Conheça 'Las Rutas del Oro': um modelo para o jornalismo multimídia ativista

porJulie Schwietert Collazo
Jan 19, 2016 em Jornalismo digital

Jimmy Carrillo trabalha na Sociedade Peruana de Direito Ambiental (SPDA), uma organização que tem uma longa história de investigação acadêmica e jornalística. Uma de suas principais preocupações é a mineração ilegal -- não só no Peru, mas em toda a América do Sul.

Como muitas organizações orientadas para o ativismo, a SPDA trabalha duro para se conectar com um público cada vez maior, motivando as pessoas não só a se importarem com as questões ambientais, mas agirem também.

Foi assim que Carrillo chegou para dirigir um ambicioso projeto multimídia chamado "“Las Rutas del Oro" (As Rotas do Ouro), um documentário em inglês e espanhol lançado online em 2015, que incorpora vídeo, fotos e muito mais para educar o público sobre a mineração ilegal de ouro no Peru e nos demais países amazônicos.

Os jornalistas Óscar CastillaNelly Luna e Fabiola Torres López foram responsáveis ​​pela reportgem mas o projeto exigiu mais meia dúzia de especialistas de diversas áreas para chegar a sua forma final. Nós conversamos com Carrillo por e-mail sobre o processo de fazer "Las Rutas del Oro" e o impacto do site.

IJNet: Que recursos você precisou para executar o ambicioso projeto “Las Rutas del Oro”?

Jimmy Carrillo: O recurso principal é humano. A SPDA tem um grupo de jornalistas que trabalham dentro da organização; eles foram o núcleo deste projeto, responsáveis pelos gráficos, textos, vídeo e produção geral e direção. Mas isso não é suficiente para realizar um projeto tão inovador como este. Você precisa olhar para as alianças e trabalhar de forma colaborativa. No nosso caso, foi graças ao apoio financeiro da IUCN Holanda que podemos formar uma aliança com OjoPúblico para o jornalismo investigativo e com Racontr, desenvolvedores franceses com anos de experiência fazendo documentários digitais que acreditaram em nosso projeto desde o início.

Quais eram suas metas e como avaliam se foram cumpridas?

Acima de tudo, "Las Rutas del Oro" destina-se a provocar o debate e interesse em relação ao aumento na mineração ilegal na região. Se você visitar o site, verá alguns dos objetivos que claramente cumprimos desde o lançamento do documentário online. Estes incluem o número de visitas ao site; atividade de mídia social (milhares de interações no Twitter e mais de 10.000 seguidores no Facebook); reações dos especialistas principais, empresários e políticos; e cobertura na mídia impressa.

Tudo isso foi possível porque o projeto também inclui reportagens de investigação que publicamos em jornais e revistas da América do Sul, bem como um documentário apresentado em alguns festivais de cinema. Tudo isso teve um impacto entre os políticos e empresários no debate sobre mineração ilegal.

Nós pensamos que isso -- junto com o fato de que nós ganhamos alguns prêmios para o documentário digital (o Prêmio Nacional de Jornalismo, o Prêmio Nacional de Meio Ambiente) -- significa que alcançamos nossas metas iniciais.

Conte-nos um pouco sobre o processo de realização deste projeto.

Com um assunto tão vasto como este -- e com um grande público em potencial, dada a variedade de países envolvidos -- tivemos que pensar em um produto que pudesse ser interessante para públicos distintos. Queríamos usar a internet e suas possibilidades de difusão [de informações]. Também achei que precisávamos não só apresentar conteúdo jornalístico de qualidade, mas também apresentar em um formato distinto.

Depois de decidir que o formato seria o documentário online veio a discussão sobre como fazê-lo. Minha decisão foi utilizar a nossa força, que é o vídeo, para narrar todas as histórias.

Quando o projeto foi aprovado, também foi aprovada a possibilidade de viajar para todos os cinco países. Nós desenvolvemos um plano de pré e pós-produção. Em pré-produção, fizemos a pesquisa de publicações e entrevistas com especialistas sobre a mineração ilegal em cada país. Eles nos ajudara com contatos e itinerários, o que ajudou a planejar a lista e o roteiro de filmagem. Enquanto isso, a equipe [de jornalistas] trabalhou na parte gráfica e outra trabalhou na programação.

Depois veio a pós-produção: transcrição, verificação dos fatos, edição de texto e vídeos, adição de música e fotografia de imagens extras. Todo o processo durou meses.

Como vocês promoveram o projeto para que ele tivesse maior visibilidade?

Era lógico usar a internet e nós começamos a criar um burburinho antes do lançamento. A estratégia incluiu a criação de um blog que iria visualizar a pesquisa que estávamos fazendo e oferecer informações sobre o tema central. Nossos parceiros também fizeram menção ao projeto. Eles criaram memes e fizeram publicidade antes e após o lançamento. O documentário online foi mencionado em vários meios de comunicação e em debates acadêmicos sobre mineração ilegal.

Qual o seu conselho para os jornalistas que querem fazer projetos semelhantes?

Projetos ambiciosos são bons, mas não se pode realizar um projeto jornalístico desta magnitude sem forjar um grupo de jornalistas capazes de levá-lo para a frente e achar os parceiros certos. Ninguém é especialista em tudo. É somente através da colaboração que você pode conseguir algo parecido com isso.

Imagem sob licença CC no Flickr via Program on Forests (PROFOR)