Guia de Geojornalismo mostra como aproveitar ciências da Terra em reportagens

porGustavo Faleiros
Sep 24, 2013 em Jornalismo de dados

Jornalistas que desejam melhorar suas técnicas de coletas de dados para melhor cobrir o meio ambiente têm um novo recurso. O Guia de Geojornalismo é um manual online gratuito de tecnologias de mapeamento e visualização. Explica dados ambientais, tais como imagens de satélite, e até mesmo mostra como construir seu próprio balão para fazer fotos aéreas.

Para criar o guia, que faz parte da minha bolsa do ICFJ Knight International Journalism Fellowship, reunimos uma equipe de jornalistas e técnicos experientes em áreas de mapeamento e reportagens ambientais para compartilhar seus conhecimentos. O guia foi criado em parceria com o ICFJ, Flag It Project e a Earth Journalism Network da Internews. O kit de ferramentas online também faz parte do portfólio do Laboratório de Inovação em Jornalismo Ambiental (Ecolab), uma equipe multidisciplinar que trabalha para criar aplicativos úteis para a cobertura ambiental.

No lançamento, o Guia de Geojornalismo oferece 11 cursos, com diferentes níveis de dificuldade. O manual orienta o jornalista em todo o processo de criação de histórias ambientais com dados desde a obtenção das informações necessárias até a edição de uma reportagem. O conteúdo inclui temas como dados, alimentação coletiva de informações (crowdsourcing), mapas, design e visualização. Durante os próximos dois meses, esperamos adicionar vídeos tutoriais e tópicos adicionais. Até agora, o guia está disponível em inglês e português, mas esperamos torná-lo disponível em outros idiomas também.

Por que Geojornalismo?

Cerca de seis anos atrás, quando era repórter que cobria política ambiental, fiquei intrigado com a relação entre o ritmo de desenvolvimento em países emergentes como o Brasil e a China e as atitudes desses países em relação aos seus territórios nacionais.

Promover o bem social e econômico muitas vezes desencadeia mudanças em grande escala para regiões inteiras, devido a intervenções como o desvio de rios, construção de estradas e o incentivo de assentamentos.

Isso também foi um momento em que a atenção mundial para a questão das mudanças climáticas atingiu um pico. Jornalistas ambientais olhavam não apenas para o nosso próprio meio ambiente, mas também para nossa atmosfera global, e como as mudanças na floresta amazônica ou no Ártico podem mudar o clima no resto do mundo.

Observar essas mudanças em grande escala tem sido tradicionalmente um trabalho da geografia. Mas hoje, a Internet e as ferramentas digitais associadas estão capacitando muitos outros, incluindo jornalistas. Um número crescente de jornalistas, redações e empresas está usando o mapeamento digital ou acessando imagens de satélite que mostram fenômenos naturais.

O geojornalismo pode ser considerado um ramo do jornalismo de dados. Esse ramo se concentra mais sobre os dados gerados por sensores e satélites. O geojornalismo também pode ser uma maneira de abordar um tema aplicando métodos geográficos como uma forma eficaz de colocar questões de grande escala em contexto.

Trata-se de um meio poderoso e inovador para contar histórias ambientais.

Confira o Guia de Geojornalismo aqui. Por favor, conte nos comentários se você usar os tutoriais e ferramentas em sua reportagm.

Gustavo Faleiros é jornalista ambiental e treinador de mídia especializado em jornalismo de dados. Ele é bolsista do Knight International Journalism Fellowship com base no Brasil. Siga-o no Twitter.

O conteúdo de inovação de mídia global relacionado aos projetos e parceiros do Knight International Journalism Fellowships do ICFJ na IJNet é apoiado pela John S. and James L. Knight Foundation.

_Imagem por satélite do rio Amazonas via Wikimedia Commons_