10 chaves para criar uma animação de dados para uma redação

por Wilson Liévano
Sep 16, 2014 em Jornalismo digital

O jornalista Wilson Liévano passou o ano de 2013 no JSK Fellowship explorando maneiras de usar animação de dados para contar histórias. Ele criou o Animated Press, um estúdio de animação jornalística e tem animações produzidas apresentados no jornal The Guardian, Al-Jazeera e Wall Street Journal. Este mês, ele vai liderar webinários gratuitos apresentados pelo Institute for Justice and Journalism, que poderá ajudá-lo a criar seus próprios vídeos de animação usando o software Moovly, que é livre e baseado em nuvem. Pedimos a Liévano para compartilhar suas melhores dicas para a produção de animações de dados.

1. Defina o seu conceito

Uma boa parte do sucesso ou fracasso de sua animação se baseia na forma como você define o que vai falar. Você só tem uns dois minutos para explicar o seu tópico, então escolha com cuidado quais aspectos que vai se concentrar. Você pode responder a uma única pergunta ou explicar todos os aspectos de um tópico, mas precisa saber exatamente o que vai dizer sobre ele. Pense nisso como a definição do lide de uma matéria escrita.

2. Dedique um tempo para criar o storyboard

O storyboard é a espinha dorsal de qualquer animação, mesmo quando você usa um programa como Moovly que já vem com imagens e animações pré-fabricadas. Gaste o seu tempo para desenhar e descrever, cena por cena, exatamente que movimentos vão acontecer e em que ordem. O storyboard deve ter a narração completa de texto, palavra por palavra, para ter uma ideia aproximada da duração total da animação. E não se esqueça de efeitos sonoros, cores e música, se necessário.

3. Faça uma apresentação simulada

Às vezes, ideias que parecem boas no papel podem não traduzir bem para a tela. Para evitar isso, é bom tirar fotos de seus desenhos para cada cena, enviá-los para um software de vídeo e fazer um pequeno livro de folhear rápido de vídeo que vai lhe dar uma boa ideia de como ficaria na tela. Este pequeno truque leva 10 minutos de trabalho, mas poderá poupar-lhe horas depois.

4. Áudio em primeiro lugar, imagens mais tarde

O áudio é o fundamento de toda a animação. Ele determina quanto tempo seus elementos visuais terão na tela. Se você gravar o áudio primeiro, vai saber exatamente por onde começar e terminar uma animação, onde deixar espaço para efeitos de som ou silêncio e onde usar as imagens para enfatizar o que está sendo dito.

5. Mantenha os seus dados simples

O primeiro impulso pode ser animar todos os dados que você tem, mas o tempo e a atenção dos espectadores é limitado, e uma enxurrada de números e gráficos na tela pode alienar alguns espectadores. Em vez disso, você pode tecer apenas os bits mais importantes de dados com uma narrativa atraente e seduzir o espectador a explorar o resto de seus dados depois que terminar de assistir a animação. Pense na animação como um filme de destaque apenas para as partes mais importantes dos dados que você tem.

6. Seja criativo em suas visualizações

Agora que você selecionou os destaques de dados que deseja animar, pense em como visualizá-los. Claro, você pode usar linhas, barras e outros tipos de gráficos, mas faça isso com moderação, ou você corre o risco de transformar a sua animação em um slideshow glorificado. Utilize outros elementos gráficos, como símbolos, personagens e textos para encontrar maneiras de contar a história por trás dos números.

7. Mantenha curto, entre 2 e 3 minutos

Para a primeira animação que fiz, eu escolhi um tempo total de execução de 5 minutos, porque eu achei que estava atrativo e era curto o suficiente. Afinal, se alguém diz que vai lhe explicar algo em 5 minutos, parece pouco tempo. Mas no tempo online é uma eternidade. A maioria dos editores de vídeo online sugere a duração entre 2 e 3 minutos para manter a atenção do seu público.

8. Mantenha as suas imagens em movimento

Só porque a atenção média do público é de 3 minutos, isso não significa que você não pode perdê-los ao longo do caminho. Desde o primeiro quadro, você está travando uma batalha para manter seus espectadores engajados. Um erro comum quando você começa é deixar elementos na tela por muito tempo ou, pior ainda, estáticos até que a narração de uma determinada cena termine. Quando não há nada se movendo na tela, o espectador, inconscientemente, interpreta como um sinal para parar de prestar atenção. Para evitar isso, marque o tempo de seus elementos para que haja sempre algo acontecendo na tela.

9. Não exagere nos movimentos

Embora você deve ter sempre algo em movimento na tela, também pode exagerar por ter muitas coisas competindo pela atenção do público ao mesmo tempo. Já viu como bons designers criam um layout de revista para que os leitores sigam uma linha narrativa? Você pode fazer o mesmo em uma animação. Você controla o que veem e quando veem, mas a sutileza é a chave. A ação deve fluir naturalmente. Confie nos seus instintos e seu gosto para encontrar esse meio termo.

10. Não se esqueça de suas fontes

Muitos animadores esquecem isso. Você pode listar suas fontes e novas leituras nos créditos na tela ou na descrição da animação. É uma ótima maneira de envolver os espectadores com o resto de seus dados ou o conteúdo que você teve que deixar de fora da animação.

Recursos: Você pode encontrar vários modelos de storyboards em The Flying Animator Blog. Todos têm suas vantagens e desvantagens, basta escolher o que funciona melhor para você. Não é fácil encontrar música livre ou efeitos sonoros, mas você pode encontrar alguns em Audio Jungle. Muitos estão à venda, mas não são muito caros.

Wilson Liévano é coordenador de multimídia para o Wall Street Journal Américas e está trabalhando para difundir conhecimento sobre animação de dados a seus colegas repórteres.

Este artigo foi publicado originalmente no blog John S. Knight Journalism Fellowships at Stanford e é reproduzido na IJNet com permissão.

Imagem cortesia de Aurelia Ventura/IJJ