Dicas para repórteres freelance em zonas de protesto

porCarlos Cabrera
Mar 5, 2014 em Freelance

À luz dos recentes protestos na Tailândia, Ucrânia e Venezuela, é mais importante do que nunca rever como jornalistas independentes podem se proteger.

Quando tudo está calmo, a mente de um jornalista freelance está constantemente pensando em ideias de pauta. Reportagens perenes, investigações e obsessões de longa data pipocam no seu cérebro. Você propõe pautas e espera. Espera e depois propõe pautas. Mas quando uma grande notícia acontece, as coisas podem mudar rapidamente --muito rapidamente. Quando os manifestantes enchem as ruas, de repente você se torna cobiçado. Nesta fase, não há muito mais tempo para pensar e seu impulso é correr para as ruas.

Mas antes de fazer isso, há muito a considerar. Veja aqui o que você deve pensar antes de sair nas ruas para cobrir protestos, zonas de conflito ou qualquer outra situação caótica que pode enfrentar.

Como se preparar

Como freelancer, dedique um tempo para aprender primeiros socorros. Você nunca sabe quando vai ter que usá-lo em outra pessoa ou em si mesmo.

Se estiver viajando para a reportagem, peça a um amigo não jornalista para fazer a reserva do quarto de hotel para evitar represálias do governo por alguma matéria que você escreveu.

Mantenha sempre uma cópia de seu passaporte e outros documentos importantes (visto, cartão de identificação, credenciais de imprensa, etc) e com arquivo em seu e-mail no caso das cópias serem confiscadas.

Antes de sair para a rua, certifique-se de ter uma série de números de contato de emergência guardados no telefone. Diga à pessoa que você confia mais (de preferência alguém discreto) seus planos de viagem e itinerário diário, para que ele ou ela saiba onde começar a procurá-lo se você desaparecer. Certifique-se de manter contato constantemente com essa pessoa e atualizá-lo quando os planos mudam.

O que levar e usar

É extremamente importante ter os seguintes itens com você: um kit de primeiros socorros, cópias de todos os documentos importantes e um mapa físico da cidade porque a conexão à internet e o serviço de telefone podem falhar.

Leve algum dinheiro, tanto na moeda local e dólares americanos. Você nunca sabe quando subornar alguém pode salvar sua vida.

Traga uma cebola em seu bolso. Sério. Se você for atingido com gás lacrimogêneo, colocar a cebola perto de seu rosto enquanto respira irá reduzir os efeitos do gás.

E, claro, use um capacete ou equipamento de proteção se você tem. Se não, um capacete de bicicleta é melhor que nada.

Vai fazer vídeos? Use uma mochila para guardar a câmera e ficar com as mãos livres enquanto se desloca de um lugar para outro. Não esqueça de levar uma câmera menor de reserva no caso de sua principal ser confiscada ou danificada e sempre carregue vários cartões de memória.

No meio da confusão

Nunca trabalhe sozinho e mantenha contato regularmente com colegas freelances. É importante contar com o outro e trabalhar juntos. Em tempos difíceis, a comunidade é tudo.

Não avance para a linha de frente até que você saiba o que está na sua frente. Se você começa na linha de frente, não fique parado. Mantenha-se movendo. Ouça com atenção qualquer barulho de tiro real. Você vai saber que quando ouvir e deve rapidamente correr para longe.

É fácil se perder na situação, mas não se esqueça de comer e manter-se hidratado. A adrenalina só sustenta você por pouco tempo.

Se você for abordado por alguém em uniforme pedindo documento, segure-o em sua mão e não largue, a menos que ele ou ela ameace usar força. Assim como em guerras, os protestos são eventos emocionais onde as pessoas não são quem dizem ser. Não suponha que alguém está aplicando a lei só porque diz que sim.

Fatos também são muito difíceis de encontrar. Lembre-se, como jornalista, é importante questionar e verificar depoimentos de ativistas e porta-vozes do governo. Em períodos de agitação, eles têm uma tendência e incentivo para distorcer informações. Tente fazer amizade com gente local confiável ​​e racional de cada lado para ajudá-lo a descobrir os fatos. Pegue seus números de telefone. Eles podem ficar do seu lado se alguém questionar se você é de fato de um jornalista independente.

Para jornalistas e fotógrafos de vídeo: Quando você capturar material utilizável, retire o cartão de memória e o esconda em uma meia ou roupa de baixo. Se você está gravando vídeo, e a câmera permite, desligue a "luz vermelha" do gravação, para que ninguém saiba que a câmera está gravando, exceto você. Quando o caos acontece, lembre-se de manter a câmera sempre gravando. Você nunca sabe o que vai gravar. Se for atacado, não tenha medo de colocar a câmera entre você e o agressor. Cinco quilos de metal é mais difícil de bater do que seu rosto.

Mas o mais importante é confiar em sua intuição e errar para o lado da cautela. Nenhuma matéria vale a sua vida.

Tem mais dicas? Junte-se à conversa e ajude nossos colegas na rua, tuitando suas dicas usando a hashtag #reportinginchaos.

Este artigo foi originalmente publicado no PBS MediaShift e traduzido para a IJNet com permissão.

Carlos Cabrera (@SeeLosC) é gerente de comunidade do Storyhunter, uma platforma que conecta editores com jornalistas de vídeo e documentaristas. Siga @Storyhunter no Twitter, Facebook e Instagram.

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Imagem sob licença CC no Flickr via snamess