Impulsionando o jornalismo de dados nos países em desenvolvimento

por Jennifer Dorroh
Oct 26, 2012 em Diversos

"Assimetria de informação - não a falta de informação, mas a incapacidade de absorver e processar com velocidade o volume que chega a nós - é um dos problemas mais significativos que os cidadãos enfrentam em fazer escolhas sobre como viver suas vidas", escreveu Tom Fries no Data Journalism Handbook.

Um movimento para resolver esse problema -- com o jornalismo de dados -- está surgindo em todo o mundo. Em nenhum lugar este crescente movimento é mais vibrante do que na África, onde um treinamento intensivo está se tornando o modelo para alavancar o jornalismo de dados em países em desenvolvimento.

A African Media initiative (AMI) está conduzindo uma série de treinamentos de inicialização em jornalismo de dados para jornalistas, programadores e outros em países como o Quênia, Tanzânia, África do Sul, Moldávia e Gana, onde uma sessão de três dias acontece na cidade de Accra.

"Os participantes chegam sem saber usar uma planilha simples e saem depois de tirar dados básicos da Internet, construir seu primeiro mapa narrativo, sua primeira visualização dos dados, e seu primeiro banco de dados semânticos", disse o estrategista de mídia, Justin Arenstein, que ajudou a organizar o treinamento como parte do Knight International Journalism Fellowship.

"Fazemos isso fornecendo alguns dos melhores instrutores e profissionais de jornalismo de dados do mundo, garantindo um mínimo de oito treinadores por treinamento", Arenstein disse. Especialistas do Google, da premiada equipe de dados do jornal Guardian, do Centro de Jornalismo Investigativo no Reino Unido, da Open Knowledge Foundation e OpenSpending.org na Alemanha, e da Upande, uma empresa de mapeamento e GIS no Quênia, conduzem o treinamento, que também recebe suporte técnico do Google e financiamento do Instituto do Banco Mundial.

Os participantes aprendem a "encontrar, extrair e analisar dados públicos, usando poderosas ferramentas forenses, para contar histórias mais bem informadas. Também trabalham em equipes para construir aplicativos móveis de notícias e sites de engajamento cívico para aumentar a reportagem tradicional de notícias", de acordo com o site do treinamento. Os melhores projetos receberão financiamento inicial de US$2.000 para ajudar a desenvolver protótipos, Arenstein disse.

As sessões não só treinam as pessoas e partem para a próxima cidade, mas introduzem os participantes ao jornalismo de dados comunitário em toda a África.

"O treinamento alimenta a nossa rede HacksHackers, que atualmente tem capítulos em 10 grandes cidades em toda a África, ajudando 'graduados' do nosso curso a continuar a aprimorar suas habilidades através de encontros mensais após o treinamento. Os treinamentos são seguidos pelas maratonas DataLiberation (a partir do repositório central de dados, www.AfricaOpenData.org, atualmente a maior fonte de dados aberta de toda a África), que por sua vez são seguidas pelas maratonas Code4Democracy de 48 horas", Arenstein disse. "Nós também (através do Google) conduzimos masterclasses regularmente em redações para ensinar aos graduados do treinamento técnicas de seguimento avançadas."

Depois que o engenheiro de integração de sistemas, Jean Luc Nta à Nwamekang (lushkah91), viu um tuite de Arenstein sobre o treinamento), ele viajou a suas próprias custas de Benin ao Gana para o programa. Após o primeiro dia, disse ele por e-mail: "Eu estou pronto para fazer o mesmo percurso ou mais para aprender mais novamente. [Este é] o tipo de ajuda que precisamos na África, aprendizagem e recursos para competirmos com os outros e reivindicarmos uma posição internacional."

Siga a conversa sobre o treinamento através do hashtag #dbootcamp no Twitter.