Jornalista do Mês: Christy Ejiogu

porIJNet
Jul 28, 2015 em Jornalista do mês

A cada mês, a IJNet apresenta um jornalista internacional que exemplifica a profissão e usa o site para promover sua carreira. Se você gostaria de ser apresentado, envie um e-mail com uma curta biografia e um parágrafo sobre como usa os recursos da IJNet, aqui.

A jornalista do mês, Christy Ejiogu, dedica-se a contar histórias sobre mulheres africanas superando qualquer tipo de obstáculo. 

De mulheres escapando a violência doméstica a como uma empreendedora nigeriana chegou ao sucesso, Christy produziu uma séria de matérias para o programa "A Woman's World" (Um Mundo da Mulher) da TVC News, que destaca a força da mulher em seu país natal, a Nigéria.

Após ser promovida produtora sênior de programas, Christy teve que ampliar sua editoria. Embora ela ainda esteja comprometida com questões da mulher, ela agora produz o programa TVC Trends, que examina temas populares na mídia social. Christy também ajuda a desenvolver novos conceitos de programas que vão entrar em ressonância com o público da TVC.

Abaixo, falamos com Christy sobre histórias difíceis que ela cobriu -- incluindo o sequestro de mais de 200 estudantes de Chibok, Nigéria, pelo grupo Boko Haram --, prêmios que ela ganhou e seu conselho para jovens jornalistas.

Como você se tornou apaixonada por questões da mulher?

Christy: Eu sempre tive o desejo de projetar a voz da mulher africana e corrigir a impressão de que ela é uma vítima, subjugada e sem voz. Esta paixão cresceu quando eu [comecei] no TVC News como produtora e fui trabalhar no programa "A Woman's World". 

Produzindo esse programa, eu vejo todos os tipos de histórias de mulheres que vão desde a violação, práticas culturais prejudiciais, violência baseada no gênero, etc. Uma coisa que eu sempre faço com as histórias que produzo é mostrar os aspectos positivos. Embora isto seja bastante desafiador, não é impossível. Por exemplo, quando eu conto uma história sobre práticas culturais prejudiciais, sempre incluo esforços que têm sido postos para terminá-las e mulheres que foram além de ser vítimas destas práticas para fazer o melhor de suas vidas e ajudar outras mulheres a fazerem o mesmo.

O desejo de contar essas histórias positivas de mulheres africanas que quebram tetos de vidro e estereótipos desafiantes é o que mantém a [minha] paixão.

Conte sobre a matéria mais difícil que você produziu. Como foi?

Cada história é única e tem seus próprios desafios. Uma que eu descreveria como difícil -- não tecnicamente difícil, mas emocionalmente difícil -- foi um especial que eu fiz sobre a violência doméstica. Eu entrevistei mulheres que foram vítimas. Uma das mulheres foi incendiada por seu noivo, e ela [teria sido] desfigurada pelo resto da vida, mas conseguiu levantar dinheiro suficiente para cirurgia plástica. Outra foi espancada tanto que não pode falar mais porque foi duramente atingida em sua garganta. Ela teve que contar sua história por escrito. Foi realmente difícil conversar com essas mulheres, porque a realidade da violência baseada no gênero me tocou muito.

Outra história foi um especial que eu fiz com as mães de meninas desaparecidas em Chibok. Foi comovente vê-las chorar pelo resgate de suas filhas.

Como a IJNet ajudou você?

A IJNet tem tudo o que você precisa para programas de bolsas e oportunidades de treinamento. Em outubro do ano passado, eu respondi a uma oportunidade na IJNet para um curso da Thomson Reuters chamado "Reporting Slavery and Trafficking"  (Reportando sobre Escravidão e Tráfico). Tive a sorte de ser umas das 12 participantes de países diferentes para o curso de uma semana. Foi uma experiência muito recompensadora e aprendi muito durante o treinamento. Também fiz amigos jornalistas que participaram do curso e nós ainda mantemos contato.

Recentemente vi uma oportunidade para os prêmios Mohammed Amin de Mídia da África. Eu me inscrevi em uma das categorias e fui convidada como uma das finalistas a ir ao Quênia onde ganhei o prêmio de Melhor Programa de Revista (Nota do editor: Veja a matéria vencedora de Christy sobre as meninas desaparecidas de Chibok acima).

Que conselhos dá a jovens jornalistas?

Somente entre na profissão se você tem uma paixão por ela, isso é que vai mantê-lo. Parafraseando o falecido jornalista Michael Hastings, você tem que realmente amar escrever e reportar como se fosse mais importante que qualquer coisa na sua vida. Finalmente, aprenda a abraçar rejeições como parte do trabalho. Continue a escrever, enviar propostas de pauta e ler.

Imagem principal de Christy Ejiogu cortesia da jornalista