Ferramenta de reportagem cidadão se concentra em verificação

porJessica Weiss
Nov 25, 2014 em Diversos

No ano passado o jornal Verdade em Moçambique fez uma chamada por reportagens de cidadãos para complementar a reportagem de sua redação sobre a eleição geral do país.

Através de um novo kit de ferramentas de código aberto chamado Citizen Desk, o Verdade recebeu reportagens do campo, observações astutas e... um monte de lixo (especialmente pedidos para mais minutos de celular).

Com essa experiência em mente, os criadores do Citizen Desk renovaram a ferramenta com foco no usuário e gestão da comunidade, além da verificação em tempo real. Agora, os editores que usam a ferramenta para captar relatos de testemunhas podem rapidamente escolher ou descartar itens recebidos, investigar a credibilidade de repórteres cidadãos e usar ferramentas organizacionais atualizadas que permitem que os jornalistas da redação construam matérias, artigo por artigo, enquanto a informação rola.

"O fluxo de trabalho de verificação é seu próprio monstro com o seu próprio ritmo e necessidade", disse Douglas Arellanes, o fundador do Sourcefabric, um desenvolvedor de software de código aberto sem fins lucrativos para a mídia de notícias independentes e criador do Citizen Desk. "O Citizen Desk 2.0 reflete isso."

O Citizen Desk puxa conteúdo de três fontes: Twitter, SMS e Web. Uma vez que o conteúdo tenha sido processado no sistema, os usuários têm a opção de publicá-lo diretamente num blog ao vivo. Ou podem escolher para pesquisar mais profundamente de maneiras diferentes.

Os relatórios de cada uma das três fontes entram com um nível básico de detalhe. Para ir mais longe, os usuários podem pesquisar a localização, identidade e credibilidade dos repórteres cidadãos. Em muitos casos, o sistema ajuda a facilitar uma simples conversa entre o editor e o repórter cidadão. Quando um relatório de SMS vem, por exemplo, um usuário do Citizen Desk pode responder automaticamente com uma mensagem e, em seguida, usar uma interface embutida de chat para continuar a conversa com o repórter.

Os editores podem atribuir "trabalhos" para outros usuários, o que sinaliza o conteúdo para uma investigação mais aprofundada. E podem criar listas para organizar várias reportagens simultâneas.

Arellanes descreveu o processo de reportagem de cidadão para publicação como cheio de possibilidades para tornar a história mais dinâmica e saber mais sobre um repórter. É como uma "bola de neve informações", disse ele. "Você começa com uma pequena bola de neve, mas depois junta mais neve e se torna cada vez maior."

E, no final, que a pesquisa profunda é o que faz o jornalismo melhor, disse ele. "O que estamos fazendo é permitir que os padrões jornalísticos sejam mantidos, embora fontes de entrada possam ser provenientes da mídia social."

Para construir o Citizen Desk 2.0, a equipe usou o método Agile de desenvolvimento, que "nos permite mostrar a várias pessoas --especialmente os editores do Verdade-- um verdadeiro artigo de software a partir de uma fase muito inicial de desenvolvimento, para que pudéssemos reunir informação valiosa", disse Arellanes. "Isso nos permitiu experimentar várias ideias rapidamente e ver o que funcionou e o que não funcionou --e mais importante, porque esse foi o caso."

O Citizen Desk foi um dos vencedores do African News Innovation Challenge (ANIC) 2012, um concurso que incentiva a experimentação em tecnologias digitais e apoia as melhores inovações destinadas a reforçar as organizações de notícias africanas. A competição, seguindo o modelo do Knight News Challenge, foi lançada pela African Media Initiative, sob a liderança de Justin Arenstein, bolsista Knight do ICFJ.

Este ano, o Citizen Desk também foi nomeado finalista no concurso Making All Voices Count Global Innovation.

O Sourcefabric está à procura de parceiros adicionais e casos de uso do Citizen Desk. A plataforma é totalmente de fonte aberta e pronta para mais add-ons, como a integração de entradas de conteúdo adicionais, como Instagram e Pinterest.

"Muitas organizações já chegaram à conclusão de que você pode construir em cima do que outra pessoa fez e chegar lá mais rápido", disse ele. "A menos que você tenha bolsos fundos e uma equipe muito talentosa em casa, pegue esta ferramenta e construa sobre ela."

Imagem cortesia de Oliver Tacke sob licença CC