Como redações podem dar prioridade a tecnologia móvel

porJessica Weiss
Feb 21, 2013 em Jornalismo móvel

Enquanto jornalistas estão se adaptando à transição para a mídia digital, outra força revolucionária é um desafio para a indústria de notícias: a tecnologia móvel.

Primeiro, foi a Internet. Agora, o telefonia móvel é a "segunda onda na maré de mudança prestes a colidir com a indústria de notícias", disse Cory Bergman, gerente geral da Breaking News, uma startup de tecnologia móvel de propriedade da NBC News Digital.

Porque mais e mais pessoas acessam as notícias em seus dispositivos móveis, as organizações de notícias estão vendo diminuir o tráfego para seus sites a partir de computadores de mesa. E, em algumas regiões, como muitas partes da África, os usuários estão pulando a Web completamente e indo direto para o celular.

Embora muitos líderes da redação acreditem que a abordagem do tipo "tecnologia móvel, também" --tendo o foco no celular, além de outras plataformas-- será o suficiente, essa mentalidade é míope, Bergman disse num chat no Poynter Online.

Discutindo a transição da indústria de notícias para celular juntamente com Bergman estavam Regina McCombs do Poynter e Damon Kiesow, gerente sênior de produto para tecnologia móvel para o Boston Globe e o site Boston.com.

O bate-papo incluiu dicas úteis para redações mudando para a abordagem celular:

Crie uma estratégia móvel específica

A tecnologia celular é mais do que um projeto novo ou canal de distribuição. Merece uma estratégia além de replicar o conteúdo que você está criando em outras plataformas.

"Uma estratégia móvel é descobrir quem você quer ser enquanto cresce no espaço móvel, não apenas tentando correr atrás do prejuízo, mas, na verdade, fazendo planos, entendendo os usuários móveis, desenvolvendo produtos que funcionam melhor em [dispositivos] móveis", disse McCombs.

Kiesow disse que as organizações de notícias precisam construir experiências móveis que sejam "deliciosas para os leitores usarem", além de "publicar conteúdo que eles querem ler e, então, parar de forçar experiências publicitárias realmente inadequadas para eles."

Saiba qual conteúdo usuários móveis querem e pense em personalizar

Compreender como os usuários interagem com dispositivos móveis é um primeiro passo importante, e as organizações de notícias precisam desses dados para conhecer os consumidores móveis e oferecer uma cobertura melhor. Para começar, Bergman disse que os jornalistas devem saber as respostas para perguntas como:

  • Quantos usuários estão chegando a nós via celular?
  • Como o usuários navegam pela experiência?
  • Em que ponto eles caem foram (deixam o site móvel ou aplicativo)?
  • Qual conteúdo é mais popular?
  • Qual formato de conteúdo é mais popular?
  • Como é que isso varia por telefone vs tablet e Web móvel vs apps?

"Imagine se o seu aparelho antecipou o que você quis", disse Bergman. "Essa é a direção da tecnologia móvel: Telefones e tablets estão se tornando extensões naturais de nós mesmos, e a cobertura e informações devem se adaptar em conformidade."

Fale menos sobre mídias sociais e mais sobre tecnologia celular

"De muitas maneiras, as redes sociais se tornaram uma grande distração, desviando a atenção dos jornalistas da mudança radical em nosso negócio", disse Bergman.

Enquanto as mídias sociais são importantes, as plataformas sociais cada vez mais competem pela atenção do público e pela receita publicitária. Portanto, fazer crescer as experiências móveis deve ser a prioridade principal, disseram os participantes.

Bergman acrescentou: "Eu desafio jornalistas em todos os lugares a mudarem metade de suas conversas de mídia social para [conversas] móveis . Nós precisamos descobrir isso."

Tenha a eficiência e utilidade como objetivos

Em geral, a tecnologia celular envolve padrões de consumo diferentes de tablets e outros dispositivos. Telefones tendem a ser usados de forma mais utilitária e em períodos curtos de tempo, como para procurar informações específicas, enquanto que os tablets são mais propícios para leitura mais longa, informação mais profunda e vídeos. E isso significa que as organizações precisam pensar nos dispositivos de forma diferente.

No entanto, essa não é uma regra rígida. Bergman disse que um número surpreendente de pessoas estão usando aplicativos móveis em casa. E muitas pessoas leem artigos longos em seus telefones celulares.

Experimente

Na última vez que enfrentamos uma ruptura no jornalismo, muitos culparam o lado do negócio, Bergman disse. Mas desta vez, "[nós] jornalistas devem usar todos os pontos de alavancagem que temos."

Kiesow aconselhou: "Tenha um telefone, teste todos os aplicativos que você puder encontrar, descubra como integrar os apps/fotos/áudio/texto/vídeos no fluxo de trabalho da redação e continue tentando."

E redações, segundo ele, devem treinar jornalistas e criar fluxos de trabalho, porque "processos geram mudanças."

"A chave é que não podemos esperar pelo movimento no lado do negócio", disse Bergman. "Inicie [o movmento] você mesmo, experimente e experimente de novo."

Para ler a transcrição completa do chat (em inglês), clique aqui.

Imagem usada com licença Creative Commons, cortesia de Jonas Tana, usuário do Flickr