Conselhos para jornalistas cobrindo desastres naturais

por Parul Goswami
Nov 16, 2015 em Temas especializados

"A primeira vítima de uma guerra é a verdade, mas podemos dizer o mesmo sobre as catástrofes naturais?", indagou Yohan Shanmugaratnam. Assim, o editor de notícias internacionais do jornal norueguês Klassekampen apresentou o painel  Como Investigar Desastres no terceiro dia da 9ª Conferência Global de Jornalismo Investigativo.

Inundações, erupções vulcânicas, terremotos e tsunamis não são apenas processos geológicos -- também revelam má gestão social, econômica e política nas sociedades que são afetadas, o que significa que as investigações dos desastres são muito importantes.

"Reportagem de desastres é mais essencial agora porque as catástrofes têm consequências em um mundo interconectado", observou Natalia Antelava, editora do Coda Story da BBC. "A internet aproximou o mundo."

A mídia social tem sido uma ferramenta poderosa para garantir a comunicação durante os desastres. O Facebook e Twitter transformaram a cobertura de notícias de desastres. Assim que um terremoto de magnitude 7,8 aconteceu no Nepal este ano, relatos do campo vieram de pessoas locais que podem agora participar do processo de coleta de notícias através das plataformas de mídia social.

"A mídia social não é articulada quando a terra treme", alertou Kunda Dixit, editor do Nepali Times. "Está cheia de boatos, informações não verificadas e previsões". Informações precisas, ele enfatizou, devem ser a primeira regra de reportagens de desastre.

Os dados importam

Os dados desempenham um papel importante durante os desastres, pois ajudam a analisar e fornecer soluções e melhor compreender as situações.

"Os dados e mapas são úteis para jornalistas e o planejamento de recursos, mas a tarefa difícil é encontrar os dados", disse Dixit, que acrescentou que os números e gráficos interativos podem tornar uma história mais impactante.

Yoichiro Tateiwa, editor do "Nuclear Watch" na emissora pública japonesa NHK, também concordou que os dados podem mostrar o que os seres humanos não podem ver.

"Na equipe, nós atribuímos uma pessoa para simplesmente ler todos os documentos disponíveis e informar sobre a usina nuclear e sua respectiva empresa de energia", disse ele ao compartilhar sua experiência investigando a crise na usina nuclear de Fukushima. Ele também sugeriu que os jornalistas colaborem com organismos especializados estrangeiros, para assim fazer uso de pessoas com diferentes habilidades e perspectivas.

Os jornalistas ofereceram várias dicas para aqueles que cobrem desastres:

  • Durante desastres, informação credível é importante
  • Investigue para descobrir se houve um aviso e uma preparação adequada
  • Desmistifique os dados
  • Seja autossuficiente tecnicamente (eletricidade, Wi-Fi, comida, segurança, etc.)
  • Afaste-se da mentalidade de rebanho
  • Lembre-se dos esquecidos
  • Desastres arrastam-se; continue a seguir a questão, mesmo quando leitores e telespectadores parecem perder interesse
  • Não busque enormes manchetes; muitas pessoas ainda estão sofrendo com o desastre
  • Não crie pânico. Em vez disso, sensibilize e adicione informações sobre o desastre

Os três repórteres investigativos enfatizaram que há uma necessidade de reinventar o jornalismo de desastre.

"O que acontece quando os holofotes estão desligados e as câmeras passam para a próxima grande notícia?", perguntou o moderador Shanmugaratnam. Anteleva falou sobre um modelo de como continuar a seguir a história e não deixá-la para trás: Coda Story, uma plataforma online de um só tema que informa sobre uma crise de cada vez e permanece com ela, proporcionando profundidade única, continuidade e compreensão.

Este post apareceu originalmente no blog da Conferência de Jornalismo Investigativo Global e foi publicado na IJNet com permisssão. 

Imagem sob licença CC no Flickr via UCL Mathematical and Physical Sciences