Jornalismo cada vez mais móvel, mais social e em tempo real, diz estudo

porJessica Weiss
Jul 24, 2013 em Jornalismo digital

Dispositivos portáteis, como telefones celulares e tablets, estão no caminho para se tornarem as plataformas dominantes para consumo de notícias, e mais pessoas estão usando mais de um dispositivo, revela uma pesquisa de hábitos de consumo de mídia em nove países.

"A notícia está cada vez mais móvel, mais social e em tempo real", de acordo com o recém-lançado Reuters Institute Digital News Report 2013: “Tracking the Future of News”, uma pesquisa anual que monitora a transição para a mídia digital. "A grande mensagem é que o público cada vez espera [um tipo de] notícia que pode ser acessada a qualquer hora, em qualquer lugar."

Embora a pesquisa tenha constatado que o computador continua a ser o principal dispositivo para acessar notícias digitais, um terço dos entrevistados disse que recebe notícias em pelo menos dois dispositivos, e 9 por cento usam mais de três. O uso do tablet dobrou nos 10 meses desde a última pesquisa.

Não surpreendentemente, a pesquisa encontrou várias diferenças entre os países. Na Alemanha e na França, por exemplo, há muito mais apego ao jornalismo tradicional, como a televisão aberta e jornais impressos. Em outros países, incluindo o Reino Unido, os Estados Unidos e o Japão, mais pessoas obtêm suas notícias online e elas têm sido mais rápidas a adotar o uso de novos dispositivos.

A pesquisa confirmou que pessoas mais velhas permanecem mais ligadas ao jornal impresso, enquanto jovens consumidores acessam mais vezes a notícia através de diversos meios.

Em muitos países, uma "busca" revelou ser a principal forma em que as pessoas acessam as notícias, em vez da "marca", o que, obviamente, tem implicações para o negócio do jornalismo. Os consumidores foram perguntados se o jornalismo deveria ter um ponto de vista. A pesquisa constatou uma forte preferência por notícias imparciais, liderada pelo Japão (81 por cento), França (78 por cento), Alemanha (76 por cento) e Reino Unido (70 por cento). No Brasil, apenas 28 por cento dos entrevistados disseram que prefererem notícias sem um ponto de vista subjetivo.

Os países pesquisados foram: Brasil, Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.

A mídia tradicional ainda mantém uma posição entre os consumidores de notícias. Na amostra global, 50 por cento disseram que compraram um jornal na semana anterior. Apenas 5 por cento disseram que pagaram por notícias digitais no mesmo período.

"O público pode estar abraçando notícias em tablets e smartphones, mas ainda quer assistir ao noticiário e gosta de passar tempo com a página impressa", conclui o relatório. "É um mundo multiplataforma e ficando ainda mais assim."

Para acessar o relatório na íntegra (em inglês), clique aqui (PDF).

Jessica Weiss é uma jornalista com base em Buenos Aires.

Imagem do site do Reuters Institute Digital News Report