Jornalista do mês: Ebenezar Wikina

porSam Berkhead
Sep 28, 2016 em Jornalista do mês

Para o jornalista nigeriano Ebenezar Wikina, o conceito de inovação frugal --fazer mais com menos-- é um princípio orientador de sua carreira de jornalista até agora.

"Quando eu comecei a blogar em 2013, eu não tinha sequer um laptop", disse ele. "Eu tinha que usar apenas meu telefone Java não tão inteligente, porque era tudo que eu tinha. A maioria das ferramentas que funcionaram para mim naquela época são as ferramentas que eu continuo a usar agora, e estas são ferramentas simples disponíveis a todos em todos os lugares."

Desde então, Wikina começou sua própria coluna de entrevistas, "The Stroll" ("O Passeio"), na qual ele entrevistou mais de 120 líderes mundiais de 40 países. Usando o Facebook Live, ele transmite entrevistas ao vivo com pessoas como Michael Møller, diretor-geral do Escritório das Nações Unidas em Genebra.

Quando Wikina não está trabalhando no "Stroll Live", ele está ocupado como oficial em comunicações digitais e diretor de pesquisa para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do Governo do Estado de Rios em Port Harcourt, Nigéria. Seus artigos apareceram no Huffington Post, e ele ajudou a organizar o único evento TEDxYouth da África Ocidental em 2014.

Recém chegado de uma viagem ao Fórum Econômico Mundial em Genebra, Suíça, Wikina falou com a IJNet sobre jornalismo móvel, desenvolvimento sustentável e mais:

IJNet: Você participou da Assembleia Geral da ONU. Conte-nos um pouco sobre seu interesse em desenvolvimento.

Wikina: Jornalistas e os meios de comunicação em geral têm um enorme papel a desempenhar se a nova Agenda de Desenvolvimento ou as Metas Globais forem uma realidade até 2030. Devemos ser ativos, não passivos, no processo de desenvolvimento. É por isso que, além de falar de desenvolvimento, também tive que tomar medidas proativas como a organização de eventos TEDx, marchas de ativismo (organizei uma campanha contra a má prática de exames no sistema educacional da Nigéria em 2013) e até mesmo me envolvi com a Comunidade de Formadores Globais do Fórum Econômico Mundial (sou atualmente o curador do centro de Formadores Globais na minha cidade). Eu também continuo a voluntariar para ONGs na minha comunidade.

Você é realmente bom em engajar as pessoas nas mídias sociais. Que dicas daria para os jornalistas que não têm certeza de como fazer isso?

Eu acredito que a mídia social digitalizou ou interrompeu a comunicação humana como era. A maioria das pessoas que mostrei na minha série web são pessoas que eu não teria acesso se fosse para abordá-las em uma conferência ou uma função pública. A mídia social quebra essas paredes. Vê alguém com que você queria falar? Pelo menos fale um "oi". O pior que vai acontecer é que a pessoa vai ignorar a sua mensagem. Mas nenhuma pessoa razoável irá ignorar quatro ou cinco mensagens que têm algo importante para eles.

Quando tudo falhar, tente enviar um e-mail para o indivíduo. Para mim, e-mails funcionam sete em cada 10 vezes.

Que ferramentas/aplicativos você achou mais útil para a produção de sua série de web com um orçamento baixo?

Minha conversa com Michael Møller foi transmitida via Facebook Live. Eu poderia ter usado Periscope também, mas eu vi um maior desempenho no Facebook. A conversa de 13 minutos vai continuar no Facebook após a sessão ao vivo (Este não é o caso com Periscope, pois transmissões ao vivo são apagadas após cerca de 24 horas).

Para converter a minha entrevista a áudio, eu baixei o vídeo do Facebook usando aplicativos como o “Video Downloader for Facebook” ou aplicativos como fbdown.net. Em seguida, eu uso um conversor de vídeo MP3 para converter o vídeo ao áudio.

Eu posso editar o arquivo de vídeo e enviá-lo no YouTube ou Vimeo. O áudio editado (editado com a Ocean Audio ou Adobe Audition) pode ser carregado no Soundcloud ou qualquer outro serviço de streaming de áudio.

O trabalho mais duro na terra vem com o texto. Pessoalmente, eu ainda não usei nenhum destes conversores de fala a texto. Para todas as minhas entrevistas que foram produzidas em outras versões além de texto, tive que digitar a entrevista completa a mão.

Que conselho você daria para alguém começando no jornalismo?

Meu conselho para quem está começando é não ter pressa de chegar lá. Cultive sua fome de notícia e informação. Só quando você é informado que pode informar outros.

Em segundo lugar, comece pequeno e cresça rápido. Todos nós queremos escrever para as grandes plataformas como o New York Times ou Huffington Post, mas você tem que começar pequeno. A equipe editorial e de mídia da Igreja Batista Newlife em Port Harcourt e a editoria da Teens Planet Magazine desempenharam um grande papel nos meus primeiros anos. O público era pequeno para que eu pudesse corrigir os erros facilmente e gerenciar o feedback, que por sua vez me ajudou a crescer.

Esta entrevista foi condensada e editada para maior clareza.

Imagem cortesia de Ebenezar Wikina