Dicas para jornalistas que lutam contra desinformação

porCassandra Balfour
Jan 30, 2020 em Fact-checking e verificação
Pessoa fazendo webinário

Hoje, os esforços para combater a desinformação exigem mais recursos do que nunca — em um momento em que as organizações de notícias já estão esgotadas. Embora os esforços de checagem de fatos tenham aumentado em número e se tornado mais sofisticados nos últimos anos, os jornalistas ainda lutam para acompanhar a disseminação desenfreada de informações falsas e enganosas.

Para reforçar seus esforços, os jornalistas precisam colaborar, ao mesmo tempo em que criam conteúdo estratégico e se envolvem com o público nas populares plataformas de mensagens e redes sociais que estão usando: WhatsApp, Facebook e Twitter, entre outras.

O Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, em inglês), com o apoio da Dow Jones, organizou uma série de seminários online no final de 2019 com especialistas em verificação de fatos em todo o mundo para enfrentar esses desafios. A série de seminários online do ICFJ Dow Jones-TruthBuzz se concentrou na disseminação de desinformações em aplicativos de bate-papo, como transformar checagens de fatos em visuais atraentes e dicas para colaborar com outras redações em iniciativas de fact-checking.

Abaixo está um resumo de cada tópico e links para os seminários online completos (em inglês).

Um assunto privado: apps de bate-papo e jornalismo

Aplicativos de bate-papo como WhatsApp e Telegram representam um grande desafio para as organizações de verificação de fatos. Sua natureza fechada e privada torna difícil para os meios de comunicação ver qual desinformação está sendo disseminada nas plataformas e como.

Índia e Brasil reúnem as maiores comunidades do mundo de usuários do WhatsApp, com mais de 400 milhões de usuários entre os dois países. Durante recentes campanhas eleitorais, cidadãos indianos e brasileiros usaram o WhatsApp e outras plataformas de mensagens privadas extensivamente para espalhar boatos e informações falsas.

No primeiro webinário da série, Tai Nalon, diretora da Aos Fatos, a principal plataforma de verificação de fatos do Brasil, juntou-se a Shalini Joshi, que trabalha no programa TruthBuzz da PROTO, uma organização de mídia cívica que capacita jornalistas por meio de colaboração e pesquisa, para discutir a natureza e a disseminação de informações falsas por meio do WhatsApp e de outras redes de mensagens em seus respectivos países.

Assista ao webinário completo aqui.

Como tornar o seus fact-checks em vídeos sociais

Como você torna a verificação de fatos interessante o suficiente para que seu público preste atenção? As ex-bolsistas do ICFJ TruthBuzz Astudestra Ajengrastri, jornalista sênior e editora de mídia social da BBC News Indonésia, e Hannah Ajakaiye, Chevening Scholar da Universidade de Sussex, descobriram que seu público se engajava mais com recursos visuais do que em esforços baseados em texto para combater a desinformação.

Neste webinário, Ajengrastri e Ajakaiye usam ferramentas gráficas e de vídeo para aprimorar verificações de fatos e oferecem dicas concretas sobre como repórteres podem usá-las para melhorar o envolvimento do público. O webinário também incluiu uma pequena demonstração sobre como aproveitar ao máximo ferramentas gratuitas, como o Canva e o Lumen5, para criar conteúdo estratégico.

Assista ao webinário completo aqui.

Como combinar forças para combater desinformação

Se uma redação deseja iniciar um esforço de colaboração em seu país, quais são as etapas que devem ser seguidas? Durante o webinário final do Dow Jones TruthBuzz, as especialistas Astudestra Ajengrastri e Lilia Zaharia, repórter sênior da Associação da Imprensa Independente na Moldávia e diretora editorial do ProFact Moldova, exploraram projetos colaborativos de verificação de fatos, fornecendo dicas sobre como formar uma colaboração, quais processos seguir ao trabalhar em conjunto e como superar desafios que possam surgir quando várias partes interessadas estiverem envolvidas.

Assista ao webinário completo aqui.


O programa TruthBuzz do ICFJ é apoiado por um subsídio das Craig Newmark Philanthropies.

Imagem sob licença Unsplash via Jacqueline Kelly