Editoras lutam para correr atrás de leitores e anunciantes nos smartphones

porJames Breiner
Sep 25, 2015 em Empreendedorismo de mídia

Os grandes nomes nas notícias digitais, como New York Times, Buzzfeed e NBC News, estão lutando com a mudança na forma como eles ganham dinheiro e como se definem como marcas.

A causa é a rápida migração de leitores e anunciantes para smartphones. Esta migração colocou as marcas de notícia à mercê dos gigantes da internet, como o Facebook, Google, Apple e outros que já monopolizam a publicidade digital.

Alan Mutter, o @newsosaur, fez um exame profundo sobre a tendência e o que significa para as editoras.

Em essência, os editores de notícias descobriram que muitos do seu público -- em alguns casos, a maioria -- estão acessando seu conteúdo em aplicativos para smartphones fornecidos pelas grandes plataformas tecnológicas e redes sociais. Isto significa que as editoras estão perdendo o controle de seus usuários e receita.

Assim, as editoras começaram a fazer algo que se parece com a sindicalização de seus produtos para as redes sociais e plataformas. Elas adaptam o conteúdo para viver em cada uma das plataformas em vez de sua própria -- conteúdo distribuído, como descrito por Joshua Benton do Nieman Lab -- para aumentar a velocidade com que os usuários podem acessar texto, fotos e vídeo (fundamental em dispositivos portáteis).

Uma onda de produtos novos

O Facebook está chamando seus produtos de Instant Articles e Erin Griffith da Fortune descreve por que os editores decidiram participar. Os editores esperam compartilhar partes da receita.

O Google e Twitter estão supostamente trabalhando em um sistema de entrega rápida semelhante ao Instant Articles; a diferença é que permitirá que os próprios anúncios das editoras apareçam dentro dos apps, uma vantagem para as editoras. Até agora, Snapchat atraiu 15 parceiros de mídia com o seu produto Discover. A empresa também adiciona e deixa parceiros quando bem quer.

A migração para móvel aconteceu tão de repente que as próprias marcas estão lutando para descobrir o que isso significa para elas. Mas, basicamente, elas estão servindo agora as grandes plataformas tecnológicas como provedoras de conteúdo.

Benton vê a tendência como uma ameaça aos publishers de notícias locais, em particular os jornais diários e emissoras de televisão que costumavam ter um monopólio sobre a publicidade local:

"E 2015 já deixou claro que escala quer dizer tudo. Audiências menores devem ter um valor muito alto -- leia-se: ser super ricas -- para valer a pena atingir. Estas ofertas de distribuição de conteúdos, como Instant Articles do FacebookDiscover do Snapchat e News da Apple? O foco de todos é o peixe grande. Nós vivemos em uma época em que há considerações honestas [quando questionam] se empresas como Twitter e LinkedIn têm uma parte grande o suficiente de nossa atenção para ter negócio de publicidade legítimo. Se o Twitter pode não ser grande o suficiente para os anunciantes, como The Shreveport Times pode ser? Os anunciantes locais que podiam ser a força vital dos sites de notícias locais parecem felizes em anunciar no Facebook ao invés."

Mathew Ingram da Fortune se preocupa que, enquanto as editoras vão ganhar alguma exposição e, possivelmente, alguma receita de artigos imediatos, vão perder a sua identidade de marca:

"O que a rede social tem para oferecer está, sem dúvida, ajudando qualquer uma dessas editoras que se inscreverem (e que por sua vez vão criar um incentivo para os outros fazê-lo). O risco é que vai acabar ajudando mais o Facebook e que eventualmente o Facebook -- uma empresa com fins lucrativos que não mostrou evidências de que realmente entende ou se preocupa com "jornalismo" por si -- vai se tornar a fonte confiável de notícias para milhões de usuários, em vez das publicações que produzem conteúdo."

Se esta tendência continuar, as organizações de notícias vão ficar tão dependentes da mídia social para a distribuição que deixarão de "possuir" os consumidores de seu conteúdo.

Além do mais, as redes sociais e plataformas, com os seus algoritmos em mudança, poderiam tornar esse conteúdo irrelevante com um simples ajuste de programação. Elas fazem isso o tempo todo.

E não vamos nem falar sobre outro desafio que as editoras enfrentam: bloqueadores de anúncios. O futuro do jornalismo no mundo digital está sendo reescrito tão rapidamente que é difícil correr no mesmo ritmo.

Evan Williams, cofundador do Twitter e fundador do Medium.com, também acredita que plataformas vão dominar. Em uma entrevista com Robert Hof na Forbes, ele disse que os sites das editoras vão se tornar irrelevantes em poucos anos. 

Este post apareceu originalmente no blog News Entrepreneurs de James Breiner e é republicado na IJNet com permissão.

Imagem sob licença CC no Flickr via Maurizio Pesce