Especialista comenta sobre futuro da distribuição de notícias na América Latina

porMonica Bentivegna
Mar 6, 2009 em Empreendedorismo de mídia

Enquanto todos os dias mais e mais jornais estão fechando, jornalistas se perguntam qual será o futuro da distribuição de notícias e o que deve ser feito para se preparar para o que está por vir.

Para entender melhor o assunto, a Rede de Jornalistas Internacionais recentemente falou com James Breiner, especialista de jornalismo e diretor do Centro para Jornalismo Digital da Universidade de Guadalajara, sobre como ele acha que a maioria das pessoas na América Latina irá receber as notícias daqui a cinco anos -- imprensa, televisão/rádio, Internet ou telefonia celular.

Segundo Breiner, "em cinco anos, quase todos os órgãos de notícias serão multimídia e as pessoas usarão produtos jornalísticos em qualquer dispositivo eletrônico que domine o mercado."

Aqui estão suas previsões para o futuro da distruibuição de notícias:

Em cinco anos, qualquer meio de notícia que tenha um site terá que produzir matérias em formato multimídia. Isto não significa simplesmente que irão dispor de vídeo, áudio e gráficos, mas que estarão dominando a forma narrativa que utiliza o meio eletrônico que for mais adequado para criar um pacote jornalístico.

Formas eletrônicas de jornalismo multimídia irão superar o jornalismo impresso, que será um artigo de luxo na América Latina, mais do que já é. As pessoas irão consumir produtos jornalísticos em qualquer que sejam os dispositivos que possuem - telefones celulares, computadores sociais, telas eletrônicas flexíveis, leitores portáteis (Kindle) e outros aparelhos ainda não conhecidos.

As pessoas passarão menos tempo assistindo TV, tendência que já se nota entre jovens que preferem a Internet.

Os telefones celulares ou seus sucessores mais modernos se tornarão imensamente importante como aparelhos para o consumo de notícias e informação.

No México, a Internet já é uma fonte de notícias mais importante que os jornais, de acordo com um estudo da Intermedia, uma compania consultora de mídia.

Muitas pessoas no México caçoam da importância do jornalismo digital, dizendo que poucos têm acesso. Contudo, mais pessoas acessam a Internet no México do que lêem jornais diários. Em 2006 a circulação de jornais no México foi de 731.000, equivalente a menos de 1 por cento da população, segundo números do INEGI (Instituto Nacional de Estatística e Geografia do México). Mesmo com cinco ou seis leitores para cada cópia do jornal, a penetração no mercado é pequena.

Os jornais sempre foram um meio para a elite na América Latina. A Internet está se tornando um meio muito mais importante que os jornais impressos. As empresas de jornais que se adaptarem e migrarem para a Internet vão sobreviver. Os produtos impressos continuarão a declinar e se tornarão menos importantes para os leitores e anunciantes, exceto em nichos muito especializados.

Publicidade

Recentemtente, eu perguntei a algumas agências de publicidade no México sobre as novas tendências na compra de espaços publicitários na mídia.

A publicidade online comprada através de agências está diminuindo, já que 44 por cento de toda a publicidade digital agora se refere a ferramentas de busca de anúncios, cuja tendência está em alta (Fonte: Internet Advertising Bureau). Mais da metade deste setor pertence ao Google e Yahoo. As agências ficam de fora desta equação, em que anunciantes lidam diretamente com as companias de busca e o preço é estabelecido por um leilão eletrônico.

Televisão

A publicidade da televisão também está em perigo. As agências notaram que os telespectadores mais jovens estão abandonando a televisão. Um publicitário me disse que, há sete anos no México, o grupo entre 14 e 25 anos passava quatro horas por dia na frente da TV. Hoje em dia, este mesmo grupo demográfico fica várias horas por dia no computador, em vez da TV.

Rádio

Os iPods estão prejudicando a programação de rádio que depende de música. Porém, as emissoras de rádio que focam na notícia, informação e debates irão encontrar sua audiência. Provavelmente será difícil encontrar um nicho para as emissoras de rádio. Ao migrarem para a Internet, terão que decidir se querem se tornar um meio de notícia multimídia.

Para ler o blog de James Breiner, visite (em espanhol) http://newsleaders.blogspot.com/.