um ano atrás. Quando pego o telefone para filmar ou tirar fotos, outros jornalistas ainda riem de mim porque têm câmeras grandes e outros equipamentos. Houve um incidente no ano passado em que quase perdi a paciência com alguns fotógrafos que começaram a minimizar meu trabalho e me ofender. Eu nunca tinha sofrido algo assim em minha carreira, mas eu era o mais novo e o único com um celular. Mas agora quem está rindo? Muitas organizações de TV, jornais e rádio estão usando jornalismo móvel, e eu o uso desde 2016. Isso me deu a chance de viajar pelo mundo e ter muitas oportunidades profissionais.

Outro desafio é que perdi oportunidades porque sou adventista e não trabalho aos sábados. Mas acredito que preciso trabalhar onde quero estar na minha carreira. Portanto, apesar de ter perdido algumas oportunidades, também tive as melhores. Por exemplo, entrevistei três atletas do Hall da Fama em esportes diferentes, participei da cobertura dos Jogos Olímpicos aos 19 anos, entrevistei embaixadores aos 20 anos, apresentei um artigo no congresso da Abraji aos 21 anos, trabalhei na TV como repórter móvel aos 22 anos e mais.

Foi difícil, mas o que consegui foi melhor do que eu poderia imaginar.

Evandro Almeida Jr.


Como você usou a IJNet e o que aprendeu com essa experiência?

Sou um jornalista melhor por causa da IJNet. Desde a minha faculdade, lia a IJNet para aprender novas práticas, ferramentas e conselhos de jornalismo e para aprender com jornalistas experientes de todo o mundo como fazer um jornalismo melhor. Não consigo imaginar minha carreira sem o site. Viajei por causa das oportunidades que encontrei na IJNet, como o Prêmio ABAG de Jornalismo da Agricultura no Brasil, uma bolsa de estudos durante minha pós-graduação no Insper e uma posição de trainee no programa Galápagos Newsmaking.

Qual é o seu conselho para iniciantes no jornalismo?

Eu tenho três conselhos. Primeiro, acredite em si mesmo e lembre-se de ser você mesmo, porque suas crenças e sua cultura fazem parte de você.

Segundo, estude e dedique tempo para estudar. Não apenas na universidade, mas também através de atividades extracurriculares. Leia livros, revistas e jornais que adotam abordagens diferentes e têm áreas de foco diferentes -- desde agricultura a negócios. Participe de seminários e fóruns, participe de grupos de estudo e comunidades especializadas na internet. Gastar tempo e dinheiro para obter conhecimento o preparará não apenas para obter melhores oportunidades, mas para ser um jornalista melhor.

E terceiro, trabalhe a sua rede de contatos. Em todo lugar que você for, você fará amigos. Conheço muitas pessoas, e algumas delas podem ler isso e rir porque em todos os seminários, cursos de extensão ou conferências, eu conheço alguém. Minha rede me ajudou com entrevistas, pesquisas, oportunidades e empregos. Alguns deles até se tornaram meus bons amigos. Tente preencher sua rede com pessoas de valor, não apenas por suas posições atuais. E esteja aberto a conhecer pessoas e, se tiver oportunidade, também as ajude.


Todas as imagens cortesia de Evandro Almeida Jr.