Dicas para cobrir tecnologia na África

porJessica Weiss
Apr 29, 2014 em Diversos

A tecnologia está prosperando na África. Em pouco mais de uma década, a região se tornou uma das mais conectadas via celular, experimentando o crescimento mais rápido no número de assinantes móveis. Gigantes da tecnologia do mundo estão investindo na região. E uma ativa comunidade de tecnologia é pioneira na reformulação da mídia.

Mas você não necessariamente saberia disso ao ler as notícias.

Na África, "tecnologia é amplamente coberta em 'notícias de negócios'", diz Alex Gakuru, coordenador regional para a África do Creative Commons e membro do Comitê de Direção do Kenya Media Programme. "Alguns veículos de comunicação têm as categorias 'ciência e tecnologia' ou 'inovação', mas são muitas vezes carregadas de relatórios de tecnologia de agências."

De acordo com Gakuru, isto é devido à complexidade dos temas de tecnologia e uma agenda de notícias orientada por política, entre outros motivos. Porque poucas editoras de mídia ou veículos de comunicação têm repórteres dedicados a tecnologia, os jornalistas têm que correr atrás do prejuízo ao investigar e reportar histórias complexas de tecnologia.

A última rodada do African Story Challenge espera mudar a forma como os jornalistas africanos reportam sobre negócios e tecnologia. O concurso, realizado pela African Media Initiative (AMI) e liderado por Joseph Warungu, ex-bolsista do Knight International Journalism Fellowship do ICFJ, concederá subvenções de até US$20.000 para matérias digitais baseadas em dados de investigação sobre questões-chave de negócios e tecnologia africanos. Os vencedores também recebem treinamento e orientação para ajudá-los a refinar suas ideias e criar matérias com impacto duradouro.

Gakuru, que foi palestrante em um evento recente sobre o concurso, conversou com a IJNet sobre como jornalistas podem melhorar sua cobertura de tecnologia.

IJNet: Na sua opinião, o que falta na cobertura de tecnologia na África?

AG: A cobertura de tecnologia está falhando em tópicos altamente disputados. Por exemplo, as revelações de Edward Snowden sobre a enorme espionagem online pela NSA e Wikileaks não foram cobertas a partir da perspectiva africana. Violações dos direitos fundamentais e explorações de consumo por parte das empresas raramente são cobertas. Nem mesmo histórias inspiradoras e simples sobre [por exemplo] como a tecnologia está transformando poderosamente as habilidades na vida, artigos variados demonstrando a tecnologia como um instrumento para alcançar os direitos humanos e a justiça social, ou histórias que expõem o lado negativo da tecnologia.

Seria interessante ler mais sobre a excelência técnica do serviço público. O setor público é geralmente coberto negativamente, por exemplo, com histórias sobre supostos nepotismos ou favoritismo na contratação, escândalos de corrupção, falhas de sistemas, etc. Além disso, gostaria de ver mais sobre o papel da tecnologia em facilitar a governança eficaz e artigos jornalísticos bem pesquisados ​​que se baseiam menos na percepção e mais em dados.

IJNet: Você tem dicas para jornalistas que não têm experiência em trabalhar com abordagens multiplataformas e aplicativos interativos?

AG: Engaje-se com os motores de busca da Internet, estude metodologias de pesquisa e aperfeiçoe habilidades de jornalismo investigativo. Eu recomendaria a leitura deste guia de lei de mídia para jornalismo investigativo e este sobre interrogatórios para repórteres investigativos. Além disso, fale com seus amigos mais experientes em tecnologia para aprender sobre várias plataformas de tecnologia e tipos de software e aplicativos.

IJNet: Como os jornalistas podem fazer com que seus leitores "se importem" com as notícias de tecnologia?

AG: O jornalista deve escrever para o leitor; a notícia deve atender às necessidades do leitor. O jornalista deve facilmente relacionar um problema a uma solução de tecnologia. Sempre certifique-se de que a matéria de tecnologia é respeitosa com a cultura do público, valores, normas e práticas. Demonstre que a tecnologia é subserviente aos seres humanos (evite fantasias irritantes de tecnologia super-humana). E acima de tudo, embarque numa matéria que você ache pessoalmente interessante.

IJNet: E, por último, pode compartilhar algumas dicas básicas para a reportagem de tecnologia?

AG: Evite qualquer tema que corra o risco de ser lido como solicitação disfarçada ou publicidade. Evite jargão técnico e siglas incompreensíveis. Faça que seja divertido de ler. Teste o seu rascunho com um grupo e avalie a aceitação. Fale, represente e amplifique a voz da pessoa comum.

Para saber mais sobre o Story Challenge e para se inscrever, clique aqui.

Jessica Weiss é uma jornalista americana com base na Colômbia.

Foto cortesia do usuário do Flickr Nick Harris sob licença Creative Commons