Falta conhecimento de segurança digital aos repórteres mais vulneráveis ​​do México, diz estudo

porJessica Weiss
Feb 14, 2013 em Jornalismo digital

Em setembro de 2011, dois blogueiros mexicanos que cobriam frequentemente o crime local, incluindo tráfico de drogas e atividades das facções, foram torturados e enforcados numa ponte pedonal em Nuevo Laredo, uma cidade perto da fronteira com os Estados Unidos. A cidade é administrada pelos Zetas, uma das mais ativas e perigosas organizações criminosas no México. Uma mensagem com a letra "Z" perto da cena advertiu a outros usuários da Internet que podem ter o mesmo destino dos blogueiros mortos.

Mais tarde, no mesmo mês, o corpo de uma mulher foi encontrado decapitado na cidade junto com uma mensagem dizendo que ela foi morta por seus posts no fórum "Nuevo Laredo en Vivo."

O fato de que as vítimas eram jornalistas e blogueiros mostra a vulnerabilidade crescente dos jornalistas digitais no México. Apesar disso, a maioria dos jornalistas e blogueiros mexicanos cobrindo temas altamente difíceis (como crime, violência, corrupção e direitos humanos) não entende completamente os riscos e ameaças que enfrentam quando usam tecnologia digital e móvel, mesmo quando os temas que estes jornalistas cobrem os tornam ainda mais vulneráveis, revela uma nova pesquisa da Freedom House e do Centro Internacional para Jornalistas.

Jorge Luis Sierra, bolsista do ICFJ Knight International Journalism Fellowship, preparou uma pesquisa de 21 perguntas, que foi respondida por 102 jornalistas e blogueiros em 20 estados mexicanos, especialmente aqueles afetados pela violência das drogas e onde jornalistas e blogueiros estão sob estresse devido a uma onda de assassinatos, sequestros, ataques e ameaças de morte.

Os resultados mostram que quase 70 por cento dos jornalistas foram ameaçados ou sofreram ataques por causa do trabalho. Além disso, 96 por cento disseram que conhecem colegas que foram atacados. Trinta por cento dos entrevistados, metade deles trabalhando na Cidade do México, disseram que nunca foram atacados, indicando que os jornalistas e blogueiros que trabalham na Cidade do México são relativamente mais seguros do que aqueles que trabalham em outras áreas do México. Mesmo assim, metade dos 32 participantes da Cidade do México disseram que foram ameaçados ou atacados.

Quando perguntados sobre riscos digitais, os entrevistados pela pesquisa identificaram a ciber-espionagem e hacking da conta de-mail os riscos digitais mais graves. Enquanto que quase todos disseram ter acesso e confiar na Internet, redes sociais, celulares e plataformas de blogs para o seu trabalho, eles admitiram ter um nível baixo de conhecimento sobre tecnologias digitais. Também relataram pouco ou nenhum comando de ferramentas de segurança digital, como criptografia, uso de redes privadas virtuais (VPNs), navegação anônima na Internet, e remoção segura de arquivos. Um dado positivo da pesquisa: mais de 50 por cento dos participantes disseram usar senhas seguras.

O relatório recomenda treinamento urgente para aumentar a segurança digital e celular, através de consultas com empresas de mídia, mais programas de treinamento online e em pessoa e uma comunidade de especialistas em segurança na mídia composta por engenheiros, jornalistas e blogueiros para personalizarem a tecnologia. Repórteres, fotógrafos e editores em zonas perigosas devem ser capazes de aprender sobre a necessidade de ferramentas seguras de comunicação online, afirmou o estudo.

Serra vai usar os resultados da pesquisa para projetar um curso online e uma oficina presencial para capacitar os participantes a desenvolver e usar estratégias e protocolos digitais e de tecnologia de celulares para redução de risco.

Leia o relatório em inglês e espanhol.

Foto cortesia da iStock Photo