Jornalista do Mês da IJNet: P. Wanja Njuguna

porDana Liebelson
Jun 2, 2011 em Jornalista do mês

A cada mês, a IJNet apresenta um jornalista internacional que exemplifica a profissão e usa o site para promover sua carreira. Se você gostaria de ser apresentado, envie um e-mail com uma curta biografia e um parágrafo sobre como usa os recursos da IJNet para Dana Liebelson, dliebelson@icfj.org até 20 de junho.

A jornalista deste mês é P. Wanja Njuguna, professoa e editora queniana atualmente trabalhando em Botsuana.

IJNet: Qual empresa jornalística que você atualmente trabalha? Onde você já trabalhou?

P. Wanja Njuguna: Sou atualmente professora de mídia imprensa no departamento de estudos de mídia da Universidade de Botsuana, onde eu também sou a editora-chefe do jornal do departamento, o UB-Horizon. Também sou consultora de comunicação, onde realizo palestra sobre questões de comunicação, edito e escrevo internacionalmente e modero cursos e exames relacionados.

No mundo da mídia, trabalhei para o Nation Media Group como redatora e editora,na Time como estagiário (ao ganhar o prêmio CNN Jornalista Africano do Ano e depois como correspondente da revista. Também trabalhei para o governo queniano no Programa GJLOS de Reforma como especialista em mídia por cerca de um ano antes de ingressar na Universidade de Botsuana como professora em 2007.

IJNet: Como você tem usado a IJNet?

PW: Em mais maneiras que posso contar! A primeira vez que a usei para avançar a minha carreira foi quando me candidatei ao programa John S. Knight Fellowship em Stanford que vi no site. Entrei para o programa de 2002-2003.

Ao longo dos anos, tenho usado o site para encontrar bolsas ou programas que tenho aplicado -- consegui alguns, outros não. Meu trabalho atual também foi postada na IJNet. Quando eu mandei uma mensagem para saber mais, o chefe do departamento pediu para eu aplicar. Entrei na Universidade de Botsuana em 2007 e estou aqui desde então.

IJNet: Você trabalhou em um campo diferente antes do jornalismo?

PW: Sim, durante 10 anos trabalhei para o Serviço de Prisões do Quênia e também como agente de segurança em Nairobi para o UN-Habitat. Nos EUA, pouco antes de completar meus estudos na Universidade de Harvard, trabalhei como assistente de pesquisa no departamento de pós-graduação.

IJNet: Como essas experiências impactaram sua carreira atual?

PW: Quando era jovem, dois trabalhos me animavam: jornalismo e ser soldado. Eu pude praticar ser soldado, quando trabalhava no Serviço de Prisões -- tive formação militar, embora não tão dura como no exército. Enquanto trabalhava lá, comecei a escrever cartas para o editor usando o meu nome do meio e último nome. Meu nome do meio, Wanja, era desconhecido no serviço. Naquela época, teria sido suicida escrever para a mídia usando meu nome real, porque a mídia era vista como uma inimigo do governo e, especificamente, dos Serviços de Prisões. Eu costumava escrever sobre todos os tipos de coisas. Ver minhas cartas/comentários publicados reacenderam meu amor de jornalismo. Eu me matriculei em uma universidade privada em Nairobi, para um diploma em comunicações e o resto, como dizem, é história.

A coisa mais interessante em meus estudos de jornalismo ocorreu quando eu fiz o meu estágio com o Nation Media Group. Eu tive que usar meu nome do meio religiosamente, quando os meus artigos apareceram na imprensa. Ainda me lembro como ficava com medo quando eu era enviada em reportagens, rezando para que ninguém do Serviço Penitenciário me visse. Às vezes eu usava óculos escuros para assegurar que ninguém me reconhecesse! Isso é como era ruim -- ser reconhecida significaria perder o meu emprego!

IJNet: De quais matérias e trabalhos mais se orgulha?

PW: Já escrevi sobre tudo e qualquer coisa desde pobreza, trabalho infantil, HIV e AIDS, comida e hotéis; a perfis famosos de líderes mundiais como o ex-chefe iraniano Ayatollah Hashemi Rafsanjani, Graca Machel, a Miss Rússia, o presidente Ellen Johnson Sirleaf e outros.

Mas três artigos me vêm à mente por causa do impacto que causaram. Um deles foi o artigo que me fez ganhar o prêmio CNN Jornalista Africano do Ano de 2000. Chamava-se "União Feita no Inferno" e cobria a violência doméstica das mulheres de elite do Quênia. Esta foi uma das minhas matérias mais difíceis de escrever, porque todos as entrevistados se recusaram a falar comigo quando eu precisei de entrevistas. Levei mais de três meses para finalmente começar. Foi muito útil para o público ver que essa violência acontece com as mulheres no topo, assim como na parte inferior [da sociedade].

A segunda matéria é a que eu escrevi sobre a brutalidade policial no Quênia: "Triste História de Protetores que se Tornam Matadores". Eu estava trabalhando na história, mas a urgência de terminá-la foi causada pela morte de uma amigo próxima em Nairobi após seu carro ter sido roubado por assaltantes e a polícia. Ela tinha mais de dez balas em seu corpo. Foi também a primeira vez que recebi ameaças por causa de uma matéria que estava escrevendo.

IJNet: Existe algum programa de treinamento que lhe foi particularmente?

PW: No Quênia, o programa de comunicação da Daystar Universidade foi uma revelação para mim. Esta é a faculdade que eu acredito que qualquer aspirante a jornalista no Quênia deve participar. O segundo programa útil foi a minha bolsa de um ano em Stanford, como bolsista do programa John S. Knight Fellow -- todo jornalista deve ter como objetivo a assistir a este programa ou ao Nieman Fellowship; eles são ótimos. Eu sempre disse que existem muitas oportunidades para os jornalistas de estudo, viagem, etc. Eu também pesquiso religiosamente a IJNet frequentemente e não posso enfatizar o suficiente como o site é fenomenal.

IJNet: Como você acha que os jornalistas podem melhor se adaptar ao campo da mídia em mudança?

PW: Mantenha-se informado do que está acontecendo ao seu redor e sobre as tecnologias futuras. Ter a educação na área em que se trabalha também é muito importante, pois o conhecimento é fundamental, especialmente quando você está escrevendo ou mesmo ensinando.

Eu também acho que os jornalistas precisam encontrar tempo para ensinar jornalismo em regime de tempo parcial. Há muitos professores de jornalismo que não escrevem ou fazem qualquer coisa no jornalismo há tempos e muitos perderam o contacto com o que está no área. Ensinar ajuda a pesquisar e obter informações sobre o que realmente está acontecendo, não apenas o que está nos livros.