Dicas para repórteres que cobrem a extração de recursos naturais

porAndrea Arzaba
Nov 13, 2013 em Temas especializados

Quando uma fonte inexplorada de petróleo, gás ou outro recurso natural é descoberta, a comunidade em geral fica muito feliz em saber da nova fonte de riqueza.

Esta riqueza, no entanto, também pode se tornar uma fonte de corrupção e de conflito, pois desenvolvedores, políticos e outros lutam para ver quem vai se beneficiar. Muitas vezes, a falta de cobertura da mídia sobre a indústria simplesmente faz com que os problemas piorem, disse Anya Schiffrin, autora do manual “Covering Oil: A Reporter's Guide to Energy and Development” (Cobrindo Petróleo: Um Guia do Repórter sobre Energia e Desenvolvimento).

Schiffrin, que dirige a especialização em mídia internacional da School of International and Public Affairs da Universidade de Columbia, realizou uma extensa pesquisa sobre a cobertura jornalística em países exportadores de petróleo. A pesquisa de sua equipe mostra que as grandes corporações frequentemente não compartilham dados sobre o seu trabalho de extração ou perfuração enquanto seus projetos se desenvolvem. A pesquisa também constatou a falta de jornalistas com conhecimento técnico necessário para informar sobre a indústria, o que reduz a frequência da cobertura. Enquanto isso, os governos reprimem informações, e as empresas multinacionais desafiam a qualidade da cobertura que aparece.

Schiffrin compartilhou suas descobertas na recente Conferência Global de Jornalismo Investigativo, no Rio de Janeiro. Mais tarde, ela conversou com a IJNet e compartilhou as seguintes dicas sobre como jornalistas podem melhorar a cobertura da indústria petrolífera.

Estude sobre o setor

"Essas são histórias muito complicadas e em muitos países onde a extração de gás e mineração estão ocorrendo, os jornalistas não são necessariamente treinados", Schiffrin observou. Ela sugeriu manter um olho aberto para oportunidades de treinamento em ONGs locais, que cada vez mais oferecem formação para jornalistas sobre o tema. Na África, por exemplo, o Revenue Watch Institute oferece treinamento para jornalistas em Gana, República da Guiné, Tanzânia e Uganda.

Também confira cursos online. Energy 101 da Coursera e The Governance of Extractive Industries da UNITAR são bons pontos de partida.

Obtenha mais do que uma ou duas fontes

"Em muitos jornais africanos, descobrimos que os jornalistas que cobrem extrativos estão usando apenas uma fonte ou no máximo duas fontes", disse Schiffrin. Ela exorta jornalistas a lançar uma rede mais ampla buscando online por novas fontes.

Fontes anônimas desempenham um papel central em algumas histórias sobre a indústria de extração, já que as fontes podem se preocupar com uma ação judicial em potencial ou intimidação por parte das grandes empresas que extraem petróleo, gás ou minerais. Schiffrin observou que, se o repórter precisa usar uma fonte anônima, a matéria deve explicar o porquê.

Procure e use dados abertos

Conjuntos de dados sobre as empresas de mineração e óleo podem ser usados para ajudar a criar uma melhor compreensão de muitas situações complexas. E enquanto algumas empresas relutam em compartilhar seus dados, a União Europeia e as Nações Unidas recomendam que as empresas publiquem mais informação "sobre os pagamentos que fazem e também abram seus processos de arbitragem", disse Schiffrin. Se as empresas seguirem essas recomendações, deve haver uma riqueza de dados de extração em um futuro próximo.

Visite os locais de mineração ou perfuração

Embora seja um investimento de tempo e dinheiro, visitar o local em vez de apurar à distância acrescenta profundidade a sua reportagem. Schiffrin indicou uma cobertura exemplar de jornalistas australianos, noruegueses e americanos da indústria de extração na África, como o Sahara Reporters.

Faça investigações transfronteiriças

Quando jornalistas sabem como acessar e usar dados em todo o mundo, construir uma governação mais responsável em toda a indústria de extrativos será mais fácil. De acordo com Schiffrin, a Internet torna mais fácil para os jornalistas não só manter relações com outros jornalistas de diferentes países, mas também olhar e comparar os dados globais.

O Compare the Map Project foi desenvolvido "para criar ferramentas gráficas que permitem ao usuário verificar possíveis correlações entre dados extrativos e estatísticas de desenvolvimento", disse Schiffrin.

Em países onde os meios de comunicação são muitas vezes reprimidos, jornalistas podem ter medo de publicar essas histórias localmente. Mas a colaboração internacional pode tornar essas matérias disponíveis a um público mais amplo.

Leia o trabalho colaborativo de Schiffrin “Covering Oil: A Reporter's Guide to Energy and Development” aqui.

Andrea Arzaba é uma jornalista com base na Cidade do México.

Foto via ilovemountains.org/ sob licença Creative Commons